LITERATURA INFANTOJUVENIL


O SONHO OU O PESADELO DE SER CRIANÇA

Minha Criança
Todas as crianças são iguais,
mas nem todas trabalham.
Minha criança trabalha na roça
de sol a sol.
Minha criança é escrava e não brinca.
Nem ciranda sabe cantar.
Minha criança tem sonhos,
mas sua vida não é MAR - ME - LA - DA.
(Sueli Bortolin)

É comum as pessoas afirmarem que a infância é a melhor fase da vida. Mais do que isso, muitos adultos fariam tudo para voltar à infância e lá permanecer. Será que podemos afirmar que a infância realmente é um período de alegrias, ou há "o mito da infância feliz"?

Eu posso dizer que tive uma infância feliz. Tive uma mãe que contava histórias, um pai que me carregava na garupa da bicicleta e um avô materno que andava de carroça cheia de netos, assoviando feito um passarinho.

Infelizmente não podemos generalizar e afirmar que todos tiveram uma infância feliz, pois: "minha criança trabalha na roça de sol a sol. Minha criança é escrava e não brinca." E possível ser feliz assim?

O trabalho infantil, por exemplo, é um problema social, uma questão cada dia mais real em diversos países. A sociedade está, a modelo dos séculos 16 e 17, perdendo o conceito de infância. Mais do que isto, a meninice e a puberdade estão em extinção e não estamos percebendo isso, como alerta o crítico social e escritor Neil Postman.

Para ele: "não é concebível que nossa cultura esqueça que precisa de crianças. Mas está a caminho de esquecer que as crianças precisam de infância. Aqueles que insistem em lembrar prestam um nobre serviço".

Serviço este que deve ser executado, urgentemente, por familiares, educadores, bibliotecários, enfim mediadores de leitura, para que, defendendo o direito à fantasia, à imaginação e ao sonho, possamos contribuir para a preservação dos espaços de infância, e conseqüentemente para a "construção" de adultos felizes.

E quem disse que adulto não sonha? Pois eu tenho (desde a infância), e é um "sonho de consumo": possuir uma varinha de condão. E com ela poder transformar as crianças (e os adultos que têm uma criança dentro deles) em seres sonhadores e felizes.

Nossa!! acabo de descobrir que contando histórias, isso é possível... Mas essa é uma conversa para o próximo mês. Aguardem....

Sugestões de Leitura
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 2.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
O MITO da infância feliz: antologia. São Paulo: Summus, 1983.
POSTMAN, Neil. O Desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.