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SE A BIBLIOTECA É LIVRE O BIBLIOTECÁRIO É TOTAL FREE

Atualmente, não há dúvida que a nossa sociedade, ou como gostam de chamar alguns autores – a sociedade da informação está imersa em um processo continuo de conectividade de transmissão de conhecimento e informação. E o conhecimento é um bem social fundamental da humanidade. A ciência, por exemplo, somente pôde se desenvolver devido à liberdade que assegure a transmissão e o compartilhamento do conhecimento. Sob tal ótica, organizar, manter, e potencializar os serviços de uma biblioteca torna-se cada vez mais complexo e essencial para a transmissão da informação e do conhecimento, além da dependência de recursos e soluções tecnológicas.

A tecnologia não é apenas um instrumento, mas ferramental necessário ao bibliotecário para atender condignamente a sua comunidade, e desempenhar satisfatoriamente suas atividades. Nesta finalidade, a busca por padronização que mantenha uma maior interoperabilidade entre os sistemas, e a preservação dos conteúdos de informação torna significativa a adoção de tecnologias abertas. Desta forma, ganha importância a opção pelo software livre e/ou de fonte aberta. Opção que agrega a liberdade de uso, estudo e customização às necessidades, aperfeiçoamentos e melhorias ao programa adotado. O acesso ao código fonte é uma condição previa da condição de software ser livre.

Bibliotecas podem agora dispor livremente destes recursos em diversas aplicações para o tratamento da documentação. Bibliotecários estão totalmente liberados para escolher os sistemas que melhor atendam as suas necessidades. Sob esse enfoque são relacionados alguns programas citados na literatura internacional sobre software para bibliotecas e centros de documentação. Não se faz juízo de valores, deixa-se ao bibliotecário esse requisito.

Inicia-se com softwares de GED (gerenciamento eletrônico de documentos). Ferramentas que possibilitam administrar documentos eletrônicos circulados ou produzidos em uma organização. São programas que permitem criar fluxos de trabalho, controlar as versões de documentos etc. Apresentam como funcionalidades básicas: edição de documentos; sistema de classificação documental; recursos de busca; controle e gestão dos fluxos de trabalho; diferentes níveis de acesso; e controle do histórico de versões. Nesta categoria cita-se:

·        Alfresco: software para a gestão de conteúdos e imagens na web. Também aplicado na gestão de conhecimento e de redes colaborativas. Configura-se como uma das principais alternativas de código aberto para a gestão de conteúdos em empresas.

·        Nuxeo: programa para o gerenciamento de documentos corporativos. Apresenta recursos dedicados aos serviços de organização da informação (gestão de conteúdos e metadados, controles de acesso, indexação, consulta, controle de versões, eventos e gestão do ciclo de vida documental).

·        Maarch: software orientado ao tratamento de grandes volumes de recursos digitais. Oferece funções de importação e circulação de documentos possibilitando a conservação e a exploração dos recursos digitais de uma organização, adaptado aos regulamentos internacionais sobre o arquivo de documentos.

·        KnowledgeTree: software que apresenta recursos de conexão de pessoas, processos e ideias. Oferece opções de colaboração e de armazenamento com segurança de todos os documentos críticos para a gestão de negócio.

 

Muitas organizações se deparam com a necessidade de gerir a documentação arquivística. Na categoria de sistemas para gestão de arquivos encontra-se:

·        Archon: software para arquivistas e bibliotecários. Automatiza a publicação de informações descritivas de arquivo e objetos digitais. O sistema possui um poderoso “scripts” que torna todo o conteúdo do repositório pesquisável e navegável. O sistema também gera registros em formato EAD (Encoded Archival Description) e MARC (Machine Readable Cataloging).

 

Bibliotecas em geral envolvem-se com projetos de criação de repositórios digitais. As ferramentas para tais recursos são orientadas para a coleta, organização e armazenamento digital da produção de conteúdo gerada pelos membros de uma instituição ou uma comunidade social. Atualmente, têm grande aplicação nas instituições acadêmicas, como plataforma de serviço gerenciado pelas bibliotecas universitárias para depósito da produção acadêmica. Apresentam como características básicas: adoção do padrão de metadados Dublin Core; protocolo OAI-PMH; importação e exportação de registros em diferentes formatos (CSV, RSS, etc.); recursos de estatísticas de acesso e de download de arquivos; identificação persistente dos endereços (URLs); licenças baseadas no Creative Commons de acesso e uso dos conteúdos. Softwares citados:

·        Dspace: programa com recursos de captura, armazenamento, indexação, preservação, gerenciamento, disseminação e distribuição da produção científica e acadêmica (em formato digital). É o resultado de um projeto desenvolvido em parceria pelos laboratórios da HP (Hewlett Packard) e as bibliotecas do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

·        E-Prints: plataforma da mais flexível, simples e rápida para a construção de repositórios de: literatura e dados científicos, dissertações e teses acadêmicas, relatórios de projetos, obras em multimídia, materiais didáticos, coleções acadêmicas, além de outras variedades de formatos de publicações eletrônicas. O sistema foi desenvolvido pela Universidade de Southampton.

