LEITURAS E LEITORES


A VOLTA ÀS AULAS E A BIBLIOTECA ESCOLAR

Cada início de ano letivo é o momento para estabelecer metas, conteúdos e planejar ações que alicercem o trabalho a ser realizado na escola. É hora de se fazer o balanço acerca do que deu certo e do que pode ser readequado.

 

Nas escolas, quase sempre, há uma reunião geral para todos, de todas as séries e, depois, os professores responsáveis por cada série reúnem-se para discutir aspectos específicos, por exemplo, os professores que ministram aulas para as turmas de 2a séries numa sala, os de 3a em outra e, assim, sucessivamente.

 

E com quem se reúne o responsável pela mediação de leitura na biblioteca escolar? O mediador de leitura e de informação (bibliotecário ou professor) deve participar ativamente das discussões gerais, do planejamento anual previsto pela escola, ou seja, apresentar e discutir o seu plano de trabalho em relação à escola e às séries, de modo que a biblioteca esteja inserida integralmente no cotidiano escolar.

 

Durante o planejamento é preciso que o mediador diferencie as ações pedagógicas que realizará em complemento aos conteúdos de sala de aula daquelas que serão de cunho estrito da biblioteca escolar, ou seja, definir os eventos em que a biblioteca da escola coordenará e que, num primeiro momento, não estarão diretamente ligados ao conteúdo específico da sala de aula, mas que fazem parte da cultura geral, da expressão artística e da leitura.

 

Nessa perspectiva, levantam-se hipóteses acerca do trabalho realizado pela biblioteca, tais como: haverá leitura de obras dramáticas, sarau de leitura? Declamação de poesia. A biblioteca será responsável pela gincana cultural da escola? Que suporte dará? E para a Feira Cultural e Científica que papel terá a biblioteca antes e durante a Feira? A biblioteca deve ser um organismo vivo em todos os momentos importantes, científicos e culturais, promovidos pela escola e no planejamento de início do ano deve estar entre as metas a serem alcançadas pela escola.

 

Outro aspecto imprescindível na volta às aulas é a recepção aos alunos (novos e antigos) nas primeiras semanas de aulas. Essa dinâmica inclusive pode ser realizada com os professores na semana que antecede ao início das aulas, pois é uma das maneiras de integrar os demais professores à dinâmica desenvolvida pela biblioteca escolar, uma forma de os professores compreenderem melhor o trabalho realizado naquele espaço.

 

Antes de serem levados à biblioteca, ainda em sala de aula, o mediador pode instigar os alunos a comentarem qual é a idéia que possuem da biblioteca no ambiente escolar. O que sabem daquilo, ou seja, dar voz ao aluno para que exteriorize os conceitos que tem e, ao mesmo tempo, ouça opiniões distintas da sua.

 

Após essa etapa, os alunos serão levados até a biblioteca para que conheçam sua localização no espaço escolar. Esse reconhecimento auxiliará o aluno a sentir-se seguro para buscar a biblioteca em outros momentos, individualmente.

 

Nesse contexto, a biblioteca deverá ter a sinalização (placa ou pintura na parede) que indique “biblioteca”. Além disso, é importante que a biblioteca tenha afixado bem à mostra, pode ser até na própria porta, o horário que estará disponível para toda a comunidade escolar. Vale lembrar que essas informações de horário de atendimento devem estar afixadas em altura compatível ao tamanho médio dos alunos da escola para que possam ler sem dificuldades.

 

Antes de entrar na biblioteca, principalmente para os alunos novos, o mediador pode combinar com eles como será a dinâmica na biblioteca, ou seja, ao entrarem, os alunos sentam-se, ouvem as explicações e depois começam a explorar o espaço. Quando o aluno não conhece o espaço, no início, isso pode gerar ansiedade que se transformará numa explosão de energia ao entrarem na biblioteca. Entretanto, cada mediador deve conduzir os alunos da maneira que melhor se adeque à sua característica pedagógica.  

 

Antecipar para os alunos parte do que acontecerá na biblioteca, ajudará a diminuir a ansiedade deles e, consequentemente, auxiliará a observação do espaço e a audição das informações dadas pelo mediador, dessa forma, estarão mais disponíveis para a apresentação do espaço que seguirá.

 

Após sentarem-se confortavelmente, terem observado e comentado a respeito do espaço com os colegas, pode-se confrontar as convergências e divergências entre o que apontaram em sala de aula e o que veem ali no espaço. Essa conversa não deve demorar muito, em média de 5 minutos, apenas para sentirem-se mais à vontade. 

 

O que se seguirá na aula dependerá da organização da biblioteca, ou seja, da sinalização existente no acervo, pois o mediador deverá explicar para os alunos como a biblioteca está organizada, em quais seções estão os livros de ficção (lendas, poesia, histórias de assombração, gibis, contos de fadas, etc.) e não – ficção (enciclopédias, materiais informativos, periódicos, etc.) e multimeios.

 

Em seguida às explicações, o aluno precisa se sentir bem acolhido e seguro para explorar o espaço e o acervo. O mediador pode, ao apresentar cada seção do acervo da biblioteca, mostrar um livro daquela seção e comentar sobre ele, para que os alunos construam a idéia do acervo existente na biblioteca de sua escola. Quando o mediador retirar o livro da prateleira para demonstrá-lo para os alunos, deverá parecer natural como se ele tivesse retirado o livro casualmente, entretanto, o material fora previamente selecionado pelo mediador, embora permanecesse na prateleira como os demais. 

 

Para essa dinâmica, os livros selecionados em cada seção do acervo apresentarão assuntos que sejam compatíveis à idade e série dos alunos que visitam a biblioteca. Convém, na apresentação do acervo, entremear os livros novos com os mais velhos, isso auxilia a criança compreender melhor a composição do acervo da escola. 

 

Pode-se falar para os alunos, por exemplo: a biblioteca é o espaço que condensa um pouco de tudo que existe no mundo... muitas pessoas escreveram esses livros a partir de estudos que fizeram... com o talento artístico que têm inventaram histórias mirabolantes... Aqui tem histórias que surgiram antes de vocês nasceram; antes mesmo de seus pais... de seus avós terem nascido! Antes de Cristo, do começo do mundo... das estrelas...dos dinossauros... das máquinas mais velozes, enfim há muita coisa para descobrir aqui e vocês são os convidados para explorar tudo isso.  

 

Após essa fase, deixar que os alunos explorem o acervo. É provável que o acervo fique desarrumado nas primeiras idas à biblioteca, entretanto, nessa fase, não se preocupe muito com a arrumação, pois o importante é que a criança tenha acesso às prateleiras, manuseie o maior número de materiais possível, pois a freqüência à biblioteca, pouco a pouco, incentivará cada aluno ao manuseio e ao acondicionamento adequados para o material usado.    

 

Nessa visita à biblioteca deve ser explicitado como será o empréstimo do acervo da biblioteca; o uso ou não da carteirinha; como será a devolução, o tempo que permanecerão com acervo emprestado, entre outros aspectos.

 

O aluno, ao terminar a visita, deixará a biblioteca com o sentimento de que encontrou mais um espaço na escola para interação com outros alunos, deve sentir-se estimulado a explorar os recursos disponíveis e a construir sua autonomia como leitor e pesquisador.


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ROVILSON JOSÉ DA SILVA

Doutor em Educação/ Mestre em Literatura e Ensino/ Professor do Departamento de Educação da UEL – PR / Vencedor do Prêmio VivaLeitura 2008, com o projeto Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes.