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EDSON NERY DA FONSECA
[Maio/2004]

(Edson Nery da Fonseca - bibliotecário)

Não me lembro de ter visto biblioteca nos colégios em que segui os cursos primário, de admissão e ginasial, este concluído em 1939. No Ginásio Pernambuco, hoje Colégio Estadual de Pernambuco, onde concluí o curso pré-jurídico, havia excelente biblioteca, constituída, entretanto, mais de obras raras do que modernas. O jornalista Aníbal Fernandes, que era diretor do Ginásio Pernambuco e professor de literatura, emprestava-nos livros de sua própria biblioteca e assim conheci o melhor de Eça, Antero, Antônio Nobre, Machado de Assis, Verlaine e o desconhecido mas admirável Visconde de Santo Tirso. Ele também fazia questão de mostrar aos alunos como se preparava e imprimia o Diário de Pernambuco, onde exercia as funções de diretor, editorialista e redator de duas seções diárias: "Coisas da Cidade" e "Crônica Internacional". Era, como se vê, um recifense universal. Quando descobriu que eu também era admirador incondicional do então já seu velho amigo Gilberto Freyre, deu-me de presente um dos últimos exemplares do Livro do Nordeste, primeira obra nacional de caráter interdisciplinar e regional, organizada por Gilberto Freyre para comemorar, em 1925, o primeiro centenário do mais antigo jornal em circulação na América Latina.

Foi em 1939 e por influência dos professores Álvaro Lins e Nilo Pereira que comecei a me interessar vivamente pelas Humanidades. Freqüentei muito, a partir de então, a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, principalmente para conhecer as novidades literárias em revistas nacionais e estrangeiras.
A biblioteca da cidade, portanto, não foi significativa para minha formação; foi, talvez, útil para minha informação. Seguindo o exemplo de Gilberto Freyre, Olívio Montenegro, Aníbal Fernandes e outros intelectuais contemporâneos, procurei formar, desde jovem, minha própria biblioteca particular. João Cabral de Melo Neto, grande poeta brasileiro e meu amigo, costuma dizer que é formado em letras pela biblioteca de Willy Levin, outro intelectual recifense que possuía grande e selecionada biblioteca. Creio poder dizer que fiz minha formação literária na Livraria Imperatriz, de Jacob Berenstein, na livraria da Companhia Editora Nacional, nas Livrarias Colombo, Contemporânea e Moderna, comprando livros nessas livrarias, algumas delas desaparecidas, e nas quais não era raro se encontrar, em boas edições originais, as obras-primas da cultura universal.

(Fonte: FONSECA, Edson Nery. Depoimento. A biblioteca de cada um. Palavra Chave, São Paulo, n.1, p.7, maio 1982)



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