ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO


PERCEPÇÕES SOBRE O VALOR DA INFORMAÇÃO

No âmbito da Ciência da Informação recorrentemente encontramos textos que abordam conceitos como, por exemplo, ‘informação confiável’ ou ‘informação fidedigna’, ‘informação de qualidade’, ‘informação relevante’, ‘informação precisa’, mas afinal o que significa cada um desses termos/conceitos?

 

No contexto organizacional, a informação se constitui em um elemento fundamental para o exercício de distintas atividades e, por essa razão, evidencia-se que saber distinguir o que cada conceito supracitado representa de fato é fundamental, visto que é a partir dessa compreensão que o profissional da informação poderá atuar no intuito de melhorar os serviços e produtos informacionais destinados ao público que atende.

 

O termo ‘Economia da Informação’ é usado desde meados de 1960, entretanto, somente a partir da Década de 1980 que seu uso foi apropriado pela Ciência da Informação. Os conceitos advindos da área de Economia relacionados a custo, eficácia, eficiência e valor, muitas vezes são usados no âmbito da Ciência da Informação, sem explicitar claramente de que maneira se compreende cada um desses elementos. Nessa perspectiva, evidencia-se que ‘custo’ pode ser definido como o investimento na produção de bens e serviços. Contudo, no contexto da Ciência da Informação, é necessário desarraigar-se da visão tradicional do termo, porquanto se reduz à unidade monetária. A ‘eficácia’ se refere ao alinhamento entre os resultados alcançados e os objetivos preliminarmente estabelecidos. A ‘eficiência’ se relaciona a qualidade do desempenho para o alcance dos objetivos preliminarmente estabelecidos.

 

Ao se inter-relacionar informação às necessidades informacionais de distintos sujeitos organizacionais é possível estabelecer unidades de análise e de mensuração, seja de modo objetivo ou subjetivo. Nesse contexto, a informação concerne a seu uso estratégico para análise de risco, envolvendo os aspectos operacional, comercial, técnico, ambiental, financeiro e estratégico.

 

Taylor (1982) já destacava na Década de 1980 que a informação com valor agregado era essencial para as organizações, isto é, transformar dados sem significado em informação estratégica deveria ser um processo informacional dinâmico praticado pelos sujeitos organizacionais, de maneira a propiciar o bom desempenho da organização.

 

Cronin (1986, p.14) afirmava que a informação é o combustível para que organizações empresariais desenvolvam pesquisa e desenvolvimento (P&D). Contudo, infere-se que no cenário nacional apesar de algumas organizações empresariais terem essa percepção, o que ocorre é que geralmente a informação não é reconhecida nos processos organizacionais, e isso ocorre porque geralmente a informação é imaterial (1) ou intangível (2).

 

No que tange aos estudos da informação, Barreto (2002, p.4) afirma que “A ciência da informação passou a ser uma instituição de reflexão da informação, como um campo, que estuda a ação mediadora entre informação e conhecimento acontecido no indivíduo”; diante disso, o valor da informação é medido como instrumento modificador da consciência do sujeito. Segundo este autor, “[...] a promessa do conhecimento teria que considerar o indivíduo, seu bem-estar e suas competências para assenhorar-se da informação” (BARRETO, 2002, p.6, grifo do autor), ou seja, o sujeito é determinante para estabelecer o valor que a informação tem para si e, assim, reconhecer que o uso da informação está diretamente relacionado a quem vai utilizá-la.

 

O valor agregado à informação ocorre a partir da inter-relação entre a informação propriamente dita e o sujeito organizacional, uma vez que se estabelece uma relação direta entre a necessidade/demanda e a informação disponibilizada, cuja conexão proporcionará a sua valorização ou não valorização para posterior uso. Segundo Belluzzo (2010, p.49) “[...] são as pessoas que agregam o valor e transformam os dados e informações em conhecimento”.

 

Taylor (1986, p.6, tradução nossa) explica que o “[...] valor que é adicionado à informação pode ser tanto externo quanto interno à mensagem. Podem ser sinais tangíveis como um descritor, ou um valor intangível como a validade dos dados”. Taylor separa o valor da informação em duas vertentes: “[...] o valor do conteúdo informativo das mensagens, isto é, o ‘significado’ que informa ou o que influencia a decisão; o valor dos recursos de informação (ou seja, os serviços, tecnologias e sistemas) que armazenam, processam, analisam, empacotam e entregam as mensagens”.

 

Taylor (1982, p.343, tradução nossa) destaca características relacionadas ao valor da informação:

 

§  Valor não é intrínseco e nem é transportado pela mensagem.

§  Uma mensagem tem valor apenas no contexto.

§  O valor é dado à mensagem por um “usuário” que vê a “utilidade” dela, porque a coloca num ambiente particular e é capaz de relacionar a mensagem aos problemas e às tarefas desse ambiente.

§  Uma mensagem, portanto, é carregada de valor em potencial.

§  ‘Utilidade’ significa que uma pessoa tenha escolhido uma mensagem em particular: a) para fazer uso imediato dela; ou b) para armazená-la de algum modo porque vê potencial uso dela no futuro.

§  Como uma mensagem tem valor em potencial, o processo de agregar valor à informação é definido como: a) pode sinalizar esse potencial; e/ou b) pode relacionar esse potencial às necessidades de um ambiente específico.

 

Taylor destaca quatro processos que envolvem desde o dado bruto sem significado até a ação do sujeito organizacional (Figura 1).

 

Figura 1: Valor agregado à informação.

 


 

Fonte: Taylor – 1986 – p.6.

 

O primeiro se relaciona a organização da informação, o segundo a análise da informação, o terceiro é relacionado a agregação de valor propriamente dita e a última relacionada ao uso/aplicação da informação com valor agregado.

 

Observa-se que a apropriação da informação e a produção de conhecimento são realizadas pelo sujeito cognoscente e, portanto, depende da estrutura cognitiva de cada indivíduo, bem como das experiências vivenciadas ao longo da vida. Além disso, a ação propriamente dita, seja para qual finalidade for, envolve um contexto e circunstâncias específicas em relação ao espaço, tempo e objetivos.

 

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Referências

 

BARRETO, A. de A. A condição da informação. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v.16, n.3, 2002. Disponível em: . Acesso em: 14 abr. 2014.

 

BELLUZZO, R. C. B. Competências e novas condutas de gestão: diferenciais de bibliotecas e sistemas de informação. In: VALENTIM, M. L. P. (Org.). Ambientes e fluxos de informação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. 281p.; p.23-53.

 

CRONIN, B. Information research and productivity. In: INGWERSEN, P. (Ed.). Information technology and information use. London: Taylor, 1986.

 

TAYLOR, R. S. Value-added process in information life cycle. Journal of the American Society for Information Science, p.341-346, Sep. 1982. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2015.

 

TAYLOR, R. S. Value-added process in information systems. New Jersey: Ablex, 1986. 257p.

 

 

NOTAS

 

[1] Do Latim ‘immateriale’; aquilo que não é material; que não é matéria; que não possui matéria. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/imaterial/>. Acesso em: 20 jun. 2012.

 

2 Aquilo que não pode ser tocado; não pode se medido; um processo de trabalho pode ser tangível ou intangível; depende da existência de indicadores do processo. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/imaterial/>. Acesso em: 20 jun. 2012.


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MARTA LIGIA POMIM VALENTIM

Professora Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. Livre Docente em Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional pela Unesp. Docente de graduação e pós-graduação da Unesp, campus de Marília. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa "Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional". Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Unesp, campus de Marília, gestão 2017-2021. Presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), gestão 2016-2019.