ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO


COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL NO PROCESSO DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA (2)

A comunicação organizacional é alicerce fundamental, para que o processo de inteligência competitiva (I.C.) ocorra de forma eficiente e eficaz. Essa assertiva, demonstra que uma organização que não trabalhe, aqui no sentido de desenvolver e consolidar, uma cultura comunicacional efetiva na organização, certamente não terá sucesso na implementação do processo de I.C.

A cultura organizacional é tão importante quanto a própria comunicação, pois a partir da cultura corporativa, são estabelecidas lógicas, leis, normas etc., que uma vez construídas em "fenômenos ideológicos da consciência individual [...] os ligamos as condições e às formas da comunicação social. A existência do signo nada mais é do que a materialização dessa comunicação" (1).

A comunicação entre os indivíduos de uma organização utiliza-se da palavra para construir os fenômenos corporativos e, por isso mesmo, é tão importante para o processo de I.C., pois depende essencialmente do envolvimento, da crença e da disposição de cada indivíduo, para a eficiência do processo.

A comunicação existe a partir de um contexto, de um espaço. O espaço corporativo é sem dúvida um espaço comunicacional, portanto, a comunicação existe e se funda a partir da relação entre os indivíduos da organização, cada um influenciando sobremaneira o outro, e juntos constroem diferentes significados, que resultam na cultura organizacional. No entanto, é importante mencionar que este processo inicia-se na comunicação entre as pessoas.

Choo (2) afirma que a "criação de significado é contínua: nunca começa ou termina, mas é um fluxo contínuo de atividades e projetos que constituem a vida da organização". Nesse sentido, a comunicação é fundamental, pois é ela que alimenta a cultura organizacional que por sua vez influencia as pessoas a atuarem positivamente ou não no processo de I.C.

Outro aspecto da comunicação organizacional como influenciadora do processo de inteligência competitiva, entendida como um processo contínuo, é a capacidade de interpretação de cada indivíduo, bem como a capacidade de seleção e retenção do que é relevante ou não para o processo de I.C., ou seja, quais os significados construídos individualmente e/ou coletivamente que devem nortear o fazer, ou ainda que devem nortear a tomada de decisão.

A comunicação organizacional estabelece elos entre as pessoas, por meio dos significados corporativos e devolve à própria organização novos significados corporativos, base para o fazer e para a tomada de decisão organizacional, de forma contínua. Isso significa que não existe fim, mas sim mudanças e adequações, provocadas pela comunicação e pela cultura organizacional.

A palavra é a essência da comunicação, justamente por isso, cada signo é carregado de ideologia e intenções corporativas. As pessoas, devem estar atentas a cada palavra, a cada frase, buscando o real, a realidade. No processo de inteligência competitiva, afirma-se que a equipe que coordena esse tipo de trabalho, deve necessariamente, ao mesmo tempo em que está envolvida, estar distante das pessoas e das questões que as envolve, o suficiente para perceber o real, a realidade.

Choo (2) afirma que o "processo de partilhar significados é uma atividade de comunicação complexa". Justamente por isso, as organizações utilizam recursos tecnológicos, para agilizar, dinamizar, consolidar e comprovar a comunicação entre as pessoas. As tecnologias de informação facilitam muito esse processo complexo e promove maior confiança entre as pessoas.

No processo de I.C. a comunicação organizacional torna-se um elemento ímpar, pois a partir dela as pessoas terão chance de construir significados relevantes para a organização, de modo a otimizar os recursos humanos e tecnológicos existentes na corporação.

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1 BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. 8.ed. São Paulo: Hucitec, 1997. 196p.

2 CHOO, C. W. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: SENAC, 2003, 425p.


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MARTA LIGIA POMIM VALENTIM

Professora Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. Livre Docente em Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional pela Unesp. Docente de graduação e pós-graduação da Unesp, campus de Marília. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa "Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional". Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Unesp, campus de Marília, gestão 2017-2021. Presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), gestão 2016-2019.