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O MERCADO DE TRABALHO NA ÁREA DE BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO NO SÉCULO XXI: NOVA VERSÃO – JULHO DE 2014

O presente trabalho é uma análise do mercado de trabalho para os profissionais da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação nos dias de hoje. Aborda as competências básicas que os profissionais da Informação devem ter para se manterem empregados, isto é, domínio das diversas tecnologias da informação (uso de redes sociais, web 2.0 etc.) e aborda também a importância da educação continuada para a carreira profissional de todos os profissionais que atuam no competitivo mercado de trabalho do século XXI.

 

Palavras-chave. Mercado de trabalho; Ciência da Informação, competências profissionais; educação continuada; web 2.0; biblioteca 2.0.

 

O mercado de trabalho tem sofrido grandes mudanças desde o surgimento da Informática, do uso da Internet, do uso das intranets das organizações e do uso das comunicações virtuais que conectam profissionais, empresas da iniciativa privada e pública e terceiro setor.

 

Na primeira metade da década de 1990, o uso da Internet era limitado a pesquisadores, estudantes de pós-graduação em centros de pesquisa e em universidades.

 

Com o rápido desenvolvimento do mundo virtual, as organizações, centros de pesquisa, e pessoas físicas perceberam que o mercado de trabalho iria  sofrer mudanças radicais e tanto as empresas quanto os profissionais teriam que se adaptar para se manterem neste novo mercado de trabalho e sobreviverem em um mundo cada vez mais competitivo onde as exigências e necessidades são cada vez maiores.

 

As tecnologias da informação devem ser consideradas ferramentas básicas do trabalho dentro de uma unidade de informação, uma vez que o processamento técnico, o gerenciamento, a recuperação e a disseminação de informações através destas tecnologias são mais eficientes e eficazes. Fazendo um histórico no período pré-internet, as bibliotecas brasileiras apresentavam uma estrutura tradicional, com os seus catálogos tradicionais externos voltados aos consulentes e os internos voltados para os profissionais das bibliotecas, onde todo o acervo da biblioteca estava representado em fichas catalográficas, datilografadas uma a uma, com a finalidade de descrever o conteúdo de cada obra bibliográfica e a sua localização nas estantes através do número de chamada.

 

Segundo Marcondes & Mendonça (2005) a web representa uma mudança de paradigma radical com relação aos serviços bibliotecários, pois ela proporciona um ambiente informacional amplo, global, de um alcance nunca visto pelos antigos serviços bibliotecários, acostumados a trabalhar num ambiente delimitado, com uma comunidade de usuários identificável, restrita e às vezes conhecida.

 

Neste novo ambiente, as bibliotecas adquiriram uma nova dimensão. Lancaster (1994, p.9) afirmava diante da emergência dos recursos de informação cada vez mais acessíveis via redes, que o novo papel das bibliotecas era o de prover o acesso à informação ao invés da propriedade. Com o advento da Informática e da Internet, a Biblioteconomia sofreu uma profunda mudança estrutural, pois o mercado de trabalho nesta área começou a demandar profissionais bibliotecários mais qualificados, com competências e posturas profissionais que até então estes não possuíam.

 

Segundo Passos (2004) as competências básicas que os profissionais bibliotecários devem ter são:

 

1)demonstrar forte comprometimento com a excelência do serviço ao cliente;

2) reconhecer a diversidade dos clientes e da comunidade;

3) entender e apoiar a cultura e o contexto da biblioteca e das instituições similares;

4) demonstrar conhecimento da teoria da Ciência da Informação e do ciclo documentário;

5) exibir habilidades de liderança, incluindo pensamento crítico, tomada de risco, independente de sua posição na estrutura administrativa;

6) dividir o conhecimento e a perícia com colegas e clientes;

7) comunicar-se efetivamente com editores e com a indústria gráfica para promover os interesses da biblioteca;

8) reconhecer o valor da rede profissional e participar ativamente das associações profissionais;

9) perseguir ativamente o desenvolvimento pessoal e profissional através da educação continuada.

 

Uma nova habilidade exigida para os profissionais é a fluência tecnológica. De acordo com Demo (2011) fluência tecnológica pode ser entendida por muita coisa, desde o mero exercício de digitalização de textos até a atividade do harcker. Interessa um meio termo em geral traduzido pelo exercício de autoria virtual com o auxílio de plataformas do tipo web 2.0.

