GESTÃO EMPRESARIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO


INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO COMO BASE DA EVOLUÇÃO DOS MODELOS DE GESTÃO EMPRESARIAL

O século XX foi marcado por intensa revolução no meio empresarial. Após um período de grandes mudanças advindos especialmente de inventos inovadores surgidos nos séculos XVIII e XIX como a locomotiva, carro elétrico, fotografia, telefone, bem como a veemente necessidade de maior desenvolvimento intensificados pela revolução industrial, as escolas de administração passaram a se desenvolver e a criar estruturas de gestão capazes de suportar essa nova ordem.

Na literatura sobre gestão empresarial não raro é destacado que os elementos básicos da administração estão presentes desde os primórdios da humanidade. Planejamento, organização, direção e controle eram fatores necessários para a sobrevivência das civilizações, desde as mais primitivas até as primeiras grandes indústrias nascidas no início do século XX. Maximiano (2000) argumenta que a administração esteve presente desde as civilizações do Egito e Babilônia, passando pela China com a construção da muralha e administração de seu exército, bem como as contribuições da igreja católica romana e suas definições de regras e políticas, passando pelas contribuições da influência militar com conceitos de centralização e descentralização, chegando a Revolução Industrial iniciada na Europa entre 1700 e 1850.

No entanto, estavam presentes também, embora não seja constantemente destacado na literatura da área, dois outros fatores fundamentais para o desenvolvimento humano e empresarial, quais sejam, a informação e o conhecimento.

Após um período intensamente marcado pela Revolução Industrial, muitos modelos de gestão foram construídos e implementados, todos eles pensados na perspectiva da gestão das empresas e suas necessidades. Em pouco mais de cem anos ocorreu uma grande revolução da indústria, incialmente com o advento dos modelos mecanicistas de trabalho – focados na máxima de funcionários trabalhando, “a todo vapor”, em prol de uma produção em massa – alvitrados por Taylor, Fayol, Henri Ford, bem como outros nomes que os sucederam.

Passamos então pela revolução das máquinas e, logo em seguida, pelo vanguardista modelo de gestão humanístico que ponderava o ser humano em detrimento destas mesmas máquinas, seguido pela revolução sistêmica pautada em tecnologias para gestão de dados.

Em um contexto mais atual emergiu a era dos novos modelos de gestão, responsável por abarcar tudo o que se criou ao longo de cem anos; instaurando-se assim o foco nos processos, nos fazeres, no posicionamento de mercado, na imagem da marca, na indústria sustentável, sem deixar de lado o viés humano e as questões sociais que também fariam parte da estratégia competitiva. De fato, foram inúmeros os avanços, as teorias, os conceitos e instrumentos concebidos ao longo de décadas.

Outrossim, compreendo que o advento das chamadas “Era da Informação” e “Era do Conhecimento” fornece o desfecho fundamental para que todos as teorias anteriormente construídas tenham seu propósito consubstanciado. Informação e conhecimento não são conceitos recentes, no entanto, no momento em que a humanidade passa a identifica-los como itens fundamentais de sobrevivência contemporânea, toda a perspectiva empresarial passa a ser repensada. Eis um novo elemento para tudo o que se faça! É como se tudo o que foi construído pudesse ser conectado, registrado, apropriado, compilado, organizado, armazenado, acessado, utilizado e compartilhado. Passamos a vislumbrar que, nada do que foi criado até hoje na esfera da gestão, é passível de ser desempenhado sem que haja a presença efetiva da informação e do conhecimento.

Dificilmente falaremos em um modelo de gestão sem que com isto perpassemos pelas arenas da informação e do conhecimento. A primeira enquanto gênese, a razão de ser de todo processo de integração comunicacional, a base da formulação de estratégias, o principal insumo para registros, o elemento crucial na geração de documentos, o input na criação de instrumentos midiáticos, o capital para uso de suportes tecnológicos; em essência, a principal matéria-prima da comunicação organizacional, social, cultural, biológica, estrutural, educacional de todo agente organizacional. A segunda, resultado da apropriação da primeira, arroga-se de elementos que ultrapassam os fazeres, a cultura, os métodos, as políticas e normas da organização; fundamenta-se no conjunto de informações biológicas, fisiológicas, psicológicas, sociais, culturais, químicas, físicas, de experiências, de instrução, entre outros fatores que formam o conhecimento construído pelos indivíduos ao longo da vida.

Sob esta lógica, é indubitável que todo modelo preconizado pelos grandes nomes que conceberam -e dos que ainda concebem- os modelos de gestão organizacional, estejam todos concernentes aos elementos e conceitos que envolvem a informação e o conhecimento.

Isso porque ambos, indiscutivelmente, permeiam todos os processos de uma organização. Nenhum estrategista é capaz de elaborar um Planejamento Estratégico com exiguidade informacional. Não se pode idealizar a ampliação do Market Share sem uma minuciosa análise de informações acerca do mercado alvo. Prognosticar os resultados do próximo exercício de uma organização seria impossível sem a adequada apreciação de um conjunto de informações. Sistematizar uma vasta área logística sem informações tempestivas seria desastroso. Torna-se altamente arriscado criar a imagem de uma marca sem informações basilares acerca da empresa e dos consumidores. Idealizar o posicionamento estratégico organizacional sem abarcar os conhecimentos internos e externos, poderia representar o insucesso da ação. Um Sistema de Informações só existe porque existem informações a serem gerenciadas. Não se extrai todo o potencial de um indivíduo, no intuito de melhorar o desempenho organizacional, sem transpor o conhecimento que este possui. Ou seja, sobre o que quer que se pense em termos de gestão, lá estão presentes informação e conhecimento.

A Figura 1 apresenta de forma sucinta o modo como os principais fatores de resultado das empresas revelam-se imbricados à informação e ao conhecimento.

Figura 1: Informação, conhecimento e fatores de resultado

 

 

Fonte: elaborado pela autora.

Em suma, todo e qualquer modelo, instrumento, processo, assim como a cultura da organização e as competências ali existentes – elementos que juntos galgam em direção aos resultados – subsistem tendo como insumo informação e conhecimento. Desse modo, toda empresa deve ter como premissa que suas práticas, internas e externas, a conduzirá para os resultados e que aí reside a importância da informação e do conhecimento, uma vez que estes sustentam todos os elementos constituintes dos principais fatores de resultados.

Sabemos serem estes dois dos elementos vitais a todos os fazeres humanos, no entanto, o meio organizacional ainda inicia o caminho do pleno entendimento da importância de compreender a informação e o conhecimento como parte integrante de tudo o que uma empresa faça e, mais do que isso, aprender a utiliza-los de forma estratégica. Surge um longo, mas próspero, caminho a seguir.

REFERÊNCIAS

MAXIMIANO, A. C. A. Introdução a administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

 


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ELAINE CRISTINA LOPES

Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).