ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO


A INFORMAÇÃO EM ORGANIZAÇÕES COMPLEXAS - 1

Considera-se que a informação precede a comunicação, a tecnologia, o conhecimento e a ação1. Assim, a informação é considerada insumo do saber e do fazer em diferentes contextos e diferentes objetivos. No ambiente organizacional esta afirmativa concretiza-se de forma contundente, visto que considero a informação insumo do fazer organizacional, para qualquer setor, em qualquer especialidade, em qualquer segmento econômico.

 

As organizações em sua complexidade requerem um continuum informacional, que apóiem suas estratégias, suas ações e a construção de conhecimento corporativo. Senso assim, a informação deve ser reconhecida como elemento chave para o desenvolvimento organizacional.

 

Primeiramente, é importante discutir o conceito de informação, cujas características, em minha opinião, são claras e são amplamente discutidas por diferentes autores de diferentes áreas do conhecimento como Buckland (1991), Wurman (1995), Davenport e Prusak (1998), Morin (1999), Choo (2003) entre outros autores. A informação é, ao mesmo tempo, objeto e fenômeno, visto que pode ser destacada e analisada por si mesma e, também, pode ser parte de um processo2. Considero que somente podemos nomeá-la ‘informação’, se a compreendemos3, isto é, se existe por parte do sujeito cognoscente, consenso em relação ao seu significado4, caso contrário, não é informação. Outro aspecto que considero importante, refere-se as qualidades relevância e propósito inerentes ao termo ‘informação’, visto que o sujeito cognoscente busca a informação com determinado objetivo, seja conscientemente ou inconscientemente. Por isso mesmo, a informação está imbricada ao sujeito, pois requer a mediação humana4, o que é informação para um pode não ser informação para outro. Assim, o sujeito cognoscente ressignifica a informação, uma vez que infere síntese e contexto4 a ela.

 

Além disso, é importante resgatar a importância da informação quanto ao seu papel em explicitar o conhecimento construído ao longo dos tempos. Cada sujeito cognoscente é responsável pela construção de conhecimento, e esse mecanismo existe de maneira natural. No entanto, somente quando o sujeito cognoscente explicita seu conhecimento, por meio da linguagem, aqui compreendida de forma lato, de fato o conhecimento é consolidado, ou seja, a informação faz parte do processo de construção de conhecimento, não existe construção de conhecimento sem o uso de informação de qualquer tipo/espécie. Esse mecanismo dual é essencial para compreendermos a informação em contextos organizacionais.

 

O mundo da ciência/científico tem total percepção da importância da informação para o seu saber/fazer, já o mundo do trabalho nem sempre reconhece essa importância. As organizações complexas são entendidas como aquelas organizações responsáveis pela interação e reação sociais7 de forma sistemática. Essa dinâmica é complexa, pois as envolvem e as influenciam ao mesmo tempo em que influem e envolvem outras dimensões da sociedade.

 

A informação em organizações complexas não é óbvia, não é transparente, não é compreendida por todos os sujeitos que nela atuam, justamente pelas características mencionadas anteriormente. De fato, cada sujeito, nomeará o que para ele é informação. Ai está a complexidade da informação, em um ambiente extremamente complexo. Por isso mesmo, esse objeto (a informação) e os fenômenos relacionados à ele, devem ser foco de estudos, visando conhecer as problemáticas que o envolve.

 

 

                                Figura 1 - Paradigmas da Informação

Fonte: ILHARCO, F. – Filosofia da Informação – p.47

 

Os fenômenos informacionais podem ser estudados de diferentes perspectivas. No caso das organizações, os quatro quadrantes ocorrem ao mesmo tempo, por isso, a complexidade e a necessidade de compreendermos essas perspectivas de forma mais aprofundada e no âmbito da Ciência da Informação.

 

A informação, portanto, é insumo organizacional, cujas características são inerentes ao ambiente, contexto e sujeitos.

 

  

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1 ILHARCO, F. Filosofia da informação: uma introdução à informação como fundação da acção, da comunicação e da decisão. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2003. 207p.

 

2 BUCKLAND, M. Information as thing. Journal of the American Society of Information Science, v.42, n.5, p.351-360, Jun. 1991.

 

3 WURMAN, R. S. Ansiedade de informação: como transformar informação em compreensão. 5.ed. São Paulo: Cultura Editores, 1995. 380p.

 

4 DAVENPORT, T.; PRUSAK, L. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998. 316p.

 

5 MORIN, E. O método 3: o conhecimento do conhecimento. Porto Alegre: Sulina, 1999. 288p.

 

6 CHOO, C. W. A organização do conhecimento. São Paulo: Senac, 2003. 426p.

 

7 MORIN, E.; MOIGNE, J.-L. L. A inteligência da complexidade. 3.ed. Uberaba: Peirópolis, 2000. 268p.


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MARTA LIGIA POMIM VALENTIM

Professora Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. Livre Docente em Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional pela Unesp. Docente de graduação e pós-graduação da Unesp, campus de Marília. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa "Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional". Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Unesp, campus de Marília, gestão 2017-2021. Presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), gestão 2016-2019.