LEITURAS E LEITORES


BIBLIOTECA MARIO VARGAS LLOSA

Lima é uma cidade surpreendente de gente educada e hospitaleira. Cidade populosa, são quase 9 milhões de habitantes, mas que tem um ritmo em algumas regiões que se parece com cidades pacatas de interior. A sensação de segurança é constante, o povo tem um ritmo mais calmo, só é interrompido pelas buzinas do trânsito, que são constantes, parece uma característica nacional: dirigir e buzinar. Embora haja constante som de buzina, parece algo orgânico dali, não me pareceu sinal de estresse.

Banhada pelo Pacífico, a cidade tem pouca densidade pluviométrica, chove menos de 10 milímetros por ano, quase um deserto, mas que não se sente, pois há sempre uma brisa que vem do oceano.

No centro de Lima, onde se localiza a Plaza Maior, anteriormente chamada de Plaza de Armas, é o marco da fundação da cidade por Francisco Pizarro, em 1535. Circundam a praça construções importantes para a nação, tais como: o Palácio do Governo do Peru, a prefeitura, a imponente catedral de Lima, construção barroca, seiscentista.

No centro histórico de Lima, saindo da Plaza Mayor Carabaya, pela rua lateral do Palácio do Governo, chega-se à Rua Jirón Ancash, 207, lá se encontra La Casa de la Literatura Peruana*, que possui exposições permanentes e temporárias, oficinas e seminários, sala de literatura infantil e uma biblioteca muito especial, a Biblioteca Mario Vargas Llosa.

 

Casa de La Literatura Peruana
Foto: autor

O prédio é imponente e apresenta uma mescla de estilo arquitetônico. Construído no início do século passado, foi a primeira estação de trens de Lima, chamada de Estación de Desamparados. Em 2009, tornou-se La Casa de la Literatura Peruana, no governo de presidente Alan García Pérez.

A recepção quando se chega à La Casa é muito calorosa, os funcionários se apresentam simpáticos, disponíveis, parecem ter de orgulho de receber turistas naquela instituição.

No hall de entrada, à frente, avista-se uma escada imponente que desce para um plano inferior do prédio e, à medida que se desce os degraus, vai surgindo um ambiente agradável e belo, que inunda nossos sentidos, a Biblioteca Mario Vargas Llosa.

 

Foto: Autor

A biblioteca leva o nome de um dos maiores escritores peruanos mundialmente conhecido: Mario Vargas Llosa, nascido em 1936 em Arequipa, mas que também tem cidadania espanhola.

O escritor recebeu, em 2010, o Prêmio Nobel de Literatura por "por sua cartografia das estruturas de poder e de imagens, e sua mordaz resistência, revolta e derrota do indivíduo"**.

De volta à biblioteca: ela está localizada no eixo central do prédio, sob a iluminação indireta da luz natural que passa pelos vitrais em Art Nouveau, que durante o dia ensolarado não queria luz artificial.

 

Foto: Autor

O espaço mescla a imponência com a informalidade, eliminando qualquer possiblidade de sisudez, pois o balcão de atendimento parece exercer a dupla função de também servir de área para pesquisas mais técnicas.

A Vargas Llosa tem um espaço externo, bastante informal, onde anteriormente eram as áreas de embarque e desembarque:

 

Foto: Autor

Compõem o ambiente mesas e bancos que remetem aos antigos trens de passageiros e há sempre usuários por ali. Espaço aberto, de onde se avista o céu e até o rio próximo.

Há, também, mesas redondas e mais altas que as convencionais, sem cadeiras para o usuário que não quer se sentar, apenas consultar o material e ter apoio para os braços.

 

Foto: Autor

A Mario Vargas Llosa é uma biblioteca para se conhecer e refletir a respeito dos espaços destinados às bibliotecas, da importância de se estruturar o espaço conforme a cultura local, de modo que os usuários estejam à vontade ali, degustando a leitura, arejando as emoções.

Quanto a mim, além do espaço, fui arrebatado pelos versos de uma poetisa peruana chamada Blanca Varela. Não sabia de sua existência, mas seus versos pareciam me conhecer. É isso que uma biblioteca pode fazer com a gente.

Consultas:

* http://www.casadelaliteratura.gob.pe/

**https://pt.wikipedia.org/wiki/Nobel_de_Literatura


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ROVILSON JOSÉ DA SILVA

Doutor em Educação/ Mestre em Literatura e Ensino/ Professor do Departamento de Educação da UEL – PR / Vencedor do Prêmio VivaLeitura 2008, com o projeto Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes.