ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO


A INFORMAÇÃO EM ORGANIZAÇÕES COMPLEXAS - 2

Considerando-se a informação insumo organizacional, é importante compreender suas principais características nesse ambiente. Primeiramente, resgatar seu caráter informativo. Informação pressupõe a ação de informar-se. Essa característica imbricada à ação do homem é significativa, pois redimensiona a importância do próprio homem na ação em si. Diferentes autores defendem que só há informação, quando e se for compreendida pelo sujeito cognoscente. Portanto, o sujeito cognoscente é o ator mais importante na ação “informar-se”. Sem sujeito cognoscente não existe “informação”.

 

Outra característica inerente à informação situa-se na própria ação do sujeito cognoscente que somente a busca e a reconhece, a partir de sua necessidade informacional. A ausência de uma necessidade informacional não conduz o sujeito cognoscente à busca, reconhecimento e internalização de uma informação. A partir da percepção de uma necessidade informacional, por parte do sujeito cognoscente, é que se iniciará o processo que envolverá os seus recursos cognitivos, perceptivos e culturais na busca e uso da informação.

 

A informação (se entendida como explicada no texto anterior A Informação em Organizações Complexas - 1) se caracteriza, também, por propiciar maior segurança ao sujeito cognoscente, no que tange a construção de conhecimento, visto que ela esclarece, explica e ancora uma questão que não está clara ou objetiva. No entanto, é importante mencionar que essa característica é dual, visto que ao contrário ela pode propiciar o oposto, isto é, não esclarecer, não explicar e não ancorar, trazendo mais dúvidas e questionamentos ao sujeito cognoscente. Nesse caso, seria preciso novas entradas informacionais no processo, visando obter a primeira possibilidade.

 

A ancoragem compreendida como uma característica da informação, pode se tornar um problema no ambiente organizacional, visto que na medida em que o sujeito cognoscente fixa ou ancora uma primeira informação em seu processo cognitivo pode dar ênfase desproporcional1 a uma determinada informação, por isso é necessário que o ato ou a ação de informar-se ocorra da forma mais completa possível.

 

Ilharco2 explica que a informação possui em si uma característica interpretativa: “informação é o próprio significado; ela é o significado para o sujeito que experimenta a acção de ser/estar/ficar informado. Nesta perspectiva a informação é um fenómeno interpretativo, dependente do sujeito, assente na experiência de determinado indivíduo e na historicidade, pressupostos, contextos e envolvimentos no âmbito dos quais e com os quais esse mesmo indivíduo se informa ou é informado”.

 

O contexto e o momento histórico, sem dúvida nenhuma, influem na criação de significado. O sujeito cognoscente faz parte de uma sociedade, faz parte de uma cultura, tem sua própria história, esses fatores o individualizam, e justamente por essas características, os recursos cognitivos são usados de forma única. Nesse sentido, pode-se inferir que a informação caracteriza-se como algo que distingue, imputa maior ou menor grau de distinção. Em ambientes organizacionais esse fator se reflete na disputa por poder, por respeito, por aceitação e por destaque. A informação, portanto, possui valor inerente a si mesma, dependendo da complexidade da ação ‘informar-se’.

 

A complexidade característica da informação nos remete a um termo: racionalidade. A racionalidade compreendida como “diálogo incessante entre nossa mente, que cria estruturas lógicas, que as aplica ao mundo e que dialoga com este mundo real3”. No ambiente organizacional, o sujeito cognoscente se apropria da informação visando a racionalidade, visto que a informação será base para a ação, seja ela qual for, ou seja, a ação pressupõe a complexidade.

 

 

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1 ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 536p.

 

2  ILHARCO, F. Filosofia da informação: uma introdução à informação como fundação da acção, da comunicação e da decisão. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2003. 207p.

 

3 MORIN, E.; MOIGNE, J.-L. L. A inteligência da complexidade. 3.ed. Uberaba: Peirópolis, 2000. 268p.


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MARTA LIGIA POMIM VALENTIM

Professora Titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-Doutorado pela Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. Livre Docente em Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional pela Unesp. Docente de graduação e pós-graduação da Unesp, campus de Marília. Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa "Informação, Conhecimento e Inteligência Organizacional". Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Unesp, campus de Marília, gestão 2017-2021. Presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), gestão 2016-2019.