 

O termo web 2.0 surgiu em 2004 e foi utilizado para nomear uma conferência sobre empresas pontocom que sobreviveram à explosão da bolha da Internet em 2001.

 

Ainda de acordo com Demo (2011, p,41) na web 2.0 o foco se põe sobre softwares que implicam a participação ativa do usuário, que deixa de ser apenas consumidor para se tornar partícipe, isto é, como nos blogs (publicação de textos individuais) e wikis ( elaboração de textos coletivos).

 

As tecnologias oferecem ferramentas que favorecem uma posição mais dinâmica dos bibliotecários nas unidades de informação.

 

A utilização da web 2.0 nas unidades de informação resultou na expressão biblioteca 2.0.

 

Maness (2007, p.48), define-a como a aplicação de interação, colaboração e tecnologias multimídias baseadas na web para serviços de coleções de bibliotecas baseadas na web.

 

O bibliotecário também deve capacitar-se para utilizar as redes sociais no seu cotidiano de trabalho.

 

Ainda de acordo com Maness (2007, p.48), Redes sociais permitem que bibliotecários e usuários não somente interagissem, mas compartilhassem e transformassem recursos dinamicamente em meio eletrônico. Usuários podem criar vínculos com a rede de bibliotecas de uma instituição qualquer, ver o que os outros usuários têm em comum com as suas necessidades informacionais, baseados em perfis similares, demografias, fontes previamente acessadas em um grande número de dados que os usuários fornecem.

 

Segundo Yamaschita, Cassares e Valência (2012, p.166), as tecnologias desafiam o profissional bibliotecário no desempenho de seu trabalho e até mesmo na sua função social.

 

As redes sociais são canais de comunicação para se disseminar informações de maneira rápida e muitas vezes sem custo financeiro.

 

A formação acadêmica básica dos profissionais bibliotecários em nível de graduação tem sofrido grandes mudanças desde o surgimento dos primeiros cursos, e a pós graduação em Ciência da Informação (Mestrado e Doutorado) além de tantas outras podem ser consideradas exemplos de educação continuada.

 

O importante é que os profissionais bibliotecários tenham em mente que a educação continuada (domínio das diversas tecnologias da informação, domínio de língua estrangeira etc. ) é de suma importância para a sua própria sobrevivência neste competitivo mercado de trabalho na atualidade.

 

Como dizem também os especialistas, o marketing pessoal também é outra estratégia muito útil para se manter empregado.

 

Referências:

 

DEMO, Pedro. Habilidades e competências no século XXI. 2 ed. Porto Alegre: Mediação, 2011. 104p. ISBN 978.85.7706-053-5.

 

LANCASTER, FredericWinfred. Ameaça ou oportunidade? o futuro dos serviços de bibliotecas à luz das inovações tecnológicas. Rev. Escola de Biblioteconomia da UFMG, v.25, n.1. p. 7-27, jan./jun. 1994.

 

MANESS, Jack, M. A teoria da biblioteca 2.0: web 2.0 e as suas implicações para as bibliotecas. Info & Soc., João Pessoa, v. 17, n. 1, p.43-51, jan/abr. 2007. Disponível em : < http; //periodicos.ufpb.br/ojs 2/ index.php/ies/article/view/ 831/1464> Acesso em: 04 ago. 2011.

 

MARCONDES, Carlos Henrique; MENDONÇA, Marília. Serviços via Web em bibliotecas universitárias brasileiras. Disponível em:<www.cinform.ufba.br> Acesso em: 2005.

 

PASSOS, Edilene. Bibliotecário jurídico, seu papel seu perfil. Disponível em: <http:/www.infolegis.com.br/bibjuridico.htp> Acesso em: 05 abril 2004.

 

YAMASHITA, Denise Sana; CASSARES, Norma Cianflone; VALÊNCIA, Maria Cristina Palhares. Capacitação do bibliotecário no uso das redes sociais e colaborativas na disseminação de informação. CRB-8 Digital, São Paulo, v.1, n.5, p.161-172, jan. 2012. Disponível em: <http:// revista.crb8.org.br> Acesso em: jan. 2012.

 

 

Maurício Chatel Vasconcellos Filho é bibliotecário e documentalista pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e atualmente bibliotecário da Prefeitura Municipal de Taubaté SP.

Contatos pelo email chatel150@gmail.com

Autor: Maurício Chatel Vasconcellos Filho

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Seção Mantida por OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.