LITERATURA INFANTOJUVENIL


AS ILUSTRES E DESCONHECIDAS LENDAS PARANAENSES

Foi difícil iniciar esse texto, pois todas as tentativas pendiam para um caminho quase que de um comercial pobre.

Preciso dizer que esse é um assunto importante, mas raro. O Paraná nos seus 151 anos não tem uma forte tradição folclórica que muitos outros Estados têm. Como exemplo, podemos citar o nosso quase vizinho - Rio Grande do Sul.

As tradições gaúchas são diversificadas e só para não desviar o "rumo dessa prosa", façamos um rápido exercício de memória, e lembraremos de diferentes lendas oriundas dos pampas. Entre as mais famosas estão: Boitatá e Negrinho do Pastoreio.

No caso paranaense, teríamos que pensar um pouco mais. Talvez a primeira que viria em nossa mente, seria a "Gralha Azul". E com razão, é linda! (a gralha ou a lenda? As duas). São poucas as lendas paranaenses e pouca divulgação se faz delas.

Para conhecer as lendas dos índios do Paraná é imprescindível buscar a coleção do escritor Hardy Guedes, lançada em 1997, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba.

É uma coleção brilhante e é composta dos seguintes títulos:

Naipi e Tarobá: a lenda das Cataratas do Iguaçu

RESUMO: "O Rio Iguaçu pertencia ao deus-serpente M'Boi, que, todos os anos, queria uma moça bonita em sacrifício. O deus-serpente quis Naipi, mas a bela cunhã ia se casar com Tarobá, um bravo guerreiro. Ao tentarem fugir de canoa, M'Boi ordenou ao rio Iguaçu que os lançasse num abismo, surgindo, assim, as Cataratas do Iguaçu".

Xakxó: a lenda do fogo

RESUMO: "Os Caingangues precisavam do fogo para cozinhar e se aquecer, mas não sabiam como obtê-lo. Somente Minaram conhecia o segredo, mas não ensinava a ninguém. Um índio resolveu roubar o fogo e trazê-lo para a sua tribo. Transformou-se na Xakxó, a gralha-branca, e voou até a cabana de Minaram. Na volta, o tição em brasa caiu de seu bico e provocou um grande incêndio, propiciando, assim, que todas as tribos vizinhas pudessem ter o fogo".

Nhanderu: a lenda do sol e da lua

RESUMO: "Tupã criou o Paiquerê, para morar com sua mulher. Ela teve gêmeos, mas uma onça a matou logo após o parto. Os filhos, depois da crescidos, saíram à procura do pai e da mãe. Encontraram Anhangá, o diabo, que os aprisionou. Com a ajuda das filhas de Anhangá, os dois fugiram. Ao encontrarem Tupã, este lhes perguntou sobre a mãe. Como não sabiam responder, foram transformados no Sol e na Lua para que um a procurasse de dia e o outro, à noite".

Itacueretaba: a lenda de Vila Velha

RESUMO: "Os Apiabas eram os guardiões dos segredos das cerimônias sagradas de Tupã. Com ciúmes, o chefe dos Camés enviou Aracê, uma linda jovem, para seduzir Dhui, o chefe dos Apiabas, e conseguir a revelação dos segredos. Os dois acabaram por se apaixonar, provocando a ira e a vingança dos Camés. Com a morte dos dois, Tupã decidiu transformar o local numa cidade de pedra, hoje chamada de Vila Velha".

Curiaçu e a Gralha-Azul: a lenda das Araucárias

RESUMO: "Curiaçu era o mais alto e mais forte guerreiro. Ao salvar, do ataque de uma onça a filha do pajé de uma tribo inimiga, foi atacado pelos guerreiros da tribo da moça, que pensaram que ele a estivesse raptando. Ele conseguiu fugir, mas ficou muito ferido. A moça escondeu o seu corpo, despistou os agressores e voltou para salvá-lo. Ao retornar, não encontrou mais Curiaçu. Onde ela o havia escondido, surgiu a Araucária".

Os resumos retirei do site do Hardy que é: http://www.hgf.com.br/literatura_lendas_paranaenses.htm

Lá você poderá encontrar outras informações. E por falar em encontro, se você encontrar o Hardy por aí, me avise. Estou a procura dele, me disseram que, de Curitiba, foi para terras baianas. Quem sabe pesquisar outras lendas por esse Brasil a fora!


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.