ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO


O PODER DA INFORMAÇÃO EM CONTEXTOS EMPRESARIAIS

Elaine Cristina Lopes

 

As recentes turbulências ocorridas nos últimos anos envolvendo o contexto econômico e financeiro impactam de forma especial no meio organizacional. São muitas as crises que alcançaram âmbito mundial, hora na economia americana, hora na economia européia e, portanto, possuem o poder de impactar todos os ambientes organizacionais de forma global causando não apenas um sentimento de preocupação, mas também de certa impotência em grande parte gerada pelo desconhecimento, tanto dos reais impactos em economias locais, quanto sobre as formas de se proteger.

 

Tomando-se como exemplo as crises ocorridas nos últimos dois anos, como o caso da crise imobiliária americana e a recente crise na Grécia, percebe-se que o que de fato amplia o potencial dos impactos negativos especialmente em países emergentes é a velocidade com que as informações são disseminadas, em muitos casos não há tempo para avaliá-las de forma consistente, prevalecendo, portanto, o caráter instintivo predominante em investidores que buscam direcionar seus recursos aos países em desenvolvimento. O Brasil que possui um meio organizacional diverso, forte e com potencial de crescimento, além de um mercado de capitais eficiente e bem estruturado, recebe todos os anos bilhões de recursos de investidores estrangeiros.

 

Mas o que faz com que o Brasil – um país que apresenta possibilidades de estabilidade econômica e empresas com grandes resultados, além de possuir  uma das maiores bolsas de valores do mundo –, ainda sofra tantos impactos advindos de crises externas? A explicação não é de difícil compreensão, considerando que os investidores externos direcionam seus recursos para investimentos em ações de empresas instaladas em países com potencial de desenvolvimento. Contudo, quando ocorrem crises em países considerados potências econômicas ou, ainda, em países que fazem parte de blocos econômicos reconhecidamente sólidos, os investidores automaticamente pensam “se uma potência econômica está em crise, o que irá acontecer com um país que ainda está em desenvolvimento?”. Desse modo, eles retiram seus investimentos de países emergentes, o que acarreta não só a desvalorização do valor das ações das empresas, mas também na evasão de moeda estrangeira e, consequentemente, desvalorização do real frente ao dólar. Essa é a explicação para a elevação do valor do dólar sempre que ocorre uma crise e queda nos negócios da bolsa de valores brasileira. Contudo, a desvalorização do dólar acaba prejudicando os negócios de empresas cujos insumos são importados ou empresas com endividamento atrelado a moeda americana, além da própria balança de pagamentos do governo.

 

Considerando esse contexto complexo, uma preocupação recorrente é a forma como as organizações podem se prevenir e, assim, atenuar os impactos de crises em seus negócios. Uma forma seria através da gestão estratégica da informação, que especialmente em organizações menores é pouco utilizada. Considera-se que a gestão das informações realizada interna e externamente é capaz de proporcionar meios da empresa conhecer melhor o seu negócio, seus públicos de interesse e especialmente os eventos externos que podem causar impactos negativos.

 

A gestão da informação tem como objetivo apoiar a gestão das empresas por meio de processos que tornem mais eficientes e acessíveis a informação e sua articulação em todos os âmbitos. Nesse sentido, implantar modelos de gestão da informação permite que as empresas possuam subsídios informacionais para o processo decisório, podendo assim selecionar a informação relevante para apoiar todas as fases dos processos de tomada de decisão. Os processos pautados na gestão da informação contemplam todas as áreas de uma empresa, isso porque a informação é elemento fundamental para os fazeres das rotinas empresariais.

 

Através dos fluxos informacionais, formais ou informais, a informação perpassa todos os ambientes da empresa fazendo parte dos processos organizacionais de forma natural, podendo existir sob a forma registrada e não registrada. Os fluxos formais são decorrentes da própria estrutura da empresa, ou seja, rotinas e elementos aplicados aos fazeres produtivos, perpassando os sistemas formais da empresa: portais corporativos, Intranets, relatórios, registros, documentos contendo normas e códigos, entre outros. Quanto aos fluxos informais, esses podem surgir através de reuniões e eventos não registrados em algum tipo de suporte, ou até mesmo em conversas entre os funcionários, estando relacionado à estrutura intelectual de cada indivíduo atuante na empresa. Ressalta-se que os fluxos informais, em geral, assumem a forma não registrada, considerando se tratarem de diálogos e interações não formalizados entre sujeitos e, portanto, não registrados em suportes, mas podem ser proveitosos quando percebidos como uma forma de compartilhamento de experiências e transmissão de conhecimentos.

 

Os fluxos informacionais, tantos formais quanto informais, se constituem a partir dos elos entre uma fonte e um receptor ou entre dois distintos receptores, que proporciona a dinâmica da transferência de informações. Assim, destaca-se que através do conhecimento e aplicação de modelos efetivos para mapear, prospectar, filtrar, tratar e disponibilizar informações é possível aperfeiçoar os fluxos informacionais, propiciando seu uso racional e eficiente. É fundamental que uma empresa compreenda a importância de gerir de forma correta as informações existentes no ambiente interno e externo, podendo assim obter vantagem competitiva, além de minimizar os impactos causados pelas crises.

 

Elaine Lopes - Doutoranda em Ciência da Informação pela UNESP/Marília. Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/Marília. Especialista em Controladoria Empresarial e bacharel em Administração. e-mail: lainelopes@hotmail.com


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MARTA LIGIA POMIM VALENTIM

Professora Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. Livre Docente em Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional pela Unesp. Docente de graduação e pós-graduação da Unesp, campus de Marília. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa "Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional". Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Unesp, campus de Marília, gestão 2017-2021. Presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), gestão 2016-2019.