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ÍNDICE DE ANALFABETOS CAI DE 12% PARA 7%. MAS ALFABETIZADOS PLENOS AINDA RESPONDEM POR APENAS 25% DA POPULAÇÃO
[14/01/2010]

Renata Mariz

Indicador de Alfabetismo Nacional mostra melhora nos índices que classificam analfabetos totais e alfabetizados iniciantes, mas revela um dado preocupante: estagnação entre aqueles que são capazes de leituras e interpretações minimamente avançadas.

 

De cada 10 brasileiros entre 15 e 64 anos, não chegam a três aqueles que são capazes de ler textos longos, diferenciar fato de opinião, resolver um problema matemático envolvendo percentuais ou interpretar uma tabela. A habilidade em tais tarefas, teoricamente ao alcance de quem cursou ao menos a 8ª série, classifica esse contingente da população como alfabetizado pleno. O restante — 75% das pessoas na faixa etária estipulada — está entre analfabetos totais (7%), alfabetizados rudimentares (21%) e alfabetizados básicos (47%). Nessas três categorias, em que a capacidade de fazer contas ou interpretar um texto mais elaborado é muito limitada, houve melhoras significativas nos últimos oito anos. Entre os alfabetizados em nível pleno, porém, o percentual da população segue estável.

Os dados foram obtidos a partir do Indicador de Alfabetismo Nacional (Inaf), criado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa para mensurar os níveis de alfabetização da população adulta brasileira. Desde 2001, quando a primeira edição do levantamento foi realizado, até este ano, o maior avanço se deu no índice de pessoas alfabetizadas na classificação básica — subiu de 34% para 47%. Em curva decrescente, a quantidade de analfabetos diminuiu de 12% para 7%, e dos alfabetizados rudimentares, de 27% para 21%. O dado negativo, de acordo com Vera Masagão, coordenadora da Ação Educativa, está na variação da proporção de alfabetizados plenos, que caiu de 26% para 25%. “Praticamente não houve mudanças. E isso é preocupante, pois dentro dessa classificação estão habilidades que todas as pessoas com 15 anos deveriam ter”, destaca a especialista.

Para Vera, que reconhece a melhoria nos outros índices (analfabetos, alfabetizados rudimentares e básicos), a dificuldade de elevar o brasileiro à condição de alfabetizado pleno está em dois gargalos. “Temos um percentual grande de pessoas que não terminaram a 8ª série e, portanto, nem tiveram acesso a tais conteúdos. E há um outro contingente que frequentou a sala de aula mas não adquiriu as habilidades. Pode ter sido por conta de uma escola ruim. Aí são múltiplos fatores”, destaca.

 

Maria Creuza Evangelista de Aquino, com 10 anos de experiência na alfabetização de crianças e adultos, aponta a evasão como um dos principais problemas nas salas de aula destinadas a estudantes mais velhos. “Eles chegam cansados, tem a dona de casa que precisa olhar os filhos, muitas mães solteiras. É uma tarefa árdua, mesmo para os que têm vontade”, afirma Creuza, que trabalha atualmente no Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá (Cedep), uma entidade sem fins lucrativos, hoje com cerca de 60 adultos estudando.

 

Internacionalmente, as medidas de alfabetização tomam por base os anos de estudo da população, considerando analfabetos funcionais aqueles que não completaram a 4ª série do ensino fundamental. Supostamente, depois dessa etapa, o aluno se torna um alfabetizado. Da mesma forma, concluindo a 8ª série (ou 9º ano na nova nomenclatura), ele estaria com habilidades plenas para uma inserção no mundo letrado. No Brasil, porém, não é bem assim. De acordo com o Inaf, 54% dos brasileiros de 15 a 64 anos que fizeram até a 4ª série atingem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo.

 

Renovação do ensino em pauta

Motivo para comemorar e também para se preocupar. Com essa explicação aparentemente contraditória, André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, disse como recebeu os dados do Indicador de Alfabetismo Nacional (Inaf), divulgados ontem pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa. Ele esclareceu considerar um avanço enorme a queda de quatro pontos percentuais, de 2004 para 2009, na proporção de analfabetos absolutos (11% para 7%), assim como no aumento de nove pontos, no mesmo período, dos alfabetizados no grau básico. Quanto à estabilidade dos alfabetizados plenos, Lázaro reconheceu que é necessário melhorar.

“Precisamos ampliar as políticas que visam o acesso à educação técnico-profissional, superior e, sobretudo, renovar o ensino médio. Todas essas questões já começaram a ser enfrentadas no MEC. Prova é a melhoria dos outros índices. De forma geral, fiquei muito contente com os dados do indicador. As informações nos trazem grande preocupação em alguns aspectos, mas mostram que estamos no caminho certo”, destaca o secretário.



(Divulgado por José Ricardo da Nóbrega – Enviado para “PBF” em 03/12/2009)


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