GERAL


BIBLIOTECA, PARA QUE TE QUERO

  • Autor não informado
  • Novembro/2011

Natália Soares

 

RIO - Já parou para observar a biblioteca da sua escola? Mesas, cadeiras, estantes, prateleiras e, claro, livros são os principais itens para ela funcionar bem. Mas não é só isso: é preciso também que ela tenha um acervo atualizado, edições em quantidade o suficiente para suprir a demanda dos alunos, profissionais especializados para atender, além de um espaço para pesquisar e estudar com sossego. Ela oferece todas essas condições? Os livros mais pedidos pelos estudantes

 

Se a sua resposta é não, infelizmente a biblioteca do seu colégio se enquadra na realidade da maioria das escolas do país, sejam elas públicas ou privadas. De acordo com a presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), Nêmora Arlindo, o Brasil ainda precisa caminhar muito para chegar a um patamar semelhante ao de países desenvolvidos.

 

- Verificamos muitas vezes, em fiscalizações, que a biblioteca é apenas o lugar onde são armazenados os livros, sem o menor cuidado. E ela não se resume apenas ao espaço físico, mas também aos serviços que são oferecidos - explica.

 

Opine: O que falta na biblioteca da sua escola ou universidade?

 

Em uma biblioteca ideal, diz a presidente do CFB, os alunos têm atividades de leitura, e tudo o que se passa ali tem relação com o projeto pedagógico da escola. Tem que ter uma boa iluminação, salas de reunião para trabalhos em grupo e também de estudo reservado. E funcionários preparados para ajudar os estudantes a encontrar aquilo de que precisam.

 

A Megazine visitou as bibliotecas dos colégios São Bento, CAp UFRJ, CAp Uerj e o estadual Júlia Kubitschek, de formação de professores. Com um acervo de cerca de 22 mil volumes e 140 periódicos jornais e revistas brasileiras e estrangeiras, o São Bento, que obteve o primeiro lugar no ranking das escolas a partir dos resultados do Enem, oferece uma biblioteca espaçosa e com acervo variado. A queixa frequente dos alunos, de acordo com a bibliotecária Isabel Maria Ferrão Sampaio, é a falta dos livros da série "Crepúsculo", de Stephenie Meyer.

 

- As nossas aquisições são guiadas pelo projeto pedagógico. Como o São Bento é uma escola católica, ainda estamos avaliando a pertinência do livro - explica ela.

 

As estudantes do Júlia Kubitschek também estão ansiosas pela série, mas agora estão em fase de comemoração pela recente reestruturação da biblioteca, que há pouco mais de quatro meses voltou a funcionar diariamente. Antes disso, ela só abria em dois dias na semana, quando a professora responsável, além de dar aulas, tinha tempo disponível.

 

- A gente precisava ter um espaço maior para os livros e para as pessoas, além de títulos mais atualizados. Ainda há muita coisa velha por aqui, mas já melhorou bastante - comentou a estudante do 2 ano Bianca de Lima, de 16 anos.

 

As instalações também são as maiores preocupações dos alunos dos colégios de aplicação da UFRJ e da Uerj. No federal, a avaliação que os estudantes fazem é de que a biblioteca é boa, mas precisa se expandir.

 

- A biblioteca sofre com os problemas de infraestrutura do colégio. Precisamos de um prédio inteiro para atender as necessidades de alunos e professores - acredita o representante do grêmio Vicente Saraiva, de 17 anos.

 

No estadual, a vice-presidente do grêmio estudantil, Luiza Carrera, de 17 anos, reclama que a falta de espaço desestimula a visita dos alunos:

 

- Não cabe todo mundo que precisa, e isso faz com que os alunos não sintam vontade de ir lá buscar livros.

 

Funcionária da biblioteca, Luciane Paes diz que muitas vezes é preciso trancar o espaço por causa da lotação, mas que há planos de aumentar o lugar.

 

De acordo com Marcelo Soares, diretor de políticas de formação, materiais didáticos e de tecnologias para educação básica do MEC, 65% das escolas de ensino médio dispõem de bibliotecas. A qualidade delas, porém, só vai ser averiguada agora, em uma pesquisa de campo que será concluída ano que vem.

 

- A meta é fazer um mapeamento da situação das bibliotecas escolares nos diferentes estados. Com esse estudo, o ministério poderá elaborar políticas e investimentos mais eficazes.

 

Nêmora Arlindo, do CFB, lembra que exigir uma boa biblioteca é um direito do estudante.

 

- O aluno pode reclamar com a direção da escola, com as pessoas responsáveis e também pode procurar o conselho regional de biblioteconomia do seu estado - recomenda.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/biblioteca-para-que-te-quero-3191987#ixzz1dnKwZSt9

Fonte: Clique Aqui
Divulgado por Alieaf - Enviado para "Bibliotecarios" em 14/11/2011

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.