BIBLIOCANTOS


PEQUENO BURGUÊS/ESTUDANTE DE BIBLIO PRA QUÊ

Bibliocanto: O Pequeno Burguês

O Pequeno Burguês

 

Martinho da Vila

 

Felicidade, passei no vestibular

mas a faculdade é particular

particular, ela é particular

particular, ela é particular

 

Livros tão caros tanta taxa pra pagar

meu dinheiro muito raro,

alguém teve que emprestar

o meu dinheiro, alguém teve que emprestar

o meu dinheiro, alguém teve que emprestar

Morei no subúrbio, andei de trem atrasado

do trabalho ia pra aula, sem jantar e bem cansado

mas lá em casa à meia-noite tinha

sempre a me esperar

 

Um punhado de problemas e criança pra criar

para criar, só criança pra criar

para criar, só criança pra criar

Mas felizmente eu consegui me formar

mas da minha formatura, não cheguei participar

faltou dinheiro pra beca e também pro meu anel

 

nem o diretor careca entregou o meu papel

o meu papel, meu canudo de papel

o meu papel, meu canudo de papel

E depois de tantos anos,


só decepções, desenganos

dizem que sou um burguês muito privilegiado

mas burgueses são vocês

eu não passo de um pobre coitado

 

e quem quiser ser como eu,

vai ter é que penar um bocado

um bom bocado, vai penar um bom bocado,

um bom bocado, vai penar um bom bocado

Estudante de Biblio pra que

 

(Versão) Fernando Modesto

 

Felicidade, passei no vestibular

Mas o curso de biblio é particular

Particular, curso é particular

Particular, a biblio é particular

 

Livros tão caros tanta taxa pra pagar

meu dinheiro é contado,

agiota tive que emprestar

o meu dinheiro, de agiota tive que emprestar

o meu dinheiro, de agiota tive que emprestar

Morei em pensão, andei de busão lotado

do estágio ia pra aula, sem jantar e bem cansado

Mas lá no quarto à meia-noite tinha

sempre a me esperar

 

Um punhado de leituras e roupa suja pra lavar

Para lavar, só roupa pra lavar

Para decorar, só regras pra decorar

Mas felizmente eu consegui me formar

Mas da minha formatura, quase naõ chego a participar

Faltou dinheiro pra festa e também pro meu anel

 

nem o diretor careca quis dar o meu papel

o meu papel, meu canudo de papel

o meu papel, meu canudo de bacharel

E depois de 4 anos,

 

Mais desconforto e desenganos

O poder publico me acha custo desnecessário

Para quê um burguês profissional

Se a população é de pobre coitado

 

E quem quer informação não precisa de intermediário

O google é de graça, o google é mais facilitado

Biblio pra quê,  em um país maravilha e iletrado
Biblio pra quê,  em um país maravilha e iletrado

 

 

 

Autor: Fernando Modesto

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FERNANDO MODESTO

Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.