CRÔNICAS E FICÇÃO


TROPECEI NA BIBLIOTECONOMIA

Tropecei na Biblioteconomia.

Nem tanto, vivia em bibliotecas,

sempre um ou dois livros na mão.

Na minha vida, livros e informação,

busca, sempre, do conhecimento,

ou melhor, no plural. Ele não é único.

É único, mas múltiplo.

Construí meu conhecimento

em livros, falas, olhares, sons,

movimentos, acontecimentos,

exemplos, enfim, na própria vida.

A vida se constitui do que leio e vivo.

Leitura de vida, leitura de mundo.

As bibliotecas são cheias de vidas,

as dos livros e as dos que a buscam,

as que buscam a troca de vida,

conhecer vidas para conhecer a sua.

Não é possível saber as vidas,

nem a minha, nem as dos outros.

A vida está, mas não está nos livros,

a vida está, mas não está no corpo.

A vida é troca, escambo, negociação.

Está na biblioteca, nos Bibliotecários,

nos usuários, nas estantes, nos espaços,

nos corredores, nas prateleiras,

nas janelas, nas pessoas das ruas.

Biblioteca mostra a vida, as pessoas.

Biblioteca interfere na vida das pessoas.

Interfere na própria vida.

A biblioteca, assim como a vida,

não pode ter barreiras, limites,

não pode ter paredes, espaços fechados.

A vida, assim como a biblioteca,

não se faz só do que é visível,

material, tangível, mas também

do que é imaterial, intangível.

Vida e biblioteca se misturam,

se mesclam, se imbricam, vivem.

 

Tropecei na Biblioteconomia,

cai na biblioteca, cai na vida.

Autor: Oswaldo Francisco de Almeida Junior

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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.