EX-PERANÇA
Natal,
depois da espera,
escapa
a esperança
e, liberta,
se insurge
(insurreição,
ressurreição)
contra a mesmice
dos pensamentos
diários, comuns,
repetitivos,
burocráticos, covardes,
egocêntricos, cotidianos.
Livre, a esperança
Incute -
ou pretende -
a mudança, a transformação,
a revolução,
a subversão.
Como a poesia
(subverso)
a esperança é dependente
da
liberdade
e subverte as algemas,
as amarras.
Mesmo livre,
é dependente do homem,
de um único,
de todos.
Paradoxo:
a esperança é minha
embora de todos;
a esperança é de todos,
embora minha.
Mas, tão logo escapa,
a esperança se prende
nos vidros frios das vitrines;
se emaranha
nos tristes belos laços
dos embrulhos, dos pacotes;
definha nas efêmeras lágrimas,
efeito de vazias mensagens;
seu fim pressente
nos presentes
burocrática e tediosamente
trocados.
Do ano, a herança
atropela a esperança
que se faz ex-perança,
que volta a ocupar
seu velho canto,
seu oculto canto,
seu desencanto.
Subverter:
trocar o ter pelo ser;
verter o ter pelo ser;
ver o ter; ver o ser;
subverser.
Só há uma esperança,
a de lembrar
que a esperança
não existe sozinha,
não caminha todavia,
cada via,
mas via alma;
a esperança,
embora livre,
é dependente,
e só é,
no âmago,
doce ou amargo,
do ser humano.
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