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AS MELHORES POESIAS DE VINICIUS DE MORAES PARA CRIANÇAS

Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, o poeta e compositor Vinicius de Moraes dedicou-se à poesia e à música popular brasileira, fazendo parcerias musicais com importantes nomes da MPB, como Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hime, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre suas músicas destacam-se: “Garota de Ipanema”, “Gente Humilde”, “Aquarela”, “A Casa”, “Arrastão”, “A Rosa de Hiroshima”, “Berimbau”, “A Tonga da Mironga do Kaburetê”, “Canto de Ossanha”, “Insensatez”, “Eu Sei Que Vou Te Amar” e “Chega de Saudade”.

Vinicius de Moraes para crianças

Um outro lado muito lembrado de Vinicius, é sua publicação voltada para o público infantil, com o famoso livro, que depois se tornou também um disco: a Arca de Noé! Escritos para seus filhos, Suzana e Pedro de Moraes, muito antes da sua publicação, os poemas ficaram guardados por anos. Somente em 1970, o conjunto de poemas ganhou o mundo, tornando-se um dos livros mais populares de Vinicius de Moraes, que a partir daí, estabeleceu um laço com as crianças. Todas as gerações têm nesses poemas uma porta de entrada para o mundo da literatura e da música popular brasileira!

As melhores poesias de Vinicius de Moraes para crianças

Para que papais e mamães relembrem e os pequenos conheçam os clássicos da Arca de Noé, nós reunimos aqui as melhores poesias de Vinicius de Moraes para crianças! Confira:
 

1. O Relógio

Passa, tempo, tic-tac

Tic-tac, passa, hora

Chega logo, tic-tac

Tic-tac, e vai-te embora

Passa, tempo

Bem depressa

Não atrasa

Não demora

Que já estou

Muito cansado

Já perdi

Toda a alegria

De fazer

Meu tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Tic-tac

Tic-tac

Tic-tac…
 

2. A Casa

Era uma casa

Muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

Ninguém podia

Entrar nela não

Porque na casa

Não tinha chão

Ninguém podia

Dormir na rede

Porque a casa

Não tinha parede

Ninguém podia

Fazer pipi

Porque penico

Não tinha ali

Mas era feita

Com muito esmero

Na Rua dos Bobos

Número Zero.
 

3. O Leão

Leão! Leão! Leão!

Rugindo como o trovão

Deu um pulo, e era uma vez

Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação

 

Tua goela é uma fornalha

Teu salto, uma labareda

Tua garra, uma navalha

Cortando a presa na queda.

 

Leão longe, leão perto

Nas areias do deserto.

Leão alto, sobranceiro

Junto do despenhadeiro.

Leão na caça diurna

Saindo a correr da furna.

Leão! Leão! Leão!

Foi Deus que te fez ou não?

 

O salto do tigre é rápido

Como o raio; mas não há

Tigre no mundo que escape

Do salto que o Leão dá.

Não conheço quem defronte

O feroz rinoceronte.

Pois bem, se ele vê o Leão

Foge como um furacão.

 

Leão se esgueirando, à espera

Da passagem de outra fera…

Vem o tigre; como um dardo

Cai-lhe em cima o leopardo

E enquanto brigam, tranquilo

O leão fica olhando aquilo.

Quando se cansam, o leão

Mata um com cada mão.

 

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação!
 

4. O Pato

Lá vem o pato

Pata aqui, pata acolá

Lá vem o pato

Para ver o que é que há.

O pato pateta

Pintou o caneco

Surrou a galinha

Bateu no marreco

Pulou do poleiro

No pé do cavalo

Levou um coice

Criou um galo

Comeu um pedaço

De jenipapo

Ficou engasgado

Com dor no papo

Caiu no poço

Quebrou a tigela

Tantas fez o moço

Que foi pra panela.
 

5. O Gato

Com um lindo salto

Lesto e seguro

O gato passa

Do chão ao muro

Logo mudando

De opinião

Passa de novo

Do muro ao chão

E pega corre

Bem de mansinho

Atrás de um pobre

De um passarinho

Súbito, para

Como assombrado

Depois dispara

Pula de lado

E quando tudo

Se lhe fatiga

Toma o seu banho

Passando a língua

Pela barriga.
 

6. As Borboletas

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas.

Borboletas brancas

São alegres e francas.

Borboletas azuis

Gostam muito de luz.

As amarelinhas

São tão bonitinhas!

E as pretas, então…

Oh, que escuridão!
 

7. As Abelhas

A abelha-mestra

E as abelhinhas

Estão todas prontinhas

Para ir para a festa

Num zune que zune

Lá vão pro jardim

Brincar com a cravina

Valsar com o jasmim

Da rosa pro cravo

Do cravo pra rosa

Da rosa pro favo

E de volta pra rosa

Venham ver como dão mel

As abelhas do céu

Venham ver como dão mel

As abelhas do céu

 

A abelha-rainha

Está sempre cansada

Engorda a pancinha

E não faz mais nada

Num zune que zune

Lá vão pro jardim

Brincar com a cravina

Valsar com o jasmim

Da rosa pro cravo

Do cravo pra rosa

Da rosa pro favo

E de volta pra rosa

 

Venham ver como dão mel

As abelhas do céu

Venham ver como dão mel

As abelhas do céu.

Autor: Ana Clara Oliveira
Fonte: Clique Aqui

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Seção Mantida por OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.