·        Fedora: sistema dedicado à construção e gerenciamento de repositório, que se baseia em arquitetura moldada para suportar uma ampla variedade e quantidade de objetos digitais. Cada documento é um objeto (digital) dinâmico ao qual se associam uma série de elementos (anotações, gráficos, etc.), de forma que a sua manutenção, gestão, acesso, difusão e reutilização sejam muito mais flexíveis. Foi desenvolvido para ser uma base onde os futuros repositórios e outros sistemas de bibliotecas digitais, baseados no conceito da interoperabilidade do ambiente Web, possam ser construídos.  É o resultado de trabalho conjunto entre a Universidade de Virgínia e Universidade de Cornell.

 

Sistemas dedicados à criação e gestão de coleções de recursos eletrônicos ou bibliotecas digitais. Permite o desenvolvimento de uma classificação temática para distribuir e organizar uma relação de endereços web ou outros tipos de recursos digitais (documentos eletrônicos, CD-ROMs, etc.). Apresentam como características internas: recursos de busca por texto completo, campos específicos ou indexação temática; organização documental mediante classificação; uso de metadados; e acesso a informação por meio de interfaces web. Sistemas citados:

·        Greenstone: programa cujo principal objetivo é o de incentivar universidades, bibliotecas e outras instituições a construírem as suas próprias bibliotecas digitais. Composto de um conjunto de rotinas e aplicações voltadas para a criação, construção e difusão de coleções digitais, oferecendo uma forma de organização e publicação de informações na Internet ou em mídias removíveis (CD-ROM/DVD). Desenvolvido pelo Departamento de Informática da Universidade de Waikato, Nova Zelândia, sendo distribuído em cooperação com a UNESCO e a organização não governamental Human Info NGO.

·        Potnia: programa para geração de diretórios temáticos, desenvolvido para coleções de recursos científicos, revistas eletrônicas, publicações, bases de dados, etc. Sua estrutura de base de dados adota o padrão definido pelo conjunto de metadados Dublin Core.

 

Bibliotecários necessitam dispor conteúdo na rede sem necessidade de profundos domínios nas linguagens de marcação. Para essa finalidade há sistemas que permitem desenhar, gerenciar e manter um website. Funcionam a partir de módulos que podem ser instalados para ampliar a inclusão de novos conteúdos e serviços na  web. Por exemplo, recursos de criação de fóruns de discussão, galeria de imagens, RSS etc. Programas indicados:

·        Joomla: é um conhecido gerenciador de conteúdo. Permite a geração de páginas web simples às mais complexas. Sua aplicação destina-se a web corporativa, intranet, páginas pessoais, etc. Sua popularidade decorre de ser um programa fácil de instalar e de manejar.

·        Drupal: premiado sistema de gerenciamento de conteúdos para a web. Permite publicar conteúdos textuais, imagens e qualquer outro tipo de material. Possibilita agregar outros recursos para ampliar os serviços oferecidos. Também incluí entre seus módulos recursos de catálogo online 2.0 para bibliotecas.

 

As características de um programa de automação de bibliotecas são bem conhecidas pelo bibliotecário. Apresenta funcionalidades importantes como: adotar formato MARC21 e o protocolo Z39.50; possuir gestão de autoridades (autores, editores, assuntos); controlar empréstimos e reservas; realizar importação e exportação de registros; gerenciar assinaturas de revistas; incrementar gestão de aquisição e controle de pedidos; recursos de administração (estatísticas de uso do serviço). Ferramenta fundamental para estruturação de bibliotecas tradicionais. Softwares citados:

·        PMB: sistema de gestão de uma rede de bibliotecas integrada em um catálogo coletivo. Implementa o formato UNIMARC, porém incorpora recursos de conversão e exportação para os formatos USMARC, MARC21 e XML.

