LITERATURA INFANTOJUVENIL


BOLHAS, MUITAS BOLHAS EM 2013

Viramos o calendário novamente...

 

Eu confesso que não gosto das festas de final de ano por um motivo bem específico, não precisamos ser fraternos, solidários, amáveis, carinhosos etc. apenas no final de dezembro e início de janeiro.

 

Nem tenho aquela preocupação de dar presentes obrigatórios, prefiro comprar presentes no decorrer do ano e sem a motivação de datas e calendários.

 

Acho também que tenho presenteado pouco nos últimos anos, me desculpem os meus entes queridos, ando muito estressada, muita correria no dia a dia. Para resolver isso, resolvi pensar nos motivos de tanto cansaço.

 

Eureka descobri!

 

Primeiro: Faz uns 10 anos que eu não solto bolhas de sabão (uma ação terapêutica que eu sempre pratiquei quando não morava em apartamento e ficava sentada nos galhos de uma goiabeira no quintal lá de casa).

 

Segundo: Quase não tenho lido poesias (a necessidade de publicar textos acadêmicos está ocupando meus mínimos momentos de lazer).

 

Continuava com os meus pensamentos quando no dia 15 de janeiro a Folha de São Paulo publicou uma reportagem intitulada Ler poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas.

 

Ler autores clássicos, como Shakespeare, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.

 

Bingo! Decide tirar da estante alguns livros e deixar no meio do caminho (pois “no meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”). Nesse caso, pedras preciosas que além de tropeçar diariamente, quero polir meu cansaço.

 

Então esparramei no sofá todos os meus livros infantis de poesia e me reencontrei com Luís Camargo, José Paulo Paes, Mario Quintana, Angela Leite de Souza, Almir Correia, Roseana Murray, Glória Kirinus... Que banquete!

 

Querendo casar poesia com bolhas de sabão eu me lembrei de um poema da Maria Helena de Moura Arias que falava de bolhas, e eu “enxerida” que sou, resolvi ir atrás dela perguntar por que não havia publicado as poesias infantis que expusemos, em 1990, na Bienal do Livro de Londrina. Ela respondeu - publiquei no ano passado no livro – Poesia é Magia. Fui à Livraria Ciranda e lá encontrei o livro e a poesia que eu queira estava em primeiro lugar a minha espera...

 

BOLHA DE SABÃO

 

Uma bolha de sabão

            passa solitária por esta janela,

                                   vai ao encontro

                                   daquelas flores

                        avermelhadas da paineira.

 

Nessa mesma livraria encontrei no balcão o último CD da coleção Palavra Cantada (Um Minutinho) e resolvi me presentear. Chegando em casa outra surpresa, descobri essa música do Paulo Tatit:

 

BOLINHAS DE SABÃO

 

Olha lá uma bolinha de sa*

E vem outra bolinha de sa*

1, 2, 3 são bolinhas ***

Eu adoro ver bolinhas de* sa* bão*

 

Evidentemente que de maneira escrita essa poesia não apresenta a pulsação da música, mas um pouco de imaginação ajuda...

 

Não parei por aí... Relendo os meus livros infantis, encontrei Carlos Urbim (que também conheci na Bienal do Livro de Londrina, quando os alunos do curso de Biblioteconomia da UEL patrocinaram a vinda dele à Londrina).

 

No livro - Saco de Brinquedos achei essa poesia:

 

BOLHA DE SABÃO

 

BASTA UM COPO D’ÁGUA

UM POUCO DE SABÃO

CANUDO PRA SOPRAR

- TEM QUE SER DEVAGAR!

 

A BOLHA SE FORMA

MANDA PRO AR

A ESFERA TRANSPARENTE

QUE ENCANTA A GENTE

 

HÁ QUEM ESCOLHA

ENXERGAR NUMA BOLHA

UM ESTRANHO ESCAFANDRO

DE UM ET MALANDRO

 

Estava me esquecendo da Cecília Meireles, quando as minhas irmãs me lembraram do poema Bolhas (que não apenas de sabão) que está no livro – Ou isso ou aquilo e que a TV Cultura no programa Castelo Rá Tim Bum animou:

 

BOLHAS

 

Olha a bolha d’água

no galho!

Olha o orvalho!

 

Olha a bolha de vinho

na rolha!

Olha a bolha!

 

Olha a bolha na mão

que trabalha!

 

Olha a bolha de sabão

na ponta da palha:

brilha, espelha

e se espalha

Olha a bolha!

 

Olha a bolha!

que molha

a mão do menino:

 

A bolha da chuva da calha!

 

Vou terminando por aqui, pois estou precisando ir para minha terapia, estou na casa da minha irmã, apesar de não ter um pé de goiaba, vou soltar com meus sobrinhos, bolhas de sabão.

 

Sugestões de Leitura:

 

ARIAS, Maria Helena de Moura. Poesia é magia. São Paulo: Scortecci, 2012.

 

BOLHAS de Cecília Meireles. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=NdP0C9n_st8>. Acesso em: 12 jan.2013.

 

LER poesia é mais útil para o cérebro que livros de autoajuda, dizem cientistas. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1215067-ler-poesia-e-mais-util-para-o-cerebro-que-livros-de-autoajuda-dizem-cientistas.shtml>. Acesso em: 19 jan. 2013.

 

MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

 

TATIT, Paulo. Bolinhas de sabão. In: Um minutinho.1 CD.

 

URBIM, Carlos. Saco de brinquedos. 4.ed. Porto Alegre, 2004.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.