LITERATURA INFANTOJUVENIL


O QUE LOLA QUER... LOLA TEM!

Sharlen Andrade Custódio

 

Dia desses comentei com Sueli (Bortolin) sobre um livro infantil que ganhei: “O que Lola quer... Lola tem!” da editora Larousse. - “Lançamentíssimo”, sucesso na última Bienal, munido de uma tecnologia inovadora, além de animação 3D, usa realidade aumentada.

 

Realidade aumentada, como assim?  - questiona-me Sueli

 

Ainda maravilhada com a tecnologia do livro, expliquei mais ou menos como funcionava: - Você baixa um programa no site da editora (www.larousse.com.br), instala no PC, mostra a última página do livro para a webcam, e de repente os personagens surgem na tela fazendo peripécias, e o mais incrível, bem na palma da sua mão.

 

Deixei nossa colunista com comichão, - Quero um deste (porque será?) - e me pediu que escrevesse sobre o livro e sua tecnologia inovadora.

 

Saí da conversa com minhocas plantadas, leia-se preocupada, escrever sobre realidade aumentada? Ai meus sais, é muita tecnologia...  toca a pesquisar, - Santo Google iluminai!

 

Só depois de já estar tratando realidade aumentada de RA, amicíssima de Ronald Azuma, autor que definiu RA mais “aceitadamente” (realidade aumentada, ambiente que envolve tanto realidade virtual como elementos do mundo real, criando um ambiente misto em tempo real) percebi minha própria realidade, digamos aumentada.  

 

O que me foi pedido? Escrever sobre o livro fantástico ou sobre sua fantástica tecnologia? Ou seja, o que seria mais interessante, o livro, sua tecnologia, sua interatividade? Ou tudo junto e misturado?

 

Em meio aos questionamentos pego o livro e analiso... aliso... tão bom alisar capa de livro... como se pudesse tocar ideias!!! Puxo uma conversa com Lola (a oncinha perrrfeita da história) e tudo se esclarece.

 

Lembro da expressão da Celina (minha sobrinha de 2 anos e meio) quando lhe contei a história da Lola, suas risadas quando forço o perrrrfeita,  e mesmo sem fazer ideia que a tal realidade aumentada estava codificada dentro de suas páginas, dá um tremendo “Uta” no livro quando lhe entrego em suas mãos. Ficou sim maravilhada, melhor dizendo boquiaberta, quando depois da história mostrei na tela do computador a Lola dançando tango em suas mãos. Enjoou rápido da tecnologia, mas o livro naquela noite dormiu embaixo do travesseiro.

 

Como todo e qualquer livro o que fica, além da história, é a relação (afetiva?) livro – leitor. Claro que essa relação depende de como o livro lhe chega às mãos, a bendita mediação. Imagino que no caso da Celina teria sido diferente caso eu apenas tivesse ligado o computador e colocado os bichinhos pra dançar, certamente ela nem teria relacionado os personagens na tela com os personagens de uma história, seria apenas bichinhos dançantes e não teriam feito parte de seus sonhos.

 

Recordo-me do meu primeiro livro, não tenho ideia do título, não sabia ler, lembro que tinha uma figura em branco e preto de uma lebre com suspensórios. A história? Não sei qual seria a real, inventava uma por dia e contava pra minhas irmãs que acreditava piamente que minha lebre reescrevia sua história durante a noite. O livro eu perdi, ficou a lembrança da minha invencionice, a lebre datilografando histórias à noite com seus suspensórios.

 

Meu livro não tinha realidade aumentada, na verdade não tinha nem cor, não precisava, meu livro tinha alma.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.