·        Koha: sistema integrado de gestão de grandes bibliotecas ou catálogos coletivos. Sua configuração é baseada na tecnologia cliente-servidor.

·        Openbiblio: sistema integrado de gestão de bibliotecas por meio da web. Contém módulos de administração, catalogação, empréstimo e geração de alertas. Oferece recursos de ajuda para cada módulo.

 

Na atividade bibliotecária software para construção de tesauros se apresenta importante para a gestão de linguagens documentais através de interfaces web e que podem ser integradas a outros sistemas como catálogos bibliográficos. Com essa finalidade é encontrado o Tematres um sistema para o desenvolvimento de tesauros hierárquicos, que se pode utilizar para desenvolver estruturas de navegação web, ou como complemento articulado com um programa de gestão de conteúdos, bibliotecas digitais, ou em uma biblioteca tradicional para gerenciar o vocabulário em uso.

Levantamento bibliográfico é uma atividade comum em bibliotecas. Bons sistemas de gestão e criação de referências bibliográficas são interessantes ao bibliotecário para suporte aos projetos de pesquisa, por exemplo. Programa citado é o Refbase um programa para a gestão de bibliografias que permite criar uma coleção de referências bibliográficas para inclusão em um documento de texto no formato de citação bibliográfica. Refbase importa e exporta as referências em vários formatos (incluindo BibTeX, EndNote, PubMed, ISI Web of Science, RefWorks, MODS XML, OpenOffice e MS Word). Possibilita elaborar listas formatadas de citações em HTML, RTF, PDF ou LaTeX, e oferece uma completa busca e suporte a RSS.

Atualmente bibliotecas universitárias e públicas promovem programas de competências em informação, transformam-se em centros referenciais de aprendizagem e informação. Neste aspecto fazem uso de plataformas que apresentam como características a gestão das tarefas, de exercícios, e de processos avaliativos. Além de conter recursos de fórum e chat; e espaço para dispor materiais didáticos. A finalidade básica destes programas é apoiar a construção do conhecimento por meio de estrutura computacional colaborativa, onde o professor ou o bibliotecário criam espaços de aprendizagem dedicado aos  estudantes. Como exemplo de sistema encontra-se o Moodle uma plataforma para gestão da aprendizagem em linha, desenvolvido em PHP e operando com o banco de dados SQL.

 

Finalizando

Há muitas alternativas de programas para seleção e avaliação pelo bibliotecário. Mesmo nacionalmente surgem bons recursos para uso em bibliotecas. Um repositório rico em sistemas para biblioteca é o SourceForge. Vale a visita para conhecer as opções existentes. Outro excelente site que sistematiza informações atualizadas relacionadas com automação de biblioteca é o “Sobre Sites Biblioteconomia”. As opções de sistemas por serem de uso livre ou de código aberto abrem possibilidades de negócio para bibliotecários empreendedores interessados na prestação de serviço para instalação e capacitação ao uso destas ferramentas.

 

Relação de links dos sistemas citados e Fontes de consulta:

Alfresco - http://www.alfresco.com/es/about/

Alfresco Developer Guide - http://www.packtpub.com/alfresco-developer-guide/book

Archon - http://www.archon.org/

Drupal - http://drupal.org

DSpace - http://www.dspace.org/

EPrints - http://www.eprints.org

Fedora - http://www.fedora.info

Fernando Modesto. DSPACE na biblioteca para ampliar os serviços de informação, InfoHome: coluna online/offline, dezembro 2005. http://migre.me/bzGz 

Fernando Modesto. FEDORA. Deixando no ar os conteúdos digitais, InfoHome: coluna online/offline, julho 2006. http://migre.me/bzGS 

Fernando Modesto. No meio do caminho para biblioteca digital tem o Greenstone; tem o Greenstone no meio do caminho para a biblioteca digital. InfoHome: coluna Online/Offline, novembro 2005. http://migre.me/bzH3

Greenstone - http://www.greenstone.org

Joomla - http://www.joomla.com.br/

KnowledgeTree - http://www.knowledgetree.com/

Koha - http://www.koha.org

Maarch - http://www.maarch.org/

Moodle - http://www.moodle.org

Nuxeo - http://www.nuxeo.com/en/products/ep

OpenBiblio - http://obiblio.sourceforge.net/

PMB - http://www.sigb.net/

Potnia - http://potnia.sourceforge.net/

Refbase - http://www.refbase.net/index.php/Web_Reference_Database

Tematres - http://www.r020.com.ar/tematres/

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FERNANDO MODESTO

Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.