MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO


  • Reflexões sobre a Mediação da Informação, englobando aspectos teóricos e práticos.

O QUE É INFORMAÇÃO?

Essa é uma pergunta constante, importante e necessária para todos aqueles que atuam e estudam a Arquivologia, a Biblioteconomia, a Ciência da Informação e a Museologia, pois elas têm como objeto a informação, quer de maneira mais específica ou mais geral. É claro que essa definição também é importante e necessária para todas as áreas do conhecimento humano, mas com maior intensidade para as áreas que elenquei acima.

O termo informação, como você já está cansado de ler em textos especializados da área, é polissêmico, ou seja, possui muitos significados. Nos cursos de graduação em Biblioteconomia - onde possuo minha maior experiência como docente na formação de profissionais - invariavelmente os alunos perguntam qual o significado correto de informação, ou, em outros momentos, eles se queixam que os professores não se entendem, uma vez que cada um deles apresenta um significado para essa palavra. Sempre que ouço isso, insisto na polissemia do termo e tento relacionar esses vários significados com entendimentos mais amplos. Por exemplo, quem trabalha com um conceito matemático da informação, compreenderá essa palavra de forma diferente de quem lida e assume um conceito mais social da informação.

Eu conceituo informação em acordo com o meu pensamento mais geral da área que estou atuando ou pesquisando.

O conceito correto é aquele que atende e responde ao meu pensamento mais geral. Assim, cada professor de um curso de graduação em Biblioteconomia, por exemplo, conceituará informação de forma a responder não só às suas concepções gerais da área, como também as que dizem respeito ao segmento com o qual ele trabalha. Os conceitos podem ser idênticos entre alguns professores, mas, em geral, terão diferenças, às vezes até opostas.

Enfim, o que é informação?

Alguns definem informação pela negação, “informação não é...”. Em boa parte das vezes, essa negação fica implícita e nosso entendimento da definição fica prejudicado. Outros apresentam o conceito de informação de maneira mais objetiva ou de maneira mais subjetiva. 

Creio que a informação deve ser entendida de maneira subjetiva e objetiva ao mesmo tempo. A objetividade da informação, no entanto, não pode ser entendida apenas como algo palpável, tangível, concreto, material. Do mesmo modo, a objetividade da informação não pode ser entendida apenas no momento em que ela é registrada em um determinado suporte ou, para empregar outros termos, quando ela se mescla com um documento para ser apropriada. 

A apropriação da informação dá-se na relação propiciada pela leitura de um determinado documento (escrito, imagético ou sonoro) realizada por um sujeito. Apenas nos apropriamos da informação pela leitura. Esse é um dado importante, pois a leitura pressupõe o leitor como coautor. O leitor interfere no conteúdo da escrita quando lê.

O sujeito que se apropria da informação dá sentido para o que está lendo, recria, reconstrói, transforma, adapta, traduz. A informação nunca é a mesma, ela vai sendo construída durante seu ciclo de vida e vai recebendo significados desde sua criação.

A informação, para mim, é uma construção, elaborada em um processo, constituída de ações, elementos, interferências, situações, interesses, embates e memórias, gerada pela explicitação de segmentos de conhecimentos e que, em um continuum, durante seu ciclo de vida, recebe significados e tende a criar conflitos nos conhecimentos e certezas supostamente constituídos.

Esse é um esboço de conceito de informação, estruturada a partir dos entendimentos que tenho sobre a Arquivologia, a Biblioteconomia, a Ciência da Informação e a Museologia. 

Cada trecho ou segmento desse conceito merece e deve ser discutido, ampliado e aprofundado, mas deixarei essa proposta para outro texto.


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.