BIBLIOTECA ESCOLAR - NOVA FASE


  • Discussões, debates e reflexões sobre aspectos gerais e específicos da Biblioteca Escolar. Continuação da coluna anterior, agora apenas com autoria de Marilucia Bernardi

ERA UMA VEZ UM LUGAR CHAMADO BIBLIOTECA...

“Não procuro lembrar o que acontece num livro. Tudo que peço a um livro é que me dê energia e coragem, que me diga se há mais vida do que posso ter e que me lembre de que é urgente agir.” (do filme Léolo)

 

Apesar de “apresentar” textos há tempos, confesso que ainda tenho muita dificuldade em colocar meus pensamentos em ordem, ir para o computador e deixar jorrar as ideias que ficam, por dias, marulhando em minha mente e a cada dia que passa, antes de escrever, vou ficando ainda mais confusa até conseguir definir o tema e o conteúdo.

 

Iniciei o texto com uma passagem do filme Léolo, encontrado num dos livros que estou lendo -  Teoria e prática da formação do leitor: leitura e literatura na sala de aula, de Lena Lois, da Artmed, por achar muito interessante, bonito, profundo e vir ao encontro com o que se passa comigo. E aí me dou conta que não devemos ficar muito tempo só com os pensamentos; precisamos sim, partir para a ação.

 

Ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme, porém ao pesquisar por ele pude notar, pelos comentários postados, que é muito bom e que vale a pena conhecer. O filme narra a vida de uma excêntrica família canadense, cujo membro mais reflexivo, o jovem Léolo (Leo) escreve suas memórias num caderno e seu gosto pela leitura começa quando ele lê um clássico francês.

 

Como sinto que tudo a minha volta remete à leitura, à literatura, à biblioteca, à cultura, enfim, não pude deixar de mencionar essa fala do filme e começar a partir dela.

 

Realmente se pararmos para analisar, e quem conseguir perceber há de concordar, 2010 está sendo premiado com inúmeras ações sobre a leitura e por tabela, sobre biblioteca.

 

No mês de Maio tivemos sansionada a lei que obriga toda escola pública e particular a ter uma biblioteca com bibliotecário, o que detonou uma série de movimentos, em todo o território nacional, necessário, diga-se de passagem, para que ao longo dos 10 anos exigidos por lei, possamos, de fato e de direito, ter essa realidade consumada. A partir daí as revistas pedagógicas trouxeram artigos, discussões, e reafirmaram a necessidade e importância da leitura na escola.

 

Em Junho foi a vez da Copa do Mundo, que trouxe na sua esteira, uma profusão de livros sobre futebol e times que muito agradou ao público infanto-juvenil. E isso não deixa de ser um grande aliado para o professor e o bibliotecário, pois é uma forma de conquistar aquele aluno que não gosta muito de ler – apresentando-o ao livro de seu time!

 

Chegou o mês de Agosto e com ele a FLIP - Festa Literária Internacional de Parati, que, embora seja demais intelectual para muitos, ela apresenta novidades e belos trabalhos com a comunidade do entorno, no aspecto da leitura. Além, é claro, de provocar lançamentos novos no mercado editorial e de promover discussões a respeito da literatura.

 

Ainda em Agosto acontece a 21ª. Bienal do Livro de São Paulo, que, segundo a mídia escrita, é esperado um público de 700 mil pessoas e nesse mundão de gente, a maioria, com certeza, será o público infanto-juvenil.

 

O jornal O Estado de S.Paulo, do dia 10 de agosto, trouxe um caderno especial sobre a Bienal e na sua página 3 o título da matéria reflete o que eu escrevi acima: Não se faz Bienal sem a garotada.

 

E é aí que a Biblioteca Escolar deve ter uma participação bem clara e definida, promovendo a divulgação de eventos dessa ordem. Contando o que é uma bienal de livros, como se apresenta, o que encontramos lá, e até mesmo, se for o caso, intermediar a ida dos alunos e os professores.

 

Obviamente que para nós, profissionais do ramo e que nos importamos com tudo o que se refere ao assunto, ficamos mais suscetíveis com isso e ficamos mais “ligados” com o que acontece na área. Será mesmo que todos ficam assim?

 

Participando de colóquios, palestras, cursos, seminários, etc..., percebo muitas vezes e infelizmente, que muitos dos colegas bibliotecários e também professores, não estão tão conectados ao mundo literário, perdendo assim, inúmeras oportunidades de aprendizado, crescimento e conteúdo.

 

E falando nisso, sem deixar a oportunidade passar, gostaria de partilhar os livros e periódicos que tenho lido sobre leitura; importância do ato de ler; como criar o hábito da leitura entre alunos e professores, discussão sobre a continuidade do livro em papel e a chegada, cada vez mais forte, do livro digital etc.  

 

- TIERNO, Giuliano (org.)   A arte de contar histórias: abordagens poética, literária e performática.   São Paulo: Ícone, 2010. (Idealizador de um curso de pós-graduação em contação de histórias.)

