TIC, INCLUSÃO E MARKETING DIGITAL PARA UNIDADES DE INFORMAÇÃO


  • Esta coluna tem a proposta de convergir os temas tecnologias da informação e comunicação com o marketing digital, visando criar um novo momento de discussão para a inclusão sociodigital nas unidades de informação. Abordaremos temas como: mídias sociais, novas práticas de marketing, internet das coisas, big data, e muito mais em torno da evolução do usuário e do profissional na era digital?

MÍDIAS SOCIAIS DIGITAIS: POTENCIALIZADORAS DAS REDES SOCIAIS NAS BIBLIOTECAS

 

(Fonte: civilservicelocal, 2017)

Então, se não é de agora que as redes sociais digitais são tratadas como estruturas relevantes na literatura científica, por que você ainda não incorporou na sua instituição educacional? Boa pergunta. 

No verão de 2014, Taylor e Francis procuraram responder esta questão por meio da execução de uma pesquisa com um grupo focal formado por 600 bibliotecários dos EUA, Índia e Reino Unido. A pesquisa on-line, em particular, forneceu alguns resultados muito perspicazes sobre como as bibliotecas estão, atualmente, usando as mídias sociais, e como isso pode se desenvolver no futuro. Cinco das descobertas mais interessantes feitas foram as seguintes:

  • 61% das bibliotecas têm usado mídias sociais por 3 anos ou mais;
  • Apenas 10% dos bibliotecários declararam ter vindo a usar as mídias sociais no ano de 2013;
  • 30% postam nas redes sociais diariamente;
  • 25% das bibliotecas têm mais de 5 indivíduos atualizando suas páginas de mídia social.

As redes são estruturas abertas capazes de se expandir de forma ilimitada, integrando novos ‘nós’ desde que consigam se comunicar dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (1). 

A criação da World Wide Web, também conhecida como Web ou WWW ocorreu no dia 12 de março de 1989, por Tim Berners-Lee. Naquele momento a única preocupação de Tim Berners-Lee era difundir a informação de maneira mais rápida para os cientistas da época e, assim, aumentar o número de pesquisas para a geração de novos conhecimentos. Na atualidade, percebe-se que o surgimento da Web revolucionou, do ponto de vista positivo, as formas de comunicação e a disseminação da informação, desenvolvimentos e as relações. Isso por causa da popularização que ocorreu em todo o mundo. 

Existem três gerações da web (2). Uma evolução que possibilitou a derrubada de barreiras e desenvolvimentos de habilidades antes inimagináveis. 

  • A web 1.0, primeira geração, possibilitou a exibição de textos em qualquer ambiente geográfico com acesso a rede.
  • A web 2.0, também chamada de web social, transformou a exibição da estrutura dos documentos possibilitando a introdução de links, imagens e hipertexto, criando também interfaces colaborativas para os usuários.
  • A terceira geração da web é chamada de Web Semântica. Essa web 3.0 propõe que os documentos e textos devem ser interpretados tanto por homens, quanto por máquinas por meio da utilização de vínculo com significado.

O crescimento tecnológico, atualmente vivenciado, determina mudanças significativas no contexto social. Alguns anos atrás a web oferecia apenas a exibição de textos, documentos de forma simplificada e com restrições para o internauta na maneira de uso. Na contemporaneidade, é possível perceber as alterações provocadas na web social, a exemplo da permissão para responder enquetes, opinar em sites, blogs, microblogs, participar de redes sociais na Internet, entre outras. O conteúdo é exposto em plataformas abertas e interativas (3).

O termo Web 2.0 surgiu em 2004, criado pela empresa norte-americana O’Reilly Media, para designar uma segunda geração da web, mas também uma nova forma de relação, comunidades e serviços na rede. O desenvolvimento da web 2.0 proporciona ambientes online no qual os atores sociais podem colaborar e comunicar-se com outros membros, pertencendo a comunidades em que todos possuem interesses em comum. Essas conexões deixam rastros na rede de computadores que explicitam as redes sociais (4).

As redes sociais são caracterizadas como conexões entre indivíduos que compartilham informações, independente de localização geográfica e física. O ser humano, naturalmente, vai criando suas redes sociais durante a vida. O primeiro contato começa com a família que são as primeiras pessoas, próximas logo após o nascimento, em seguida na escola, na vizinhança, trabalho e mais outros ambientes que promovem essa possível troca de informações (5). 

