LITERATURA INFANTOJUVENIL


A CRIATIVIDADE DO MEU ÍDOLO ZIRALDO

Não me canso de afirmar que a literatura infantil brasileira não fica nem um centímetro atrás das criativas publicações dos países ditos do Primeiro Mundo.

 

Temos tantos autores e ilustradores maravilhosamente criativos no Brasil, que para não correr o risco de ser injusta, não vou citá-los aqui. Mesmo porque você pode encontrá-los nesta coluna mês a mês.

 

Fazendo uma retrospectiva, afinal final de ano é tempo de retrospectiva, pego a pasta em que guardo as cópias dos meus escritos e descubro que nunca, nunquinha falei nesta Coluna, desde fevereiro de 2003, da criatividade do meu maior ídolo (que falha!).

 

Então, não sei se é muita saudade ou se é consciência pesada, resolvo falar de alguns textos dele (apenas uns textos). Quem me conhece, já sabe de quem estou falando. Aos que não me conhecem, confesso abertamente minha grande e antiga paixão pelo Ziraldo.

 

Conheci Ziraldo na Bienal Internacional do Livro em São Paulo em 1986, após ficar 50 minutos em uma fila esperando ansiosamente por um autógrafo. Ao me aproximar disse a ele: “Ziraldo queremos levar você para um encontro com seus fãs londrinenses, você topa?!” O convite foi aceito imediatamente e dois meses depois, uma fila tão grande quanto à de São Paulo se instalou no Calçadão de Londrina.

 

Depois disso, para cumprir minha tarefa de fã direitinho, criei o Fã Clube do Ziraldo, montei uma livraria especializada cujo nome fantasia era MALUQUINHA, trouxe o Ziraldo mais algumas vezes à Londrina e quando não trouxe acompanhei a sua estada aqui. Se não fui, mandei bilhete, e-mail, um telefonema. Estivemos juntos em vários eventos: Rio de Janeiro, Campinas e Curitiba e havia sempre um tempinho para um sorriso, um abraço e logicamente um autógrafo.

 

E por mais que eu me controle (também não sei pra que me controlar!) falo e falarei muitas e muitas vezes de seus textos e suas ilustrações (nunca sei do que eu gosto mais – texto – imagem – imagem – texto. Bom, tudo é texto!).

 

Assim, opto agora em falar de alguns textos que estavam espalhados em 26 livros e agora se encontram reunidos em um livrão (Isso, livrão! Detesto a palavra livrinho!) Quero falar da Coleção ABZ (excelente presente). Cada texto narra a história de uma letra do alfabeto, incluindo o K, W e Y.

 

Entre as 26 histórias, eu escolho “A História do I que engoliu o pinguinho”. Mas porque entre tantas histórias eu escolho esta? Oras bolas, primeiro porque para se contar uma história é importante gostar dela. Segundo, a forma criativa de seu texto é marcante.

 

É a história de uma letra que se chamava Fifi, uma letra muito falante que um dia engoliu e que por isso foi expulsa do alfabeto. E depois da expulsão, acredite quem quiser, Ziraldo, até achar a solução, utilizou em um texto mui divertido, 460 palavras sem usar a letra i.

 

E como termina essa história? Não vou dizer, pois se eu contar você não lê!

 

Gosto também da história do S, claro que quando comprei foi para saber a história da letra do meu nome (narcisismo!). O título do livro é: “O S feinho”. Identifiquei-me muito com a história, pois tenho medo da perfeição. Tanto é que gosto de assistir filmes como: “Corcunda de Notre Dame”, “A Bela e a Fera” e “Shrek”.

 

Mas voltemos ao livro: ele narra a história de uma letra que esperava em seu ninho o nascimento do último ovo de sua ninhada:

 

“Mamãe S ficou muito intrigada:

daquele ovo, pois, ninguém nascia.

E veio a tarde e só no fim do dia

é que se ouviu a primeira bicada.

 

O ovo já quebrado, o que se via?

Um S torto e desinquieto,

a letrinha mais feia do Alfabeto

(que é por onde esta história principia)”.

 

Você está ficando triste, mas não reclame da Coluna desse mês, e sei que ela está recortada, mas o que eu quero é deixá-lo bem curioso (a) e levá-lo (a) ao encontro desses textos.

 

Então lá vai mais uma história inacabada:

 

“Era uma vez uma letra D que era uma antropófaga. Como? Como? Como? Como? Como é? Você não sabe o que é um antropófago? Vamos fazer o seguinte: seguimos para a outra página e começamos de novo. Era uma vez uma letra D que era uma canibal? Como? Como? Como? Como? Como é? Você não sabe o que é um canibal? Um canibal é a mesma coisa que um antropófago. Se um dia ele encontrar você no meio do mato, em vez de lhe perguntar: ‘Como? Como? Como? Como?’ Dirá simplesmente: Como!”

 

Ao finalizar a Coluna e para abaixar a adrenalina da minha tietagem vou acrescentar a “voz” do poeta Ivo Barroso ao falar da Coleção ABZ “Ah! Este é o maior livro de literatura infantil de todos os tempos! Maior em vários sentidos: maior pelo número de páginas, maior pela riqueza das ilustrações, maior pela inventividade do texto e maior porque, sendo um livro para menores, será disputado valentemente pelos maiores da casa”.

 

Visite os sites:

 

www.ziraldo.com.br/

www.educacional.com.br/ziraldo/

 

 

 

FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊ! E para o ZIRALDO MUITA SAÚDE!

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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.