GESTÃO EMPRESARIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO


O USO ESTRATÉGICO DA INFORMAÇÃO NA FORMAÇÃO DE REDES DE COOPERAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL LOCAL

O meio empresarial, por suas especificidades, é constantemente afetado por fatores conjunturais que ditam as tendências para os negócios. Seja no contexto internacional, nacional ou regional, considerando-se desde pequenos negócios até grandes conglomerados produtivos, os efeitos de fatores conjunturais são sentidos. A exemplo, a abertura de mercado ocorrida no Brasil à partir da década de 90 promoveu, por um lado, perspectivas positivas para os negócios, no entanto, trouxe também uma nova ordem pautada na competitividade acirrada de empresas entrantes cujas tecnologias e modelos de gestão encontravam-se mais avançados. Nesse sentido, as empresas tiveram que criar rapidamente novas formas de pensar, novos modelos estratégicos e novos meios de se manterem competitivas em um mercado com intensas mudanças. 

Nessa nova ordem, as Médias e Pequenas Empresas (MPEs) foram intensamente afetadas, considerando-se seu baixo poder de investimentos frente as empresas financeiramente mais estruturadas. À partir daí, essas e novas empresas passam diariamente por um intenso processo de adaptação e reorganização dos modos de gestão, buscando a criação de estratégias de sobrevivência e desenvolvimento. Entre as alternativas existentes para se coibir os efeitos conjunturais, destacam-se as alianças, parcerias e, especialmente, as redes de cooperação.

É necessário destacar a inegável importância de setores regionais caracterizados por produções específicas e serviços de natureza local, sendo estes grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico de regiões inteiras. No Brasil, especialmente em áreas culturalmente preservadas, com características turísticas ou reconhecida pela produção de algum bem ou serviço, é crescente o desenvolvimento de grupos ou aglomerações setoriais de empresas que utilizam a cooperação de modo a se desenvolver e criar estratégias competitivas e de sobrevivência. Esses grupos de empresas podem ser denominados Arranjos Produtivos Locais (APLs), Núcleos de Inovação, Clusters, entre outros, de acordo com o modo como se organizam. 

Entre as principais características das redes de cooperação entre empresas está o fato de que estas guardam cada uma sua independência e características particulares, cooperando apenas no âmbito da coordenação de algumas atividades específicas de maneira conjunta. Por exemplo, pizzarias que formam uma rede de cooperação e realizam a compra de queijo de forma conjunta para obterem melhores preços dos fornecedores em função da quantidade. 

Este tipo de cooperação garante que empresas, especialmente as menores, sejam capazes de competir no mercado. Nesse sentido, a competitividade que pode afetar sobremaneira determinada empresa em sentido específico, pode torna-la mais resistente ao firmar uma aliança cooperativa com outras empresas. De acordo com Castells (2013) “A cooperação é superior a competição”. 

Em outros países, as experiências com as redes de cooperação trouxeram para o Brasil bons exemplos de ser esse um negócio próspero e que apresenta grandes oportunidades. Como no caso das empresas Italianas com a conhecida Terceira Itália, ou mesmo nos Estados Unidos com o Vale do Silício.

Não obstante, outra forma de cooperação que propicia a criação de redes colaborativas entre empresas, especialmente em regiões cujo setor produtivo é concentrado em determinada área, é a rede informacional colaborativa. Seguindo esta ótica, Tomaél (2005, p. 3) argumenta que as redes de informação, por suas características, “reúnem pessoas e organizações para o intercâmbio de informações, ao mesmo tempo em que contribuem para a organização de produtos e a operacionalização de serviços que sem a participação mútua, não seriam possíveis.”

Existem muitos benefícios que podem ser alcançados pelas empresas que implantam uma rede informacional, estando entre elas a colaboração acerca da escolha de fornecedores; estudo de mercado segmentado; parcerias na contratação de consultorias; analise conjunta de melhores insumos; padronização de processos, sobretudo quando se trata de produtos regionais que seguem um padrão cultural, muito comum no setor alimentício em cidades turísticas; proteção contra novos entrantes que representam ameaças; parceria visando a implantação de modelos de gestão baseadas em inovação, especialmente quando se trata de tecnologias.

A rede de informação constitui-se de uma rede colaborativa cujo objetivo é beneficiar um grupo que possua interesses comuns, que atua em áreas afins, seja na produção de bens ou prestação de serviços. Naturalmente, trata-se de empresas que competem entre si, já que fazem parte de um setor comum. No entanto, a rede informacional trabalha de modo que as empresas atuem em parceria, formando um conglomerado que mantem as características individuais, os processos próprios, bem como os métodos de gestão particulares, estando a troca apenas no que concerne a informações que sejam de interesse comum e que possam beneficiar a todos. O cerne da rede informacional é o compartilhamento entre empresas com o objetivo de desenvolvimento setorial baseado na colaboração. 

Como consequência, o processo de construção do conhecimento é estabelecido nestes ambientes promovendo assim o desenvolvimento de um setor e, consequentemente, de uma região produtiva. Quando se trata de setores culturalmente tipificados, os benefícios são ainda maiores considerando-se a preservação de identidade, memória e fazeres regionais. Geração, compartilhamento, disseminação, apropriação e suporte para construção do conhecimento são a base das redes informacionais empresariais. 

Referências

CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra. 2013

TOMAÉL, M.I. Redes de informação: o ponto de contato dos serviços e unidades de informação no brasil. Inf. Inf.: Londrina, v.10, jan./dez.2005.


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ELAINE CRISTINA LOPES

Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).