ESTRELA VERDADE
Ontem, olhei para o céu e vi uma estrela.
Ela caminhava ou voava,
na verdade ela seguia em um sentido estranho
diferente de todos os outros astros.
O caminho, a trilha, o percurso da estrela
era diferente, era o contrário
de todos os outros astros.
Seu brilho era o mesmo,
tinha a mesma intensidade.
Sendo sincero, ela não era diferente
dos outros astros, das outras estrelas.
Diferente era o percurso.
E eu a imaginei reprimida,
censurada, criticada por seus pares
(nem tão pares, pois seguiam rumos diferentes).
“Acompanhe o traçado, a trilha.
Siga o determinado, o definido, o esquematizado,
o destino”.
Não ouvi a resposta ou
não houve resposta.
Em verdade, não sei.
O que sei é que a estrela continuou seu rumo,
esquerdo, contrário, mudado, alterado.
Pensei ter ouvido a insistência dos outros
astros, instando a estrela a retomar o antigo caminho,
a voltar para a órbita,
a abandonar a intransigência,
a deixar o pecado,
a escolher o certo,
a retornar para a verdade.
A verdade é o caminho que todos seguem?
Verdade é o mesmo, a mesmice, o igual?
Estranha verdade.
Estranho essa verdade.
Talvez a verdade seja o oposto,
o inusitado, o diferente.
A estrela de rumo oposto se destaca.
Não é a mesma nem é outra. É ela.
Eu a vi, em meio a... quantas?
Todos a olham, a enxergam, a detectam,
a vislumbram. Ela existe. Ela é.
A verdade está perdida no meio do mundo,
incógnita, sem se fazer ver?
A verdade se refugia no anonimato?
Ou a verdade é vista, entendida, compreendida,
assimilada, vislumbrada? A verdade é diferente.
A verdade é extravagante, a verdade é o conflito,
é a arena, o embate, é a tensão.
Verdade é caminho diferente, trilha oposta,
é a falta de chão, o indesejado,
o não calculado, a incerteza.
A verdade é o que não é,
é o que vai chagar,
o que vai morrer,
que vai nascer.
A verdade é a estrela de estranho caminho.
Ontem, olhei para o céu e vi uma estrela
que seguia um caminho estranho.
Na verdade, nem sei se era mesmo uma estrela.
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