BIBLIOTECA ESCOLAR - NOVA FASE


  • Discussões, debates e reflexões sobre aspectos gerais e específicos da Biblioteca Escolar. Continuação da coluna anterior, agora apenas com autoria de Marilucia Bernardi

BIBLIOTECA ESCOLAR – REFLEXÃO DE FINAL DE ANO

Chega o final de ano, época em que todos preparam relatórios, balanços, fechamentos, etc e na biblioteca escolar não deve ser diferente. É chegada a hora de fazermos uma parada, refletirmos e analisarmos como foi o ano que se finda.

 

É o momento de rever os paradigmas criados nesse ano, e os que já temos há muito tempo, precisando ser quebrados... Como por exemplo: quantos  “NÃOs” falamos diariamente aos nossos alunos, maiores usuários de nossos serviços? Quantas vezes ao sermos solicitados para algo não comum, respondemos com uma negação e somente depois de pensarmos melhor, verificamos que é totalmente possível atender àquela solicitação?

 

Como em todo ano que se finda, todos fazem suas promessas para o ano novo; possíveis mudanças de comportamento; deixar velhos hábitos; adquirir objetos novos e por ai vai. Assim também deve ser na biblioteca escolar, ou seja, a cada ano que termina, precisamos refletir o que foi feito em termos de crescimento cultural, intelectual e social em todos que frequentaram a biblioteca; verificar o quanto, a mais, nossos usuários aprenderam; repensar se é realmente necessário os NÃO ditos na Biblioteca. E aí fazermos as reflexões para o ano vindouro, que possamos falar mais SIM e conquistar um número maior de adeptos; que paremos para pensar se estamos mesmo preparados para as mudanças necessárias para trabalhar com as novas mídias; pensar em como devemos ser e estar para nos tornamos aprendizes do século 21, assim como o nosso público.

 

Em 2011 tivemos ricas oportunidades, algumas já mencionadas nesse espaço, de falar e vivenciar a biblioteca escolar e a profissão de bibliotecário. Tivemos a grata oportunidade de reencontrar velhos amigos, de conhecer e fazer novas amizades, porém pudemos perceber que ainda, infelizmente, existe a necessidade de uma lapidação maior na relação bibliotecário/professor.

 

Portanto, exortamos a todos os colegas a terem um propósito para o ano que está próximo, se propor a trabalhar juntos e não contra o colega professor. Lembramos que para que a biblioteca escolar tenha sentido e exista, de fato, o trabalho tem que ser em conjunto.

 

Por outro lado, presenciamos experiências fantásticas de profissionais maravilhosos e tivemos contatos com professores interessados e ávidos em trabalhar em prol da biblioteconomia escolar. Foram tantos os eventos, neste segundo semestre, voltados para nossa área, notadamente o II FIBE - Fórum Internacional de Biblioteconomia Escolar, ocorrido, em outubro, na USP, onde a diversidade fez seu ninho, enriquecendo os trabalhos propostos.

 

Pudemos notar que outros países padecem da mesma problemática nossa, mas continuam firmes na busca de possíveis soluções. Percebemos também o quanto muitos colegas estão engajados em melhorar, cada vez mais, as questões referentes a leitura, ensino-aprendizagem e formação do indivíduo, por meio da biblioteca escolar.

 

Aprendemos que jamais devemos definir uma biblioteca escolar como sendo APOIO PEDAGÓGICO e sim como PARTE INTEGRANTE do processo de ensino.

 

Outra novidade que gostaríamos de citar, que foi muito interessante, é sobre a 1ª Feira Escolar do Livro Digital ocorrida no Colégio Santa Cruz, em novembro último. O evento reuniu informações sobre a evolução do livro didático e paradidático e compartilhou ações com instituições de ensino, interessadas e preocupadas com essa evolução editorial.


Lá estavam representantes de escolas, editoras, fornecedores, assim como bibliotecários e profissionais de informática que atuam na educação. Foi um evento interessantíssimo, que nos remete para uma indagação feita no início do texto, sobre nossa preparação para as novas mídias. Um dos principais pontos abordados, numa mesa redonda, foi a importância, a necessidade e o papel, ainda primordial, do professor na sala de aula e a função do bibliotecário, independente do livro ser em formato digital. Portanto, caríssimos, temos que nos preparar para os novos recursos informacionais à disposição no mercado e que as escolas, fatalmente, terão que se apropriar.

 

Estamos vivendo um tempo em que, mais que em qualquer outro, a importância e a necessidade da leitura estão presentes; nunca se publicaram tantas obras sobre leitura, nunca tivemos tantas campanhas, projetos, congressos, seminários voltados para o fomento da leitura. Percebemos que desde 2010 a biblioteca escolar se tornou mais visível aos olhos do poder público; mais notada nas escolas; mais mencionada na mídia falada, escrita e televisiva.

