LITERATURA INFANTOJUVENIL


A PRESENÇA DOS PAIS NA LITERATURA INFANTOJUVENIL BRASILEIRA

Há tempos venho me perguntando por que a mãe esteve mais presente que o pai nos livros infantojuvenis brasileiros?

 

Talvez por causa de tempo ou outros afazeres acabo não buscando a resposta. Nas minhas férias de 11 dias (03 a 13 de outubro) resolvi consultar o Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira (1882-1982) de Nelly Novaes Coelho (1984) para descobrir quando aparece a primeira obra com a palavra pai no título.

 

Preciso destacar que além da Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil – BBLIJ publicada pela Biblioteca Monteiro Lobato desde 1953 (me parece que atualmente é apenas on line), a obra de Nelly é a principal fonte de consulta para os pesquisadores brasileiros que investigam essa área.

 

É importante evidenciar também que o Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira de Nelly Novaes Coelho atualmente é publicado pela Companhia Editora Nacional. Sem exibicionismo preciso contar que comprei um exemplar da 5 edição (2006), no mês passado, por R$ 110,40. Tem ele 910 páginas e é um importante investimento.

 

Voltando a minha indagação, busquei na edição de 1984, página a página (963 páginas no total) a palavra pai ou papai e descobri na página 277 a obra juvenil brasileira de Ganymedes José, cujo título é Pai-de-Todos, depois na página 284 o título A mulher do Papai Noel (1982) também de Ganymedes José.

 

Segundo a autora informa na página 269, Ganymedes começa a escrever obras para crianças muito cedo (1973) e escreve mais de 100.

 

Pai-de-Todos foi lançado em 1978, narra “[...] a vida do menino Bilo, revela o drama de uma comunidade de párias: os bóias-frias. Triste realidade brasileira que as estruturas político-econômicas do país ainda não lograram resolver (e, tão cedo não resolverão)(COELHO, 1984, p.277)

 

Quanto ao livro A mulher do papai noel (1982) Ganymedes cria uma seguinte farsa engraçada:

 

Para substituir o marido que todos os anos vivia a figura do Papai Noel (mas naquela véspera de Natal, se excedera nos ‘vinhos’ das comemorações natalinas e nada o conseguiria acordar) dona Bebê decide substituí-lo a fim de que ele não perdesse o emprego que tinha na Prefeitura e as crianças não ficassem sem a alegria dos presentes. (COELHO, 1984, p.284).

 

É perceptível nas duas obras que nem o primeiro personagem, nem o segundo representam a figura do pai, pois Bilo é um menino e papai noel é uma mulher.

 

Evidente que minha análise é limitada, pois está baseada em apenas um documento (Dicionário) e busca obras infantojuvenis tendo como critério somente as que contêm a palavra pai ou papai nos títulos.

 

Sei que há na literatura, principalmente atual, personagens masculinos adultos, por exemplo, avô, tio, escritor, músico etc., que nem sempre estão explicitados no título. Mesmo assim há um desequilíbrio, o avô é um personagem que está sendo focado, mas as avós ainda estão mais presentes que eles.

 

Vocês devem estar esperando uma resposta, uma explicação para menor visibilidade dos personagens-pais, então devolvo a bola para vocês... Fiquem atentos!

 

Se quiserem me responder o espaço está aberto!

 

Enquanto isso eu sugiro a leitura do livro da argentina María Wernicke intitulado – Papai e eu, às vezes que foi publicado no Brasil pela editora Callis em 2010. Ele trata do relacionamento de uma menina com seu pai em tempos tão corridos. Só isso para não quebrar o encanto!

 

Sugestões de Leitura:

 

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira (1882-1982). 2.ed. São Paulo: Quíron; Brasília: INL, 1984.

 

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006.

 

WERNICKE, María. Papai e eu, às vezes. São Paulo: Callis, 2010.


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SUELI BORTOLIN

Doutora e Mestre em Ciência da Informação pela UNESP/ Marília. Professora do Departamento de Ciências da Informação do CECA/UEL - Ex-Presidente e Ex-Secretária da ONG Mundoquelê.