LITERATURA INFANTOJUVENIL


ASSEMBLÉIA DAS FADAS

Nem todas as ausências são notadas, mas ausência de uma fada, e por tanto tempo, é sentida até pelos mais desligados dos seres.

 

Pensando nisso é que no País das fadas as crianças/fadas resolveram marcar uma Assembléia. Isso mesmo! Quando há problemas nos condomínios, os adultos convocam uma assembléia.

 

- Pois temos que marcar uma assembléia, disse uma fada um tanto descabelada, sem aquele tradicional e comportado rabinho de cavalo. E tem que ser uma assembléia só de  fadas brasileiras, pois o que temos que resolver é no Brasil.

 

E assim foi: elas convocaram primeiramente a Clara Luz, pois por ser mais experiente e conhecer a sua criadora, pode contar onde ela está, como poderemos falar com ela.

 

E não é que as fadas reunidas resolveram a questão, cutucaram a Fernanda Lopes de Almeida que depois de 30 anos sem publicar, resolveu fazer uma FESTAMALUCA e presentear os seus leitores com o livro - O rei maluco e a rainha mais ainda. Livro este que me deixou... – não que eu (como diz o meu amigo Kleber Arantes) tenha “os alqueires de terra bem medidos na cabeça” –  mais doida do que sou.

 

Para você ter noção da doideira que é esse livro e para deixar você com “água na boca” para lê-lo, vou dividi-lo em quatro espaços: Espaço 1 - O castelo; Espaço 2 - a beira do poço, Espaço 3 - A escola e  Espaço 4 - A torre do sono.

 

Em minha opinião são nesses espaços que acontecem coisas muito malucas e muito lúcidas. Conheço pessoas que não acreditam que seja possível reunir maluquice com lucidez, eu sempre acreditei nisso, basta conversar com o primeiro “maluco beleza” que você encontrar.

 

Antes disso quero contar para você que quem puxa a narrativa dessa história e leva a Heloísa (personagem principal do livro) é uma formiga. E é muito interessante perceber que ela funciona como se fosse uma pulga atrás da orelha da menina.

 

- Peraí Sueli: é uma pulga ou é uma formiga?

  R: Cruzes que impaciência. É uma formiga charmosa com idéias “pulgantes” e pulantes!

 

E é essa pulga que convida a Heloísa para um passeio, para procurar um estafilágrio. O que é isso? Não sei. A pulga não sabe. E não conheço ninguém que saiba o que é. Mas isso não é o mais importante. Importante é descobrir que todos nós temos uma formiga própria e que de vez em “quandosempre” deveríamos nos deixar guiar por ela.

 

De preferência no tapete do seu quarto, que se olhar bem de perto ele pode se transformar numa estrada comprida que vai te levar ao castelo do Rei Maluco.

 

E foi assim que sucedeu... (sempre quis usar essa palavra, mas nunca tive chance). A formiga diria, se estivesse aqui, que nós humanos prendemos as palavras e essa felizmente criou perninhas, correu e escapou de mim.

 

Mas continuando a nossa história... De repente a formiga magicamente cresceu e ficou do tamanho da menina que, de camisola, pula da cama e vai a caminho do castelo do Rei e lá aos poucos conhece pessoas “estranhas”, onde se faz o oposto do esperado e as pessoas fazem o que pensam. Esse é o caso da bailarina que tem um colar de parafusos, o padeiro que ficava o tempo todo pintando quadros, o Rei que trabalha incansavelmente pelo seu povo, uma Rainha muito distraída, uma velhinha que é a guardiã da Torre do Sono, uma Moço do Poço...

 

Puxa, que volta eu dei! Não se preocupe não abandonei a idéia da divisão da história em espaços. Então vamos aos espaços que eu falei:

 

Espaço 1 – CASTELO

 

Esse é o espaço da alegria. Tudo é muito colorido e atrapalhado onde é permitido e incentivado falar coisas desconexas. É o espaço da espontaneidade. O reinado do Rei Maluco é livre, respeitoso e democrático. Vou citar um exemplo: Heloísa não sabe se vai ao baile em sua homenagem vestida com uma camisola ou com uma roupa feita especialmente para ela. O Rei convoca um  Plebiscito. Todos vão às urnas, mas votam sim – não. Concluí-se que a decisão deve ser da menina. 

 

 

Espaço 2 – BEIRA DO POÇO

 

Esse espaço pelo contrário é o espaço da aflição, da tristeza. Nele uma moça fica debruçada o tempo todo esperando aparecer alguém. Nem ela sabe quem espera na beirada do poço. E ali suspira:

 

- O que sei é que vivo grudada na beira do poço, sem poder arredar o pé [...]

- Mas por que não pode arredar pé?

- Não vê logo? E se eu sair de dentro do poço justamente quando tiver arredado pé?

- Vejam que situação a minha! Lamentou-se a moça – nunca sei o que vai sair desse poço e ainda dizem que tudo que sai daí sou eu!

 

Do poço saem personagens contraditórios, ora um palhaço, ora uma pobre viúva que não é maluca nem ajuizada e também um hipopótamo que bufava e dava cabeçadas para todos os lados.

 

Espaço 3 – A ESCOLA

 

Em virtude da ausência da professora, cabe a rainha (ignorante e avoada) a responsabilidade de substituí-la. Apesar da boa vontade a Rainha ficou desorientada, sem saber o que ensinar. Conclusão: a aula foi só brincadeira. Uma verdadeira festa!

 

Espaço 4 – A TORRE DO SONO

 

Em um determinado momento Heloísa cansada de tanto disparates procura um local para dormir 100 anos, igual a Bela Adormecida, mas ao seguir uma flecha que indicava A torre do Sono, se depara com uma velhinha que fiava numa roca e que ao perceber a intenção da garota ameaça:

 

- Não se atreva! – Não admito que ninguém durma nesta torre. Que estranho! Uma Torre do Sono,  onde não se pode dormir! Só em terras do Rei Maluco e da Rainha Mais Ainda!

 

E para fechar a minha conversa, preciso contar que Heloísa no dia seguinte despertou com a sensação de ter sonhado o mais lindo dos sonhos. Foi o mais comprido e o mais interessante que já tive na vida. Mas de repente ouve uma voz que a convida para outras aventuras. Era a formiga com seu lenço na cabeça e a sainha vermelha.

 

Assim também é a Fernanda Lopes de Almeida, uma fada-formiga que pega (com seus textos) na nossa mão e nos convida para uma grande vertigem da leitura.

 

Obrigada Fernanda! Excelente Retorno!

Obrigada Sérgio (marido da Fernanda) que me convidou para viajar nesse texto!

Obrigada às fadas que cutucam os autores brasileiros a escreverem sempre mais!

 

Um grande abraço maluco e beijos mais ainda.

 

Sugestão de Leitura de outras obras de Fernanda Lopes de Almeida

- Pinote o Fracote Janjão o Fortão

- As mentiras de Paulinho

- O equilibrista

- A margarida friorenta

- Soprinho

- Gato que pulava em sapato


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.