GESTÃO EMPRESARIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO


INFORMAÇÕES QUE CONSTROEM E DESCONTROEM

Sabemos que a informação é parte indissociável dos fazeres de uma empresa, considerando ser ela um subsídio fundamental para os processos, atividades e tarefas nesse âmbito, desde o nível operacional até o nível estratégico. Entretanto, mais do que representar um importante suporte para as rotinas empresariais, a informação possui efeitos positivos ou negativos quando percorre o caminho de fora para dentro. Ou seja, não são apenas as informações sobre os produtos e rotinas da empresa que fazem com que seus negócios tenham êxito. Também não são os processos de comunicação de dentro para fora sobre os produtos ou serviços que representam a essência da gestão estratégica.

 

Existe uma relação íntima entre os resultados de uma empresa e a informação gerada externamente, aquela informação que está fora do seu poder de controle, fora das suas veias criativas e, portanto, distante da sua capacidade de interferência. Um exemplo clássico são as informações relativas ao contexto político do país, as quais inferem sobremaneira na condução dos negócios de empresas, independentemente do setor de atuação.

 

Um grande exemplo ocorreu no ano de 2002, às vésperas das eleições presidenciais, quando pesquisas davam nota de que o então candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, seguia liderando as pesquisas de intenção de votos. Naquela ocasião, os meios empresarial e financeiro brasileiros balançaram e isso ocorreu porque havia incertezas sobre o modo como ele governaria. A Bolsa de Valores Brasileira teve uma queda expressiva, saindo da casa dos 14.000 pontos para cerca de 8.000 pontos no índice Bovespa, o que pode ser utilizado como vitrine desse evento, já que a Bolsa de Valores brasileira negocia ações das maiores empresas do país.

 

Com cerca de 60% dos votos, Lula foi eleito presidente da república. Mas e o sistema financeiro nacional? E o meio empresarial? Quebraram? Não! Mas então, qual a razão de tanto medo? Qual a razão pela qual os investidores amedrontados retiraram seus recursos investidos nas empresas brasileiras, derrubando a bolsa de valores? A resposta está na informação.

 

A informação, seja em qualquer contexto, tem o poder de criar oportunidades, desfazer negócios, aumentar a produtividade, desenvolver novos mercados, derrubar toda uma nação. No caso brasileiro, especificamente nesse momento político histórico, as informações que corriam o mundo eram de que se tratava de um candidato de extrema esquerda, que romperia com países e organismos cujas parcerias comerciais são reconhecidas como importantes para um país emergente. Além de outras informações veiculadas por candidatos e eleitores de partidos opositores, e até mesmo pelo próprio candidato, que sempre se mostrou avesso às condutas promovidas pelos precursores, especialmente relativas ao meio empresarial, dando indicativos de que de fato promoveria mudanças bruscas.

 

Tais informações correram o mundo e assustaram empresários e mais ainda os investidores externos, que retiraram rapidamente seus investimentos feitos nas empresas brasileiras. Contudo, não foi preciso muito tempo para que o meio empresarial, de um modo geral, bem como o mercado financeiro, pudessem perceber que aquelas informações não passavam de especulações ou até mesmo discurso político, ainda que da parte do próprio presidente, enquanto candidato. Finalmente, o que vimos após a candidatura por parte do então presidente foi uma postura mais conservadora, o que não levou as empresas à bancarrota e muito menos prejudicaram os mercados do modo avassalador como indicavam alguns prenúncios.

 

O que quero dizer com tudo isso é que, do ponto de vista organizacional, a informação política é um dos fatores mais importantes para que a empresa possa identificar as questões relevantes relacionadas ao seu setor de atuação. Advêm das ações políticas, por exemplo, as decisões sobre taxas de juros que dizem respeito ao financiamento empresarial, bem como ao nível de consumo. Advêm da esfera política as decisões sobre os impostos, sobre a conduta dos bancos, que são os grandes financiadores de atividades empresariais. Advêm das ações políticas as informações sobre critérios para importação e exportação, entre outras.

 

Por isso é possível afirmar que o meio organizacional está atrelado ao contexto político do país e do mundo e que, portanto, informações políticas são capazes de mudar uma empresa para o bem ou para o mal. Por meio da análise de cada informação advinda do contexto político, o tomador de decisão pode avaliar o peso e a viabilidade das possibilidades positivas que se apresentam, bem como os possíveis efeitos negativos que possam impactar os negócios.

 

De qualquer modo, ainda que uma empresa possua uma equipe que realize os processos de gestão da informação, que possua sistemas de informação eficientes, que disponha de meios de comunicação precisos, é necessário que toda a equipe esteja preparada para mudanças repentinas, o que é muito comum no contexto econômico e político de qualquer nação.

 

Uma empresa preparada saberá aproveitar as informações que constroem, bem como saberá reagir às informações que desconstroem.


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A INFORMAÇÃO QUE NÃO ERA ASSIM TÃO IMPORTANTE PARA O MERCADO!
Outubro/2013

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ELAINE CRISTINA LOPES

Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).