GERAL


SITE QUER CRIAR CATÁLOGO COM TODOS OS LIVROS JÁ ESCRITOS

  • Autor não informado
  • Agosto/2007

Giles Turnbull

 

Das prateleiras para o computador?

 

Um projeto ambicioso para criar um catálogo na internet com todos os livros publicados em todas as línguas - Open Library (Biblioteca Aberta, em tradução livre) - está em andamento nos Estados Unidos.

 

Os livros a serem incluídos vão desde o Alcorão e clássicos da língua inglesa como As Aventuras de Huckleberry Finn, à moderna série de obras sobre Harry Potter.

 

Para o chefe da equipe técnica por trás da Open Library, Aaron Swartz, todos os livros já publicados precisam de uma página na internet, um pouco como uma homepage pessoal.

 

"Neste momento, se você quiser acessar um livro na rede de computadores, o principal lugar onde as pessoas vão é a Amazon (livraria online). É ruim que um site comercial seja a fonte definitiva para informações sobre livros na internet, então nós queremos ter um site que junte informações de editoras comerciais, críticos, leitores, bibliotecas, de toda a parte", disse ele.

 

"O site vai se tornar o lugar onde se pode encontrar livros interessantes e informações sobre eles, quer estejam sendo reeditados, fora de catálogo, ou o que seja."

 

Uma biblioteca assim tem que ser virtual. Nenhum prédio seria grande o suficiente para abrigar todos os livros, nenhum grupo ou governo teria recursos suficientes para construí-lo, ou empregar o número necessário de funcionários. Se a Open Library der certo, tem que ser um espaço virtual, e acessível para todos, como a Wikipédia.

 

Há alguns anos, a idéia de que pessoas em todo o mundo escrevessem sua própria enciclopédia seria loucura - mas isto não impediu que os fundadores da Wikipédia tocassem o projeto, que acabou sendo um dos mais bem sucedidos na rede de computadores nos últimos anos.

 

Doações

 

Para dar a partida no projeto, a Open Library está pedindo a outras bibliotecas que doem seus catálogos. Só isto já apresenta grandes desafios técnicos, pois as informações são armazenadas em formatos e línguas diferentes, e podem vir com suas próprias especificidades, repetições e erros.

 

O que é importante é manter as informações de uma forma estruturada, para que o banco de dados nos bastidores saiba a diferença entre um autor, um título e uma editora.

 

"Nós tínhamos que criar este novo tipo de programa de wiki, o que era um desafio empolgante, porque é preciso implantá-lo para que ao invés de só ter um tipo de página que as pessoas possam editar, possamos ter tipos diferentes."

 

"As pessoas podem editar autores, livros, páginas de texto, e assim por diante. Então há muita coisa nova que precisamos criar. E esta é só a infraestrutura - há ainda muitas coisas para agregar, e dados sobre livros para reunir e organizar para pesquisa."

 

Se as especificações sobre direitos autorais permitirem, haverá uma cópia do livro para download, ou links para cópias do livro em outros locais (tais como o Projeto Gutenberg para digitalizar trabalhos culturais).

 

Por enquanto os recursos para ele vem do Arquivo de Internet, um outro projeto sem fins lucrativos que têm o simples objetivo de manter cópias na rede de computadores para as futuras gerações.

 

Mas a Open Library vai depender de doações em algum momento, e de uma porcentagem na venda de livros de grandes livrarias online.

 

A obtenção de recursos será mais importante diante da competição comercial. O Projeto de Biblioteca do Google, parte do serviço de busca de livros Google Book Search, tem objetivos semelhantes.

 

Naturalmente, o Google tem seus próprios interesses comerciais para proteger e investir neles. A abordagem da Open Library é oposta, com seu compromisso de máxima liberdade de informações, permitindo não apenas que qualquer pessoa navegue pelo site, faça busca e leia livros em seu catálogo, mas que também possam reescrever o próprio catálogo no caminho.

 

Ceticismo

 

Mas a famosa Biblioteca Britânica em Londres está cética. Stephen Bury, diretor de Coleções Européias e Americanas da instituição, disse: "No curto prazo, eu não acho que vamos mandar a eles uma cópia do nosso catálogo. Nossos recursos são limitados e nós precisamos concentrar nossos esforços em nossos próprios projetos de digitalização."

 

"Nós sempre apoiamos a digitalização, e quanto mais, melhor. Mas há algum ceticismo sobre se um dia a Open Library pode se tornar um site comercial com anúncios e coisa assim."

 

Bury não gosta da idéia de permitir que qualquer pessoa possa editar catálogos de bibliotecas.

 

"Eu acho que é preciso um equilíbrio e algum nível de controle. Pode-se ter gente maliciosamente mudando coisas."

Fonte: Clique Aqui
Divulgado por Adriana Ornellas – Enviado para “bibamigos” em 01/08/2007

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.