BIBLIOTECA ESCOLAR - NOVA FASE


  • Discussões, debates e reflexões sobre aspectos gerais e específicos da Biblioteca Escolar. Continuação da coluna anterior, agora apenas com autoria de Marilucia Bernardi

O DIA DO BIBLIOTECÁRIO NA BIBLIOTECA ESCOLAR

No mês de Março, mais precisamente no dia 12, comemora-se o DIA DO BIBLIOTECÁRIO. Creio que em quase todo o país são realizadas várias e diferentes atividades para que essa data e até mesmo esse mês não passe despercebido. E assim mesmo ainda podemos encontrar quem não conheça e nunca entrou em uma biblioteca, e muito menos saiba o que é um bibliotecário. 

 

Por esse e por outros vários motivos é que se faz necessário sim alardear essa data e marcar presença na sociedade brasileira. É mister que os bibliotecários se posicionem cada vez mais e mostrem o quanto se pode contribuir para o desenvolvimento cultural de uma nação.

 

Particularmente, como já tive oportunidade de trabalhar em Instituições de Ensino Superior, foi na Biblioteca Escolar que senti o quão importante, grande, necessário e gratificante é o trabalho do profissional bibliotecário. É nas séries iniciais que devemos mostrar-lhes e ensinar-lhes sobre nossa profissão. É na Biblioteca Escolar que o profissional bibliotecário vai precisar desempenhar tudo o que aprendeu na faculdade e ainda mais um pouco, pois a exigência é muito grande.

 

É na Biblioteca Escolar que fica mais propícia a realização de atividades relativas ao livro, à literatura e também ao bibliotecário, tornando assim, não somente o dia do profissional, mas também todo seu serviço mais conhecido da comunidade escolar.

 

Não que em outras esferas de trabalho não sejam necessárias aptidões, eficiência, eficácia, perfis adequados, etc., porém é na Escola de 1° e 2° graus que vamos trabalhar diretamente na formação do indivíduo, daí serem maiores o desafio e a responsabilidade. Mas, com certeza, se o trabalho for feito com dedicação, seriedade, amor e muita abnegação, o retorno, embora em menor escala do que esperado e num tempo um pouco maior também do que desejado, será bastante significativo.

 

Durante minha jornada pude observar que muitos profissionais bibliotecários preferem se esconder, ou seja, optam por não participar de nada, nenhum evento, atividade, curso, etc. e ficam circunscritos apenas em sua área de trabalho. Nada contra, a não ser a falta de visão do todo que esses colegas perdem, muitos até adotam a postura de somente reclamar e outros ficam até na tentativa, porém ai surgem tantas “desculpas” que acabam não fazendo nada mesmo.

 

O certo é que cabe a muitos de nós bibliotecários a fábula da galinha e da pata, que considero bastante apropriada para a ocasião. Essa fábula é muito interessante por se tratar de uma questão de propaganda e marketing e nos faz refletir sobre uma realidade. Algo que, com frequência, acontece na vida das pessoas, principalmente em se tratando de vida profissional, onde todos buscam melhores condições e posições.

 

É a história da pata que põe ovos enormes, porém se coloca numa posição de anonimato, ou seja, fica quieta e espera que os outros percebam seu enorme ovo. Assim fica bastante difícil saber o que ela está fazendo ou fez. Já a galinha, que tem a tradição de por pequenos ovos, faz um estardalhaço gigante, pula e esperneia para que todos tomem conhecimento de seu feito. Podemos perceber que ambas têm suas qualidades, mas a que melhor se comunicou foi a que mais vendeu seu trabalho. Tanto que hoje a maior parte das pessoas só conhece o ovo da galinha.

 

Como podemos ver essa historinha nos leva a uma reflexão sobre como devemos ser para alcançar o que queremos, não somente na área profissional e sim em toda a nossa vida. Não precisamos ser tal qual a pata e nem totalmente como a galinha, mas aprendermos com cada uma delas e fazer as coisas com qualidade e ter boa comunicação.

