GERAL


DESEMPREGADOS USAM BIBLIOTECAS PARA PROCURAR EMPREGO EM NY

  • Autor não informado
  • Abril/2009

Joshua Brustein

 

A busca de emprego de Anthony Morris esbarrou em um obstáculo este mês, quando a Biblioteca Pública Distrital de Queens o notificou que ele não poderia obter um novo cartão da biblioteca até que saldasse multas no valor de US$ 80.

 

Morris, 31 anos, está desempregado há oito meses e não tinha o dinheiro. Mas ele tinha retirado diversos livros da biblioteca, a fim de se preparar para um exame que faria como parte do processo seletivo para um emprego na geradora de energia Con Ed, e também precisava ir à biblioteca para procurar empregos na internet. Por isso, perguntou se não havia como saldar a dívida trabalhando.

 

Depois de 22 horas separando livros na seção de referência na filial da biblioteca no bairro de Jamaica, ele recebeu seu cartão de biblioteca - e foi convidado a se candidatar a um emprego de tempo parcial na instituição.

 

"É salário mínimo, mas melhor que zero", disse Morris, que vive perto da biblioteca e antes trabalhava em uma empresa química que produz corantes para couro. Ele ainda não foi informado se está ou não contratado.

 

Embora resultados diretos como esse sejam certamente raros, as bibliotecas públicas da região de Nova York cada vez mais servem como centrais de emprego improvisadas. Na filial da Biblioteca Pública de Nova York que fica na rua 58, em Manhattan, profissionais desempregados lotam os computadores, à tarde, horário que anteriormente era dominado por freqüentadores idosos, e os livros sobre como preparar um bom currículo mal param nas estantes.

 

A Biblioteca da Ciência, Indústria e Negócios, na rua 34, em Manhattan, atraiu 700 pessoas para um evento de preparação profissional em janeiro, e a Biblioteca Central do Bronx recentemente dobrou o número de aulas de computação que oferece aos idosos, porque as pessoas que procuram reentrar na força de trabalho estavam superlotando todas as palestras regulares.

 

"Nós estamos há décadas envolvidos com buscas de emprego", disse Paul LeClerc, presidente da Biblioteca Pública de Nova York, lembrando que o presidente Barack Obama havia afirmado que um bibliotecário o havia ajudado a encontrar seu primeiro emprego como organizador comunitário. "Estamos mantendo uma tradição".

 

O novo papel das bibliotecas surge em meio a uma alta vigorosa na demanda pelos bens e serviços gratuitos oferecidos pelas bibliotecas, algo que acontece sempre que a economia se desacelera. No quarto trimestre de 2008, a circulação cresceu em 16%, se comparada ao ano anterior, na Biblioteca Pública de Nova York, que atende Manhattan, o Bronx e Staten Island. Na Biblioteca Pública de Brooklyn, a alta foi de 9%, e na de Queens atingiu os 2%. Todos os três sistemas também reportam aumento significativo no número de visitantes.

 

Mas as bibliotecas estão enfrentando fortes cortes de verba, de acordo com a proposta orçamentária do prefeito para o ano que vem, e também passam por outras dificuldades econômicas. Em Brooklyn, elas começaram a fechar aos domingos, e pode ser que seu horário seja reduzido nos demais dias. Este mês, uma companhia hoteleira cancelou seus planos de adquirir a Donnell Library, uma biblioteca de cinco andares na rua 53, cuja venda ajudaria a pagar pela reforma de US$ 250 milhões que está em curso na sede da Biblioteca de Nova York, na Quinta Avenida.

 

Na Biblioteca Central do Bronx, perto da Universidade Fordham, Janice Moore-Smith, conselheira de educação e carreiras, ao longo dos anos costumava orientar cerca de meia dúzia de usuários por dia sobre como preparar currículos. Nos últimos meses, o total cresceu para 10. E Moore-Smith diz que vem marcando mais sessões conjuntas para casais, nas quais oferece apoio emocional, além das dicas de emprego. "Estou fazendo terapia de casais", diz.

 

O serviço mais procurado, de acordo com os bibliotecários, é o acesso gratuito a computadores. Na Biblioteca Adolescente de Queens, em Far Rockaway, mais e mais adolescentes aparecem para usar computadores, alegando que seus pais cancelaram os provedores que tinham em casa. E porque sites em larga medida substituíram os jornais como veículo para contratação de funcionários, as pessoas que perdem o acesso encontram mais dificuldade para procurar emprego online.

 

Kerwin Pilgrim, gerente de divisão do centro de informações sobre empregos e educação da Biblioteca Pública de Brooklyn, disse que começou a treinar 15 funcionários para que oferecessem assistência individual aos interessados em procurar emprego já na metade do ano passado, antecipando que a demanda cresceria com a piora da economia.

 

Até recentemente, diz Pilgrim, a maioria das pessoas que recorriam às bibliotecas em sua busca de empregos eram iniciantes. Agora, a proporção de profissionais cresceu muito.

 

"Quando os bancos começaram a quebrar, recebemos muita gente que esteve empregada por longos períodos, e por isso não atualizou currículos ou aprendeu como fazer uma boa entrevista de emprego", ele disse. "As pessoas se sentiam confortáveis com seus cargos, e basicamente nunca atualizavam seus currículos".

 

Tradução: Paulo Migliaci ME

 

The New York Times

Fonte: Clique Aqui
Divulgado por Bete Perez – Enviado para “bibamigos” em 28/03/2009

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.