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EXCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL
[26/10/2006]

Flamínio Araripe

 

Exclusão digital predomina no país, com 21 milhões de habitantes sem acesso a Internet. 3% dos conectados ganham menos de R$ 500 e 53,4% ganham mais de R$ 1.800.

 

Os Impactos Sociais e Políticos das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) foram tema de mesa-redonda na Reunião Anual da SBPC, que teve como debatedores Lúcia Melo (presidente do CGEE) e Tâmara Benakouche (UFPR).

 

"Entender o que é o problema do impacto político-social dessas tecnologias transcende muito o acesso a máquinas", disse Lúcia Melo, ao comentar os indicadores mais recentes da pesquisa do Comitê Gestor da Internet Brasil que constata o problema da exclusão.

 

Dos 5.560 municípios no Brasil, 2.430 não contam com acesso local a Internet. Apenas 1.606 municípios tinham banda larga em 2005, e 2.440 municípios brasileiros permaneciam sem cobertura de serviços de telefonia celular. Cerca de 21 milhões de habitantes não têm acesso à Internet.

 

"Esse nível ainda primeiro de exclusão em relação a acesso a equipamentos demonstra a precariedade de infra-estrutura que a gente tem ainda hoje", sublinha Lúcia Melo. Para ela, o celular já é um equipamento de acesso às TICs, e será cada vez mais, embora às vezes reduzem o acesso às TICS a computador. A exclusão está relacionada ao acesso a computadores, a Internet, a redes, a equipamentos de TICs. Outro aspecto observado por Lúcia Melo é o problema da capacidade de participação efetiva na geração, disseminação e uso do conhecimento. "Essa que é a variável mais importante que tem que ser entendida. Quais são os elementos que estão em volta de uma maior ou menor capacidade de um país de absorver e de participar ativamente no processo de geração do conhecimento?", indaga.

 

Existe uma assimetria nas oportunidades de acesso e uso das TICs, diagnostica Lúcia Melo. Numa estratificação por renda, na faixa dos que ganham menos de R$ 300, apenas 3% estão conectados, o mesmo para quem ganha até R$ 500. Na renda de R$ 501 a R$ 1.000, a faixa de acesso sobe para 7,3%.  No padrão de renda de R$ 1.001 a R$ 1.800, chega a 23,1%. A maioria dos conectados - 53,4% - ganha de R$ 1.801 para cima. Em 1995, a Internet se torna comercial no Brasil; em 1998 já possuía 163.000 máquinas conectadas à Internet (junho) e, em janeiro de 2006 totalizava 5.094.730 máquinas na rede, contabiliza a debatedora. Numa distribuição por cidades, o Distrito Federal lidera com 31% dos lares conectados, seguido por São Paulo com 27% dos domicílios na rede. Curitiba tem 23% dos lares na rede e Porto Alegre 21%. No Nordeste, Salvador figura com 18% dos domicílios na Internet e Fortaleza com 8%.

 

A chamada classe A lidera o acesso com 87% de conexão à rede, seguida pela classe B com 58% e pela classe C com 22%. O acesso nas classes D e E não passa de 7%. "Existem barreiras tecnológicas, educacionais, culturais sociais e econômicas que impedem o acesso e a interação", analisa Lúcia Melo. "Disponibilidade não é sinônimo de facilidade de uso e acesso universal. Acesso participativo é o desafio", afirma, ao apontar a necessidade de produção de conteúdo e mecanismos eficientes de armazenamento e recuperação, criação e disponibilização. Lúcia Melo chamou a atenção para a problemática de se reconhecer uma nova possibilidade de construção de sociedade, o que associa com novos parâmetros institucionais, novas regras para superar o tradicionalismo das sociedades e como a tecnologia pode servir de elo nesta transformação.

 

A pesquisa mostra que a grande empresa avançou mais na conectividade. Os estabelecimentos com mais de mil funcionários estão 100% na Rede. Na faixa entre 500 a 999 empregados, o índice de acesso é de 99,53%; se mantém em 99,88% nas empresas com 250 a 499 empregados e aparece 100% conectada no caso dos estabelecimentos com 100 a 249 funcionários. Nas empresas com 50 a

99 empregados, o acesso é de 98,9%; de 97,12% para aquelas com 20 a 49 empregados e de 94,94% para as que têm 10 a 19 funcionários. O Sul concentra a maior parcela de empresas que usam computador, 100%, seguido pelo Sudeste com 98,7; o Centro Oeste com 98,36%; o Nordeste com 98,34% e o Norte com 95,44%. "Nas grandes empresas está concentrado o acesso e nas regiões mais ricas, sendo acesso menor nas regiões mais pobres", conclui Lúcia Melo.

 

Segundo a presidente do CGEE, a pesquisa trouxe a dimensão de se estar atento ao potencial de exclusão associada à participação do Brasil na geração de conhecimento avançado e na pesquisa global. "Este elemento, na maioria das análises e dos estudos não está sendo contemplado. Mas é de igual ou maior importância", ressalta. "Quais são os cenários possíveis e como se garante que o Brasil seja um partícipe ativo das pesquisas globais, pesquisa em clima, por exemplo?", indaga Lúcia Melo, ao defender a importância da biodiversidade, a importância de interatividade, de informações locais integradas que para ela podem ser determinantes inclusive da soberania dos países.

 

A Mesa abordou dimensões técnicas, tecnológicas, sociológicas e outros aspectos. "Este tema cada vez mais precisa ser compreendido para que as discussões possam gerar subsídios apropriados para as políticas brasileiras, não só de ciência, tecnologia e inovação, mas entre as políticas de educação, saúde e entre as estratégias gerais de desenvolvimento", afirma.

 

Lúcia Melo informa que uma das linhas de ação do CGEE de estudo do futuro é a questão das TICS. Tem um estudo já concluído na primeira fase, agora em segunda etapa, sobre perspectivas e estratégias para o Brasil, uma análise a partir das referências mundiais. O estudo projeta o cenário e as possibilidades das TICs no Brasil em 2015 e 2022 inspirado nos modelos de análises internacionais, olhando como referência algumas estratégias que estão colocadas e postas, informa.

 

O Mapa da Indústria para 2007 a 2015 prevê para o primeiro ano 18% dos domicílios no país com acesso a Internet. Para 2010, a meta sobre para 25% e chega a 30% em 2015. Já no Projeto Brasil em 3 Tempos, a Inclusão Digital atinge a 21% da população em 2007; chega a 50% em 2015 e a 70% em 2022.

 

"Cenários mais diversos são discutidos e corroborados para saber qual é o compromisso que a gente vai desenhar em termos de atendimento à base da pirâmide com serviços que sejam apropriadas para essa faixa que é bastante grande e que precisa se beneficiar dessas tecnologias", diz a expositora.

 

Para ela, a inserção do Brasil na teia global da produção de conhecimentos e serviços de tecnologias e produtos novos nessa área está relacionada à presença das empresas. Segundo Lúcia Melo, está em andamento estudo no CGEE para gerar subsídios para a decisão de política e estratégias de longo prazo para o Brasil. "Não cabe ao CGEE estabelecer as políticas, mas gerar subsídios adequados para esse processo seja o mais rico, o mais completo, para agregar visões as mais distintas para que a gente possa representar os anseios da sociedade brasileira".



(Fonte: JC e-mail)
(Divulgado por Rizio Bruno – Enviado para “bib_virtual” em 22/07/2006)


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