 

O trabalho do bibliotecário, apesar de ser de formigas, precisa ser propagado e “marketeado” para que cada vez mais, mais pessoas o conheçam e saibam de sua importância.

 

Portanto, creio ser já na Biblioteca Escolar que o bibliotecário deva iniciar esse trabalho de propaganda do que faz, de como faz e para que servirá. Sempre lembrando que para isso ele precisa ter bagagem e muitos conhecimentos e, acima de tudo, aparecer e comparecer.

 

Gostaria de finalizar minha participação nesse mês de uma forma diferente a qual me deixou bastante contente quando descobri como poderia fazê-lo, mas antes darei uma pequena introdução: sempre que ocorre mudanças, é necessário também uma certa arrumação, diria até uma reengenharia em nossas coisas e nessa ocasião, encontrei em meus alfarrábios, meu discurso de formatura, pois fui escolhida para ser a oradora de minha turma de 19.. (deixarei para o final do discurso). Ao reler, percebi o quanto ele está atual e verdadeiro.

 

A princípio eu queria fazer um cole e copie, porém como foi feito há anos, as folhas já estão bastante amareladas e não consegui mexer no texto para que ficasse enquadrado corretamente,  então precisei transcrevê-lo e a emoção foi ainda maior.

 

Compartilho com vocês o que eu pensava e com o aval da então diretora MARIA ANTONIA PINKE RIBAS BELFORT DE MATTOS, o pronunciei na minha formatura. Quero dizer também que penso igualzinho até hoje e me dediquei tanto quanto escrevi na época. E com ele gostaria de prestar minha homenagem a todos meus colegas bibliotecários que continuam lutando bravamente para o engrandecimento da profissão e da educação como um todo e também para aqueles que se encontram ainda um pouco adormecidos e sem muitas esperanças.

 

Queridas colegas,

Mais uma etapa se finda, após uma longa e árdua jornada, que para muitas foi cheia de felicidades, para outras de dissabores. Uma caminhada de muitas surpresas boas, mas de muitas desilusões também.

 

Foram três anos alegres, embora com muitas preocupações, durante os quais muitas se tornaram grandes amigas e confidentes.

 

Nossa turma era diferente em tudo, como os professores a definiam, mas tenho certeza que dali sairam ótimas profissionais cônscias de seus deveres.

 

A classe era heterogênea, pois estávamos reunidas sob diferentes credos, raças, estilos de vida, temperamentos, etc., mas com um único objetivo, o de tentar ser alguém, tentar alcançar um ideal ou ainda mesmo uma autoafirmação.

 

Muitas não irão exercer a profissão, por um ou outro motivo, mas jamais se esquecerão desses anos na Faculdade, tão difíceis e ao mesmo tempo tão marcantes.

 

Em todas as férias que chegavam, havia um prenúncio de surpresa. Ficávamos esperando ansiosas para ver quem voltava diferente e em quê. Era uma festa. Sofríamos com a dor alheia, muitas vezes tentamos nos ajudar mutuamente e nos alegrávamos com a sorte de outras.

 

Tenho certeza também, que a experiência foi válida para todas nós, indistintamente, quanto ao ideal de profissão ou meta a seguir.

 

Muitas vezes ouvimos dizer que a nossa profissão é ingrata e difícil, mas qual não é? E também que as amigas, durante os anos de estudos, se tornam lutadoras ferrenhas na procura de um lugar para se estabelecer profissionalmente. Porém, eu creio, tenho esperança e muita fé, que isso não acontecerá conosco e que seremos as pioneiras nesse ramo, pois se nos conscientizarmos daquilo que sabemos e podemos, tudo poderá ser alcançado, cada um por si.

 

Aprendemos que a função do bibliotecário é importantíssima, tal qual a do educador. Somos o instrumento entre o saber e o aprendiz. De nós é exigido muito mais conhecimento, muito mais dedicação e amor ao próximo.

 

Para muitos, somos o espelho da cultura moderna, do conjunto de conhecimento do saber humano.

