GESTÃO EMPRESARIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO


A INFORMAÇÃO QUE NÃO ERA ASSIM TÃO IMPORTANTE PARA O MERCADO!

É inegável que as contribuições advindas dos avanços em pesquisas, desenvolvimento de novas tecnologias e criação de novas Leis trouxeram mudanças acerca da concepção sobre a informação empresarial. Essas mudanças podem ser sentidas mais profundamente no que se refere ao desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, sem contar no crescente alcance das redes sociais. De forma mais superficial aparece a informação enquanto mecanismo de transparência empresarial, porquanto as empresas ainda permanecem tímidas, e porque não dizer temerosas, quando o assunto é a divulgação de informações. Essa característica é predominante em empresas menores, mais particularmente nas instaladas no interior, especialmente empresas familiares, afinal, quem quer dar a receita daquele tradicional pão que foi do seu avô? Sim! Esse é, de fato, o pensamento que muitos empresários têm quanto à divulgação de informações, que se trata de revelar os mais profundos segredos. Muitos ainda acreditam que ao divulgarem informações de forma voluntária não estão atraindo mais clientes e investidores, mas sim, estão entregando ao mundo os segredos do seu negócio.


Mas enquanto observamos que essa postura avessa à divulgação de informações por parte de empresas de pequeno e médio porte ainda é compreensível, quando o comportamento arredio à divulgação é demonstrado por empresas de grande porte e com capital aberto, aí o cenário passa a ser mais preocupante. Pior ainda é quando tais empresas além de não fornecerem informações adicionais, passam a ocultar informações relevantes.

 

Empresas com capital aberto – e que, portanto, têm suas ações negociadas em bolsas de valores – são conduzidas com critérios legais adicionais quanto à divulgação de informações em detrimento das empresas com capital fechado, contudo, não pensem que isso faz com que rigorosamente todas essas empresas sejam um primor em matéria de divulgação. Ao revés! Nesse contexto em que há um mar de informações legalmente disponibilizadas, todas mediadas sob os olhares mais ávidos e regularmente dispostas em mídias arquitetonicamente auditadas, há quem seja capaz de dar aquela que eu chamo de ‘derrapada informacional’. Serem obrigadas a divulgar não faz de todas as empresas essencialmente exímias divulgadoras. Ainda acredito que mais vale o silêncio da que decide não se abrir do que o oportunismo da que se abre e nada revela, afinal, quando se precisa esconder algo é porque esse algo não deve ser coisa boa!

 

A exemplo, no início de setembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou em R$ 230 mil o diretor de Relações com investidores de uma importante construtora, a Beter, por falta de divulgação de informações relevantes, não entrega de demonstrativos financeiros, entre outras questões que envolviam a divulgação de informações entre as quais, o fim de contratos com importantes empresas. Segundo a CVM, o fim de contratos com Infraero, Polícia Federal, Ministério Público e Senado Federal deveriam ter sido informados através do chamado “Fato Relevante” que é obrigatório, segundo a Instrução CVM n. 358 de 3 de janeiro de 2002. Ocorre que parte desses contratos representava cerca de 160% dos ativos totais da empresa e só as multas de rescisão já foram responsáveis por arrastar a empresa para o pedido de recuperação judicial.

 

Esse caso deixa claro o seguinte posicionamento, qual seja o da empresa que não quer divulgar um ato ou fato relevante por acreditar que isso pode prejudicar a imagem da mesma perante o mercado. Leia-se: queda no preço das ações! É como se a empresa falasse claramente ao mercado: “essa informação nem era assim tão importante para você”. Essa postura da empresa de decidir o que é ou não mais importante para ser divulgado, em se tratando de informações que devem ser divulgadas, configura-se como um desrespeito ao mercado. Nesse caso, nem de longe se trata de simplesmente esconder a “receita do pão”, mas sim de esconder dados financeiros que interferem nos resultados da empresa e, sobretudo, que geram informações que servirão como base para construção do conhecimento e tomada de decisão de investidores.

 

Esse é um dos exemplos de manipulação da informação. Sem contar, é claro, nos casos mais polêmicos recentemente ocorridos envolvendo as empresas OGX e LLX do empresário Eike Batista, que também estavam ligadas a atos e fatos relevantes não divulgados. Talvez existam mais empresas que já fizeram essas manobras e nem ficamos sabendo, mas e quando não dá certo? E quando esconder o que não deve ser escondido vem à tona? Nesses casos, como foi o caso da Beter, como diria minha sábia avozinha: “sai mais caro o molho do que o peixe”!


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ELAINE CRISTINA LOPES

Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).