ALÉM DAS BIBLIOTECAS


AI DE TI, BRASIL!

O texto do cineasta, dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro Arnaldo Jabor, “Ai de ti, Brasil!” (http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/arnaldo-jabor/ai-de-ti-brasil-1.1051847), que tem circulado a todo vapor nas redes sociais, de forma veemente e inteligente, traz à tona os muitos desastres que vêm atormentando a nação brasileira e sua população. Contempla itens variados, tomando sempre como ponto de arranque a corrupção que estende suas garras por todos os segmentos da sociedade.

 

Não deixa escapar nada, salvo a maior catástrofe ambiental do Brasil, que deixou para trás mortes e famílias desabrigadas, e, sobretudo, um rastro de destruição à fauna, à flora, sob a forma de milhões e milhões de litros de lama residual de mineração, arrasando, por completo, Bento Rodrigues, subdistrito de Santa Rita Durão, município da cidade histórica mineira de Mariana. Ao final, o jornalista conclui de forma categórica: “Se vossos canalhas prevalecerem, virá a hidra de sete cabeças e 10 chifres em cada cabeça e voltará o dragão da Inflação. E a prostituta do Atraso virá montada nele [...] E ela estará bêbada com o sangue dos pobres, e em sua testa estará escrito: ‘Mãe de todas as meretrizes e mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país.’ Ai de ti, Brasil! Canta tua última canção na boquinha da garrafa.”

 

Não podemos negar o cenário de penúria que aí está mediante o risco de engrossarmos a fileira de alienados que não conseguem enxergam um palmo adiante do nariz, por singela ignorância ou por miopia ideológica. Eis expressão, ao que parece, cunhada pelo cientista canadense Philip Tetlock para designar indivíduos incapazes de se desvincularem de “grandes ideias” arraigadas a pensamentos ideológicos ainda que dissociados de qualquer objetividade.

 

Por outro lado, não podemos alimentar sonhos vãos, fundamentados em especulações tolas e cínicas, como a ideia que se espalha acerca da ressurreição da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] como salvadora certeira da saúde pública. Esta vive momento crítico. À situação precária da rede hospitalar, às negociatas dos planos de saúde e a mil outros pontos de quase barbárie se alia a expansão vertiginosa da praga do mosquito Aedes aegypti, que causa dengue, febre chikungunya e a terrível zika, responsável por seríssimas consequências, ênfase para a microcefalia. Sobre esta última, o ministro da Saúde, o piauiense Marcelo Castro, num gesto marcadamente impróprio ao cargo que ocupa e à sua profissão, consegue a bravata de brincar em entrevista a jornalistas na capital, falando: “vamos torcer para que mulheres antes de entrar no período fértil peguem a zika, para elas ficarem imunizadas pelo próprio mosquito. Aí não precisa da vacina.” Complementamos: não precisamos de ministros que consigam achincalhar o pânico de milhares de famílias...

 

Indo além, se não dá para nos agruparmos às alas dos alienados nem tampouco à dos sonhadores por vocação, também não podemos simplesmente “entregar os pontos.” Matar todos os resquícios de esperanças é começar a morrer. Morrer lentamente, sangrando gota a gota, Verdade que poucos brasileiros ditos comuns ainda suportam acompanhar os telejornais e / ou gravar o nome dos bandidos, leia-se, empresários e políticos, presos ou soltos ao longo dos sucessivos escândalos. Mas, é preciso lutar! Cada um em seu cantinho, em sua instância...

 

É o resgate diário e sistemático da cidadania. É o exercício da voz ativa. Contra os desmandos cometidos pelos cartões de crédito e agências bancárias. Nos grandes supermercados ou pequenos mercadinhos que prosseguem surrupiando trocos e trocando preços entre o que está nas prateleiras e o que é cobrado nos caixas. Nos postos de gasolina, cujas placas ostentam valores igualitários para tipos distintos de gasolina (comum e aditivada), mas que, em datas diferenciadas, a gasolina aditivada sempre “acabou de acabar.” E o que dizer das instituições privadas de ensino com suas longas listas de materiais anos após anos? E as propagandas enganosas que nos cercam por toda parte? Síndicos e subsíndicos que, às vezes, ocupam a função pelo mero beneficio de não pagamento da taxa de condomínio! Enfim, há uma lista imensa a ser aqui acrescida. Todos têm algo a narrar. Há muito a ser feito em prol do Brasil por cada cidadão, até porque quando assimilamos e nos somamos ao coro “Ai de ti, Brasil!”, estamos gritando “Ai de mim, brasileiro!” ou “Ai de nós, brasileiros!”


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MARIA DAS GRAÇAS TARGINO

Vivo em Teresina, mas nasci em João Pessoa num dia que se faz longínquo: 20 de abril de 1948. Bibliotecária, docente, pesquisadora, jornalista, tenho muitas e muitas paixões: ler, escrever, ministrar aulas, fazer tapeçaria, caminhar e viajar. Caminhar e viajar me dão a dimensão de que não se pode parar enquanto ainda há vida! Mas há outras paixões: meus filhos, meus netos, meus poucos mas verdadeiros amigos. Ao longo da vida, fui feliz e infeliz. Sorri e chorei. Mas, sobretudo, vivi. Afinal, estou sempre lendo ou escrevendo alguma coisa. São nas palavras que escrevo que encontro a coragem para enfrentar as minhas inquietudes e os meus sonhos...Meus dois últimos livros de crônica: “Palavra de honra: palavra de graça”; “Ideias em retalhos: sem rodeios nem atalhos.”