 

Cabe a nós que estamos nos iniciando na profissão, despertar e alertar os que ainda não conhecem ou ainda não descobriram o que seja Biblioteca, bibliotecário, suas qualidades e suas funções.

 

Assim como os doze discípulos foram testemunhas vivas da existência de Cristo, nós devemos ser as testemunhas da nossa profissão, mostrando e provando que ela existe e o quanto é importante.

 

Aprendemos muito, particularmente com os nossos professores, cada um com sua peculiaridade, sua característica. Identificamo-nos com alguns e prometemos jamais ser como outros. Foram nossos exemplos.

 

Este ano foi muito tumultuado para o mundo inteiro, muitas coisas aconteceram, muitas estruturas foram abaladas. Nós também fomos atingidas, mas com esforço mútuo, umas tentando levantar as outras e com a ajuda de Deus, conseguimos chegar ao fim.

 

Hoje é o dia D. Triste porque nos separaremos, nossas vidas terão rumos diferentes, nossos caminhos talvez não se cruzem mais. E alegre porque conseguimos finalizar o tão sonhado e sacrificado curso superior.

 

Os agradecimentos por esse feito são infinitos. A Deus pela vida que temos, pela saúde e perseverança para continuar e pela oportunidade obtida; aos nossos pais que nos orientaram, nos acalentaram e nos deram um voto de louvor e confiança. Um agradecimento sincero, principalmente, daquelas que deixavam seus pais a dias de viagem para virem à faculdade e que não viam a hora que chegassem as férias ou alguns feriados para poder revê-los, abraça-los e sentir o quanto são importantes e queridos. Aos nossos mestres, que com pouca ou muita paciência e determinação, nos legaram seus conhecimentos, dando-nos bons conselhos, preparando-nos para a vida profissional. Alguns eram imprevisíveis, mas, talvez sem saber, nos ensinaram que devemos ficar atentos a tudo e a todos, sempre pensar antes de fazer ou dizer alguma coisa.

 

Aos nossos noivos, namorados e amigos, que tantas vezes deixamos de lado, preferindo o estudo e mesmo assim, nunca nos abandonaram. Diversas vezes, escutaram as nossas lamentações de cansaço, frustração e falta de tempo, nos orientando, nos dando apoio e nos fortalecendo com suas palavras de carinho, atenção e com seus exemplos.

 

Um agradecimento especial a nós mesmas pelo esforço e força de vontade.

 

Desejo que aquelas que irão se enfronhar na profissão, o façam conscientes de seu trabalho, procurando honrá-lo e dignificá-lo com sabedoria. Para as outras, mais um voto de confiança na procura de seu verdadeiro ideal.

 

“Não talvez dentro de uma geração, mas, em futuro não distante, se todas as agências para a compreensão entre os povos se coordenarem, a humanidade achará a senda da paz e da boa vontade. Ela, no entanto, deverá traçar um sistema de vida tão satisfatório, que jamais deseje dele se afastar. Deve sentir-se forte contra as opiniões formadas, tradições de herança e cegueira mental que destroem a paz. Creio que o caminho se achará, quando a humanidade não tiver medo de pensar.”

 

Felicidade a todos

 

Jundiaí, 20 de dezembro de 1977


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MARILUCIA BERNARDI

Formada pela PUCCampinas. Atualmente elabora projetos para formação de Biblioteca Particular (Pessoal), oferece apoio a Bibliotecas Escolares e é aluna da Faculdade da Terceira Idade, da UNIVAP, em Campos do Jordão. Ministrou aulas de Literatura e Comunicação, por dois anos, na Faculdade da Terceira Idade. Atuou na Escola Estadual Prof. Theodoro Corrêa Cintra, em Campos do Jordão, pela ONG AMECampos do Jordão. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo; na Metal Leve; chefiou a Biblioteca da Faculdade Anhembi-Morumbi e foi encarregada da biblioteca do Colégio Santa Maria. Possui textos publicados e ministrou diversas palestras sobre Biblioteca Escolar.?