BIBLIOCONTOS


A FATURA DA INFORMAÇÃO

Eventos sociais são sempre indicados para a construção das redes de contatos. Algumas pessoas dizem que são espaços interessantes para se estabelecer negócios ou mesmo finalizá-los. Também podem ser momentos para descontração ou, contrario, para se colher futuras dores de cabeça. Independente das suposições levantadas, o que importa na vida é estar preparado para todos os tipos de surpresas, até mesmo as que podem acontecer em um evento qualquer, decorrente de uma conversa supostamente desinteressada e casual.

 

Tudo isto posto apenas para citar um caso ocorrido com um colega de profissão, muito competente, atuante no ramo da consultoria em informação e, portanto, sempre envolvido na participação de eventos e encontros sociais e profissionais.

 

Disse-me ele que certa vez conversava descontraidamente com um advogado (conhecido, mas não íntimo em termos de amizade), em um evento quando dele se aproximou um outro participante que o indaga:

 

-- Desculpe-me pela intromissão na conversa, mas me disseram que você é bibliotecário, e estou precisando de umas orientações.

 

-- Pois não! Se não for muito complexo, em que poderei ajudá-lo? – Respondeu o bibliotecário.

 

-- Se é complexo não sei, mas estou precisando localizar uma dissertação para minha pesquisa, bem como organizar minhas referências segundo normas bibliográficas da APA e, em ambas, não sei como proceder. Neste caso você poderia dar-me alguma orientação?

 

O bibliotecário, apesar do local e do momento, foi solicito e orientou o consulente sobre algumas fontes que poderiam ser consultadas para localizar a dissertação, repassou algumas direções eletrônicas destinadas a este fim. Da mesma forma, também repassou orientações sobre a normalização bibliográfica e materiais que poderiam auxiliar para a finalidade pretendida.

 

A pessoa se afasta e o bibliotecário comenta com o advogado que a tudo ouvira:

 

-- Sabe que há momentos que causam irritação, quando aparecem pessoas fora de lugar e hora para realizarem consulta. Você não acha que nesta situação eu deveria cobrar pela consulta?

 

O advogado sem pestanejar responde de pronto:

 

-- Claro!

 

A conversa segue e ao final, se despedem com a troca dos respectivos cartões de apresentação, como recomendam as boas práticas profissionais. No dia seguinte, quando este amigo bibliotecário chega ao seu escritório se depara com uma correspondência e ao abrir verifica uma fatura do advogado cobrando os honorários da consulta.

 

Para o bibliotecário vale o livre acesso a informação. Para o advogado a informação tem valor agregado. Assim, existem profissionais que desconhecem as outras formas de aquisição da informação: doação e permuta. Em uma festa cuidado com as perguntas, as respostas podem agregar valores inesperados.

Autor: Fernando Modesto

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FERNANDO MODESTO

Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.