 

De um modo geral, fazendo uma simples retrospectiva, 2011 foi um ano muito bom, com muitos desafios, muitas oportunidades e muita transparência para o quesito biblioteca escolar.

 

E falando em finalizar ano, fechar ciclos e fazer reflexões, recebemos um texto de uma aluna do 5° ano, portanto, terminando o Ensino Fundamental I, que com imenso prazer, transcrevemos aqui, a fim de ilustrar um trabalho iniciado na sala de aula, continuado nas aulas de biblioteca e finalizado em casa.

 

Pesquisar ou não? Eis a questão!

Às vezes há uma certa dúvida para os alunos; “pesquisar ou não? Levar alguma curiosidade para a sala ou não?”. Eles pensam, refletem, e, normalmente, alguns decidem “melhor sim, quem sabe se não ganho alguns pontos a mais que a sala?” Mas vou logo dizendo a esses alunos: não é bem assim, se a professora não deu a pesquisa como lição de casa, você não vai ganhar pontos extras, mas você ganhará algo muito importante para a vida, a sabedoria!

 

Quando o aluno pesquisa, pode informar à professora, aos colegas, aos pais, parentes sobre algo que eles ainda não sabem, e talvez possa até informar ao mundo! Pesquisar é divertido, pois assim você fica sabendo de algo a mais em sua vida.

 

Às vezes pesquiso sobre coisas que aparecem do nada na minha cabeça, como por exemplo, se as baleias fazem cocô. Sabe que descobri no fim, após muita pesquisa no computador, que elas fazem? Pois é, o cocô delas sai em formato de pasta, e boia no mar. E sabe que ele é muito importante para o meio ambiente? Estranho, não?

 

Também já pesquisei sobre a Atlântida, e descobri que quando ela afundou, levou consigo uma poção para a juventude. Com essa pesquisa, por exemplo, além de poder informar a quem você quiser, também pode fazer novas descobertas e lançar teorias em cima delas, enfim, mas isso exige muita pesquisa.

 

Bem, aqui vai um conselho para os que têm preguiça, pensem assim: “se as gerações antes da nossa tinham de pesquisar em livros, ou até mesmo descobrir sozinhas, eu não posso ter preguiça de pesquisar na internet, já que possui muitas informações e está mais disponível que milhares de livros.”

 

Então, pra resumir nosso papo, pesquise, informe-se e descubra coisas magníficas, e não faça isso por pontos, e sim por curiosidade. E caso tenha ficado curioso, aqui vão algumas dicas sobre coisas legais para pesquisar:

 

- Mitologia grega

- A pele das cobras

- Por que os morcegos não enxergam

- Hábitos dos pinguins

- Como os raios são formados e porque brilham

 

Mas não pare por aí, vá fundo na imaginação e nunca desista, não importa o que te falem!”

 

Escrito pela aluna Paula King Alves, 10 anos, do 5° ano B, da profa. Rita Rinaldi Riquelme e apresentado na aula sobre produção de texto.

 

Essa aluna, com certeza está aprendendo que a leitura do mundo precede a leitura da palavra, como Paulo Freire preconizava, e serve de alento para continuarmos o trabalho de disseminação e envolvimento.

 

“A leitura aproxima as pessoas, conclama-as ao diálogo, oferece provisões, palavras e mais palavras, instigações, sentidos novos e cambiantes, promovendo interações. É capaz de levá-las a se sentirem iguais, provocando companheirismo, afeto de irmão. Mas também cria cumplicidade. O que semelha fraternidade pode se revelar amor; o que é leitura de livro pode descambar em leitura de corpos.”  (Luzia de Maria, 2007)


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MARILUCIA BERNARDI

Formada pela PUCCampinas. Atualmente elabora projetos para formação de Biblioteca Particular (Pessoal), oferece apoio a Bibliotecas Escolares e é aluna da Faculdade da Terceira Idade, da UNIVAP, em Campos do Jordão. Ministrou aulas de Literatura e Comunicação, por dois anos, na Faculdade da Terceira Idade. Atuou na Escola Estadual Prof. Theodoro Corrêa Cintra, em Campos do Jordão, pela ONG AMECampos do Jordão. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo; na Metal Leve; chefiou a Biblioteca da Faculdade Anhembi-Morumbi e foi encarregada da biblioteca do Colégio Santa Maria. Possui textos publicados e ministrou diversas palestras sobre Biblioteca Escolar.?