CRÔNICAS E FICÇÃO


EX-PERANÇA

Natal,

depois da espera,

escapa

a esperança

e, liberta,

se insurge

(insurreição,

ressurreição)

contra a mesmice

dos pensamentos

diários, comuns,

repetitivos,

burocráticos, covardes,

egocêntricos, cotidianos.

Livre, a esperança

Incute -

ou pretende -

a mudança, a transformação,

a revolução,

a subversão.

Como a poesia

(subverso)

a esperança é dependente

da

liberdade

e subverte as algemas,

as amarras.

Mesmo livre,

é dependente do homem,

de um único,

de todos.

Paradoxo:

a esperança é minha

embora de todos;

a esperança é de todos,

embora minha.

Mas, tão logo escapa,

a esperança se prende

nos vidros frios das vitrines;

se emaranha

nos tristes belos laços

dos embrulhos, dos pacotes;

definha nas efêmeras lágrimas,

efeito de vazias mensagens;

seu fim pressente

nos presentes

burocrática e tediosamente

trocados.

Do ano, a herança

atropela a esperança

que se faz ex-perança,

que volta a ocupar

seu velho canto,

seu oculto canto,

seu desencanto.

Subverter:

trocar o ter pelo ser;

verter o ter pelo ser;

ver o ter; ver o ser;

subverser.

Só há uma esperança,

a de lembrar

que a esperança

não existe sozinha,

não caminha todavia,

cada via,

mas via alma;

a esperança,

embora livre,

é dependente,

e só é,

no âmago,

doce ou amargo,

do ser humano. 

Autor: Oswaldo Francisco de Almeida Junior

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.