TRANSFORMAÇÃO E MARKETING DIGITAL


  • Esta coluna tem a proposta de convergir os temas tecnologias da informação e comunicação com o marketing digital, visando criar um novo momento de discussão para a inclusão sociodigital nas unidades de informação. Abordaremos temas como: mídias sociais, novas práticas de marketing, internet das coisas, big data, e muito mais em torno da evolução do usuário e do profissional na era digital?

O QUE É COMUTAÇÃO COGNITIVA?

Em palestras, cursos e aulas, “vira e mexi”, estou sempre falando de computação cognitiva e como ela está próxima da Ciência da Informação. Mas, fica a questão: o que é de fato a computação cognitiva?

É o que vou tentar responder de forma simples neste breve artigo.

 

 

Fonte: Imagem de Gordon Johnson por Pixabay (2020).

Exatamente há quatro anos, em outubro de 2016, a IBM, a MS, o Facebook e o Google criaram uma organização batizada de Parterns on AI, visando a criação de padrões e melhores práticas para discutir com a sociedade questões relacionadas a Inteligência Artificial. A IBM chamou suas soluções de IA de computação cognitiva (CC) por se basear principalmente em aplicações com ênfase em linguagem natural.

Vale salientar que a cognição é o processo capaz de permitir a mente humana adquirir conhecimentos a partir de informações captadas pelos nossos sentidos. Desse modo, a computação cognitiva possibilita estruturas computacionais a emular esse processo e permitir a aquisição de dados e informações por meio de “aprendizado” assim como os humanos.

A  CC se utiliza da inteligência computacional para permitir auxílios na tomada de decisões humanas. Isso só é possível graças a capacidade de “aprendizado” que na realidade está mais voltado para treinamentos, inicialmente supervisionados, que permitem que a aplicação possa realizar interações e dar respostas satisfatórias não supervisionadas. Destaque que uma resposta satisfatória, nesse sentido, irá depender do treinamento realizado, da qualidade dos dados disponibilizados, das atribuições determinadas na descrição das entidades e curadoria das interações que os sistemas cognitivos irão desenvolver com os humanos. 

Diferença básica da programação tradicional e o aprendizado de máquina

 

 

Fonte: Neves (2020)

Ao se falar de computação cognitiva estamos tratando de aprendizado de máquina. Envolve aprendizado profundo, supervisionado e não supervisionado da máquina. De forma sucinta, a computação cognitiva se refere a computadores executarem ou emularem ações baseadas em aspectos cognitivos como seres humanos fazem (NEVES, 2018).

Quais as perspectivas e aplicações (positivas) da computação cognitiva na Ciência da Informação?

Não pretendo abordar todas as perspectivas e aplicações da CC na CI aqui neste artigo breve, mas acho que vale a pena pontuar alguns itens que merecem destaque:

  • Transformação do trabalho dos profissionais da CI em poucos anos por meio de uso de sistemas inteligentes;
  • Melhoria do processamento de informações,
  • Apoio à pesquisa;
  • Apoio ao atendimento inicial do usuário;
  • Técnicas do aprendizado de máquina incorporados aos sistemas de automação e de gestão de acervos;
  • Atuação dos profissionais da Ciência da Informação como especialistas capazes de intermediar os usuários com a IA;
  • Ampliação de campos de trabalhos em equipes de implementação de computação cognitiva em diversas áreas;
  • A curadoria digital na representação da informação.

Como tenho defendido em outros textos, é possível vislumbrar aspectos positivos na ciência da informação desde que os bibliotecários, arquivistas e museólogos se apropriem deste debate que envolve toda a sociedade e demonstre a relevância de suas competências enquanto profissionais que possuem familiaridade com todo o processo informacional, cadeia de custódia e pós custodial e dos padrões de metadados.   

Saiba mais sobre este e outros assuntos de tecnologia digital acessando o LTI Digital (https://ltidigital.ufba.br/ ). Se quiser aprofundar um pouco mais também sugiro que você veja estes textos:

Neves, B. C. Inteligência artificial e computação cognitiva em unidades de informação: conceitos e experiências. Logeion: Filosofia da Informação, v. 7, n. 1, p. 186-205, 13 set. 2020. - http://revista.ibict.br/fiinf/article/view/5260.

BAKER, J. J. (2018): “A legal research odyssey: artificial intelligence as disruptor”. Law Library Journal. Winter 2018, Vol. 110 Issue 1.

Assista também o Vídeo: https://youtu.be/t3mKm0U0HEg


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BARBARA COELHO

Doutora em Educação, mestre em Ciência da Informação. Graduada em Biblioteconomia e Letras. Atualmente em estudos de Pós-doutorado sobre Marketing Digital para Educação pela UNB. Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFS. Coordena o Laboratório de Tecnologias Informacionais e Inclusão Digital (LTI). Palestrante e autora do livro Tecnologia e Mediação: uma abordagem cognitiva para inclusão digital.