- LOIS, Lena.   Teoria e prática da formação de leitor: leitura e literatura na sala de aula.   Porto Alegre: Artmed, 2010.

- KUHLTHAU, Carol.   Como orientar a pesquisa escolar: estratégias para o processo de aprendizagem.   Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

- NEEMAN, Sylvie.   Sábado na livraria.   São Paulo: CosacNaify, 2010.

- ECO, HUMBERTO e CARRIÈRE, Jean-Claude.   Não contem com o fim do livro.   Rio de Janeiro: Record, 2010.

- MORPURGO, Michael.   Eu acredito em unicórnio.   São Paulo: WMFMartins Fontes, 2009.  

- RIBEIRO, Jonas.   Dez motivos para amar os livros.   São Paulo: Elementar, 2009.

- CAVION, Elaine Pasquali.   Formigas.   São Paulo: Paulus, 2009.

- HAO, K.   O livro mágico.   São Paulo: FTD, 2009.

- CHARTRAND, Lili.   O monstro que adorava ler.   São Paulo: Edições SM, 2009.

- BORGES, Iris.   Eu amo bibliotecas.   São Paulo: Callis, 2009.

- __________.   Eu amo editoras.   São Paulo: Callis, 2009.

- __________.   Eu amo escritores.   São Paulo: Callis, 2009.

- __________.   Eu amo ilustradores.   São Paulo: Callis, 2009.

- __________.   Eu amo livros.   São Paulo: Callis, 2009.

 

 A Revista Nova Escola do mês de Agosto traz, já em sua capa, a importante questão da leitura. Apresenta a escola como sendo o ambiente mais propicio e privilegiado para garantir esse contato com os livros. Dá dicas de como, onde, quando e o que ler e traz no quadro Estante, boas sugestões para crianças, jovens e adultos.

 

O mais interessante é que essa matéria foi sugerida por 20 leitores, de diferentes regiões do país, e isso mostra, felizmente, que ainda tem muita gente interessada e preocupada em transformar a situação caótica de educação em que vivemos.

 

Outro periódico que abordou em suas páginas o tema leitura, foi a Revista Pátio Infantil, de julho-setembro, n.24. Vale a pena conferir.

 

No dia 25 de julho, na sua página A26, o jornal O Estado de S. Paulo trouxe um artigo deveras interessante sobre leitura para bebês, intitulado: Bebê que convive com livros vai melhor na escola. No mesmo artigo é citado o Instituto Alfa e Beto (IAB) que, numa proposta ambiciosa, preparou um guia: Os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola, visando incentivar a leitura antes mesmo do primeiro ano de idade.

 

Na Revista Língua Portuguesa, n.58, agosto de 2010, encontramos uma matéria bastante elucidativa sobre os prós e contras da digitalização de bibliotecas e acervos, com o título “Das estantes ao computador”. Por mais que achemos ou queremos que o livro em papel tenha sempre seu lugar no universo da leitura, é mais que necessário que conheçamos esse novo formato de livro para que possamos ter uma nova idéia de uma biblioteca escolar mais adequada às novas mídias.

 

Em muitas escolas, principalmente as particulares, cujo poder aquisitivo das famílias é mais alto, muitos alunos já se apropriaram dessa nova ferramenta e, nós bibliotecários e profissionais da educação temos que nos preparar para mudanças que se farão necessárias.

 

Além de livros e reportagens, existe uma gama de cursos, seminários, encontros, grupos, sobre biblioteca escolar, promovidos por entidades de classe e Conselhos Regionais, visando alcançar a meta proposta – biblioteca, leitura e informação para todos.

 

A biblioteca escolar pode e deve se fazer presente em todas as fases de desenvolvimento do aluno e precisa criar condições e mecanismos para que os objetivos propostos sejam atingidos. Atualmente os estímulos e as possibilidades são infinitas, e nem todas requerem recursos financeiros para sua realização, bastam apenas imaginação, vontade e determinação.  

 

“Ler proporciona o crescimento pessoal, estimula o raciocínio e contribui para a longevidade. Quem lê costuma ser mais ativo e desenvolve ideias próprias.” (Fonte: Revista Veja, edição de 25 de agosto de 2004, pág. 94)


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MARILUCIA BERNARDI

Formada pela PUCCampinas. Atualmente elabora projetos para formação de Biblioteca Particular (Pessoal), oferece apoio a Bibliotecas Escolares e é aluna da Faculdade da Terceira Idade, da UNIVAP, em Campos do Jordão. Ministrou aulas de Literatura e Comunicação, por dois anos, na Faculdade da Terceira Idade. Atuou na Escola Estadual Prof. Theodoro Corrêa Cintra, em Campos do Jordão, pela ONG AMECampos do Jordão. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo; na Metal Leve; chefiou a Biblioteca da Faculdade Anhembi-Morumbi e foi encarregada da biblioteca do Colégio Santa Maria. Possui textos publicados e ministrou diversas palestras sobre Biblioteca Escolar.?