AO PÉ DA ESTANTE


AO PÉ DA ESTANTE... VISITA JANE AUSTEN EM FILMES, SÉRIES E ROMANCE POLICIAL

Jane Austen (1775-1817), eis uma autora inglesa considerada com justiça fenômeno literário e até hoje famosa. Escritora de seis romances, sua narrativa é finamente elaborada, cuidadosa, intrincada e creio até que de difícil tradução. Seus romances são: Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Mansfield Park, Emma, A abadia de Northanger e Persuasão. Foram editados no Brasil pela L&PM Pocket, que lançou ainda Amor e amizade e outras histórias, primeiras novelas da autora, em forma de cartas, e os escritos Lady Susan, também espistolar, no qual Austen esmera-se em criar sua maior vilã, além de Os Watson e Sanditon, duas obras inacabadas.

No entanto, como leitora e releitora assídua de Jane Austen, o que a certa altura me chamou a atenção foi terem sido seus romances fartamente filmados e logrado um feito porventura inédito: todos os seus romances, filmados ou transformados em seriados, conseguiram merecido sucesso de público e crítica, em que pese a propaganda que os cercou. Tais películas souberam captar de modo tão sensível as diferentes nunces de sua escrita, a sutileza da alma dos personagens e o contexto social em que viveram, que algumas das histórias são capazes de envolver totalmente a quem os assiste, às vezes bem mais do que aos que se dedicaram apenas a lê-las. 

Um dos exemplos mais marcantes, a meu ver, é o romance Emma, em que a autora se atém a tantas minúcias do caráter da personagem principal e esmiuça de tal forma os acontecimentos em que se enreda, que a narrativa se estende, alonga-se e, em certos momentos, arrisca-se a entediar o leitor. Já o saboroso seriado Emma, criado pela BBC londrina, enfeitiça o espectador. Nele, a jovem personagem principal, quase uma anti-heroína, encanta-nos com seus tropeços e visões fantasiosas da realidade, na tentativa sempre bem intencionada de acertar as vidas amorosas de quem a circunda. Assim como o romance, o filme contém os ingredientes principais de que a autora faz uso - crítica, ironia, alegria, tristeza, romance e fino humor - só que na dose e no tom certos.

De volta ao mundo da literatura, outro aspecto digno de destaque é a inspiração que as tramas de Austen despertam. Por isso, vale ressaltar um dos últimos romances policiais da consagrada autora inglesa P. D. James, cuja obra tem sido editada no Brasil pela Companhia das Letras. Trata-se do Morte em Pemberley, no qual James revisita o célebre Orgulho e Preconceito e cria um suspense tão intrincado, que nem os principais personagens da obra original, os queridinhos Darcy e Elizabeth, já em sua vida de casados, conseguem manter-se acima de qualquer supeita. Confiram!

Em se tratando de Jane Austen não há como deixar de indicar todos os seus textos, sem exceção sensíveis e inteligentes, como merecedores da atenção de leitores igualmente sensíveis e inteligentes. Quem nunca a leu ainda, certamente tenderá a ser um releitor ou uma releitora eternos. 

E talvez sejam estes o objetivo e o mérito do aparentemente despretensioso filme, que aqui faço questão de destacar: iniciar leitores austenianos e, quiçá, levá-los a releituras. Falo de O clube de leitura de Jane Austen, no qual temos a oportunidade de reviver cada um dos seis principais romances, através do olhar de cinco mulheres e um único homem, fãs da escritora, em seus encontros e desencontros, no dia a dia. Cada qual, com sua visão pessoal das tramas e dos personagens, enriquece nosso modo de julgá-los, avaliá-los, a tal ponto que em certos momentos é como se fizéssemos parte do Clube. Também vale conferir!


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SARASVATI

Nascida e criada na Índia, estudou na Universidade de Madras, morou em Goa (onde aprendeu português) e viajou pelo mundo em busca de autores e compositores diferentes. Apaixonada pela música brasileira, fixou-se em São Paulo, pela convivência pacífica entre religiões as mais diversas.