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LIVROS RETIRADOS DO LIXO VIRAM BIBLIOTECAS EM ARARAQUARA (SP)

  • Autor não informado
  • Março/2014

Machado de Assis, Paulo Coelho, Jorge Amado, José de Alencar, Ziraldo, Fernando Pessoa, Stephenie Meyer e muitos outros autores tiveram suas obras literalmente jogadas no lixo em Araraquara. Duas pequenas bibliotecas abrigam os livros encontrados com o material reciclável, recolhido na coleta seletiva. São mais de mil títulos.

 

Quem começou a colecionar os livros foi o motorista Júlio Antônio Raphaeta, de 54 anos. Ele é funcionário do Daae (Departamento Autônomo de Água e Esgoto) e trabalha com a coleta seletiva. Por conta da profissão, sempre via obras em bom estado no lixo.

 

“No começo, eu pagava o que me chamava atenção, o que eu gostava de ler. Sempre fui viciado em leitura e acabei pegando vários”, recorda.

 

Com o tempo, Júlio percebeu que precisava repassar aqueles livros para frente, compartilhar com outros. “Foi quando eu comecei a trazer os livros para o Daae. O pessoal pegava, lia e devolvia. Desse jeito, bastante gente aproveitava a mesma obra. Era o começo da nossa biblioteca”, conta. Hoje, o projeto cresceu tanto que foi preciso até contratar uma bibliotecária.

 

De romance a bíblia

 

Qualquer funcionário do Daae e da Cooperativa Acácia, que recolhe o lixo reciclável em Araraquara, pode retirar livros na biblioteca. Todos são catalogados e precisam ser devolvidos. A lista das obras disponíveis para empréstimo fica na internet, em um site ao qual os funcionários têm acesso, e também anexada em um quadro na área de convivência da empresa.

 

As obras são dos mais variados estilos. Tem livro infantil, romance, Bíblia, gibi, clássicos da literatura e até mais recentes, como o “Crepúsculo”. Tem livros espíritas, de autoajuda e até os que geralmente são pedidos pelos professores para leitura em sala de aula, como “O pequeno príncipe”.

 

Aprendeu a gostar

 

O operador de tratamento do Daae Geraldo Reinaldo de Souza, 42, nunca gostou muito de ler. Quando descobriu que tinha uma biblioteca no local de trabalho, resolveu pegar um. “Escolhi um muito grande e, claro, que não consegui ler. Parei nas primeiras páginas porque não tive ânimo de continuar”, recorda.

 

Durante um evento na empresa, ele ouviu um palestrante dizer que para começar a gostar de ler basta que seja uma linha por dia. “Ele falou que era só isso, ler uma linha por dia e a gente ia pegar gosto pela leitura. Ele estava certo. Fui à biblioteca de novo e peguei um livro da Coleção Vagalume, que é mais fácil de ler”, diz.

 

Geraldo leu quase a Coleção Vagalume completa e depois parou de se preocupar com o tamanho do livro.

 

“Hoje eu gosto muito do autor Augusto Cury, que é um pouco de autoajuda e de romance. Alguns colegas de trabalho até me emprestaram livros dele quando ficaram sabendo que eu gostei”, conta.

 

Agora, quando está no meio de uma história, Geraldo não vê a hora de chegar em casa para ler o próximo capítulo.

 

Tribuna Impressa - 27/12/13

 

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.