Com o surgimento de redes sociais na Internet, potencializadas pelas mídias sociais, nascem conexões com pessoas, normalmente com significativas distâncias geográficas, no ambiente da web. Essas redes são de diversos tipos, mas que compartilham informações gerando trocas sociais que fortalecem essas estruturas.

Naturalmente, o enfoque deste artigo está no potencial e nas questões fundamentais da web social (web 2.0) para as unidades de informação, especificamente, no contexto da biblioteca. Desse modo, a tecnologia das redes sociais tem sido vista como elemento-chave das abordagens organizacionais e relacionais contemporâneas (6). Seus analistas vislumbram perceber como dados, informação e conhecimento circulam em seus fluxos horizontais e verticais, proporcionando vínculos como relações.

Esta segunda forma da web, denominada de web social, tem elevado a outros patamares o conceito de rede social, impulsionada pelas mídias sociais digitais. A mídia social digital é um ambiente no qual “[...] as barreiras para publicação de dados desaparecem, transformando qualquer pessoa que possua uma boa conexão com a Internet, em um editor em potencial e, por conseguinte, em uma fonte confiável de informações” (7). 

Vale salientar que o conceito ‘social’ sempre será mais relevante que o de ‘mídia’. As plataformas – como o Facebook, o YouTube, o Snapchat, o Instagram, Pinterest, Linkedin e o Twitter, assim como os wikis, microblogs, podcasts, dentre outros –, potencializam a dinâmica entre os vínculos, entretanto não conseguem elas, por si só, provocá-las. Este é um ponto que interessa e sustenta o argumento desta discussão, pois o fortalecimento da dinâmica das relações poderão acontecer quando implementadas estratégias do líder da unidade de informação de forma consciente, ativa, coerente e proposital. A dinâmica de mão dupla é o aspecto mais importante das mídias sociais digitais. Isso precisa estar claro na mente do seu organizador, caso haja intenção de promover um determinado produto ou serviço. 

Ter um website na rede mundial de computadores, na atualidade, não é mais um investimento de pouca prioridade (8). Ou seja, no contexto contemporâneo, trata-se de uma necessidade, visando garantir a sobrevivência da instituição. Para uma unidade de informação, construir relacionamentos com seus usuários no ambiente on-line precisa ser encarado como algo mais importante do que o empréstimo de livros no ambiente físico da biblioteca, por exemplo. Essa é uma tendência que já acontece em outros segmentos, especialmente ditada pelos próprios consumidores de produtos e serviços. É só observar casos como o do Magazine Luiza, por exemplo.

Neste contexto, o bibliotecário estrategista em mídias sociais precisa ter este princípio de forma nítida em seu objetivo e planos de ação que visam apresentar, nestes ambientes, produtos, recursos e serviços da unidade de informação.

Notas

(1) CASTELLS, M. La era de la Informacio?n: economi?a, sociedad y cultura – el poder de la identidad. 5.ed. Madrid: Alianza, 2001a. v. 2.

(2) FEITOSA, A. Organização da informação na web: das tags à web semântica. Brasília: Thesaurus, 2006.

(3) BLATTMANN, U; SILVA, F.C.C. Colaboração interação na web 2.0 e biblioteca 2.0. Revista Acb: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florinópolis, v. 12, n. 2, p.191-215, jul. 2007. Disponível em: . Acesso em: 2 jun. 2017.

(4) RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

(5) TOMAÉL, Maria Inês; ALCARÁ, A. R.; CHIARA, I. G. Di. 2005. Das redes sociais à inovação. Ciência da Informação, Mai.-Ago. 2005, vol. 34, no. 2; p.93-104.

(6) JOHNSON, K. E. The Transformative Power of Narrative in Second Language Teacher Education. TESOL Quarterly, 45: 486–509, 2011, doi:10.5054/tq.2011.256797.

(7) BARGER, Christopher. O estrategista em mídias sociais.São Paulo: DVS, 2013.

(8) GUNELIUS, S. Marketing em mídias sociais em 30 minutos. São Paulo: Cutrix, 2012.


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BARBARA COELHO

Doutora em Educação, mestre em Ciência da Informação. Graduada em Biblioteconomia e Letras. Atualmente em estudos de Pós-doutorado sobre Marketing Digital para Educação pela UNB. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFS. Coordena o Laboratório de Tecnologias Informacionais e Inclusão Digital (LTI). Palestrante e autora do livro Tecnologia e Mediação: uma abordagem cognitiva para inclusão digital.