GESTÃO EMPRESARIAL NA ERA DA INFORMAÇÃO


GESTÃO DA INFORMAÇÃO AMBIENTAL: BOA INTENÇÃO OU ESTRATÉGIA MERCADOLÓGICA?

O meio empresarial, de um modo geral, sofreu intensas mudanças ao longo das últimas décadas, contudo, cabe salientar que grande parte das mudanças ocorridas no presente se dá em função de um longo processo vivenciado no passado. Sabe-se que a tarefa de produzir e administrar existe há muitos séculos, entretanto, foi especialmente a partir do início do século XX que os meio de produção e gestão começaram a tomar forma. Foi a partir desse período que a administração, como instrumento de gestão, passou a dar passos efetivos na busca por soluções que dessem conta das demandas existentes no fazer das empresas.

 

Nesse sentido, toda preocupação com o desenvolvimento de instrumentos de produção, modelos de gestão, técnicas de condução de negócios, bem como de formas de liderança, tiveram prioridade entre pesquisadores, cientistas, administradores e empresários. Dessa maneira, todo meio empresarial ocupou-se de produzir, crescer, tomar forma, gerar riqueza e o resultado foi um crescente avanço da degradação ambiental sob todas as formas e em proporções preocupantes. Restou a posteridade a tarefa de pensar as formas de produção e gestão de modo que o meio empresarial se desenvolvesse sem que os insumos naturais sejam esgotados.

 

Uma grande questão que se coloca é se as empresas, nesse início de século XXI, tendo suas bases naturais seguindo um caminho de eminente esgotamento, estão de fato preocupadas com uma gestão sustentável, que prospere sem comprometer os recursos existentes. Isso porque, o grande desafio das empresas passou a ser não somente relacionado às formas de produzir, ou a competitividade que se instaura em função dos produtos e serviços, mas também com aquela que envolve um conjunto mais amplo de agentes que possuem interesse em preservar o planeta.

 

Inicialmente, é importante que se esclareça o conceito de Gestão Ambiental, considerando-se que o termo não raro causa confusões terminológicas. Há uma visão de que a gestão ambiental se insere tão somente no âmbito público, na preservação de florestas, mananciais, parques e áreas de preservação. Contudo, é importante destacar que a Gestão Ambiental envolve um contexto mais amplo, abarcando o meio privado que exerce o papel de usuário dos insumos naturais, bem como impõe papel fulcral na sociedade, no caso, as empresas.

 

Desse modo, compreende-se por Gestão Ambiental, toda ação que uma empresa possa tomar em função de sua produção de modo que os impactos sobre o meio ambiente sejam evitados ou amenizados. Quando o meio ambiente por ventura for impactado, ainda que de forma amena, que a empresa adote mecanismos de recuperação da degradação causada. Ainda, o termo compreende ações de prevenção, como a educação ambiental e preparação de colaboradores para uma produção limpa e responsável.

 

Essa concepção de Gestão Ambiental faz parte do escopo da teoria da Sustentabilidade, sendo que tal conceito possui um leque de abordagens essenciais para sua concepção, como questões sociais, de relacionamento com partes interessadas nos negócios das empresas, relacionamento com colaboradores, meio ambiente, relacionamento com fornecedores, entre outros. Cabe aqui, portanto, esclarecer o conceito de Sustentabilidade. Para tanto, destaca-se o conceito que é mais amplamente utilizado, estando esse relacionado ao conceito de desenvolvimento sustentável.

 

Tal conceito foi proposto pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987, ao elaborar o relatório de Brundtland, chamado ´Nosso Futuro Comum´, no qual esse termo foi definido como “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual sem afetar a capacidade das gerações futuras de suprirem as suas próprias demandas”, ou seja, sem esgotar os recursos naturais ou degradar o ambiente, que o torna inadequado para a manutenção da vida.

 

Nesse sentido, argumenta-se que as empresas devem gerar riqueza, desenvolver-se sem que para isso os recursos naturais vitais para a manutenção da vida sejam prejudicados. Naturalmente, uma grande parte do meio empresarial em âmbito mundial, necessita dos recursos advindos do meio ambiente, contudo, o grande desafio que se instaura é o de justamente lutar para que essa exploração não seja desenfreada, que haja uma reposição do que se extrai, ao passo que a poluição seja amenizada ou coibida.

 

No Brasil, especialmente, as características do meio empresarial são muito particulares. Cabe destacar duas realidades que se contrapõem. Primeiramente, o Brasil passou por profundas transformações no meio empresarial a partir da década de 90, pautado por um avanço nos meio de produção com vistas à manutenção da competitividade das empresas nacionais em função da abertura de mercado. Posteriormente, trata-se de um país cujas fontes naturais de recursos são imensas, porém, mal geridas seja em função das características geográficas, bem como em razão da Legislação que nem sempre consegue dar conta das demandas ambientais existentes.

 

Nesse sentido, há que se considerar que um avanço no desenvolvimento de modelos de gestão pautados em rigorosos critérios ambientais ocorre em maior intensidade se esse estiver alicerçado em critérios voluntários. Naturalmente, os organismos que fazem parte desse contexto, como as Secretarias de Estado de Meio Ambiente (SMAs), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Conselho Estadual de Defesa do Meio Ambiente do Paraná (CEDA-PR), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA), bem como a Polícia Ambiental existente nos estados, trabalham de modo que os âmbitos executores e fiscalizadores possam amenizar impactos ambientais.

 

Campos (2011) destaca que o tema emergiu com força no meio empresarial após a conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio 92 (por ter sido realizada na cidade do Rio de Janeiro em 1992) que teve com pauta principal a adoção de uma padronização que fosse seguida pelas empresas, sendo que uma das consequências da reunião foi a criação de um grupo ou comitê que ficou conhecido como Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, que apoiava essa ideia de padronização e dentro da ISO trabalharia o desenvolvimento do conjunto de adequações para enquadramento na norma. Este conjunto de normas possui a denominação de Certificação ISO 14000. Tal certificação envolve a adoção de padrões específicos relacionados a “adoção de sistemas de gestão ambiental, auditorias, avaliação de ciclos de vida, avaliação de desempenho ambiental e gerenciamento de resíduos e fontes de energia.”

 

Barbieri (2004) argumenta que “a abordagem ambiental dentro da empresa, pode apresentar natureza diversificada, sendo que isso está envolvido com o tipo de negócio, amplitude desse negócio e tamanho da organização.” Contudo, é importante destacar que um grande número de empresas passou a desenvolver modelos de gestão ambiental com o objetivo principal de criar uma imagem positiva perante a sociedade.

 

Amplia-se, portanto, a visão do marketing tradicional que passou a criar formas de tornar as empresas competitivas e bem vistas no mercado global. Ou seja, a gestão ambiental passou a ser um insumo estratégico, ao passo que as empresas passaram a utilizar informações sobre seus atos voltados a questões ambientais como meio para projetar a sua imagem com uma nova visão de mercado, destacando a sua diferenciação ecologicamente correta junto à sociedade. Nasce então o Marketing Ambiental, Marketing Verde ou Ecomarketing, todos amparados pelo uso, ou a gestão da informação ambiental.

 

Contudo, é fundamental destacar que um dos aspectos mais importantes e nem sempre considerados pelas empresas é a ética ambiental. Entende-se por ética ambiental a postura da empresa perante a sociedade e meio ambiente e a forma com a qual ela age e usa as informações dessas ações em suas rotinas. É fundamental que as empresas encontrem formas de consolidar mecanismos que norteiam a relação entre seus negócios e meio ambiente, sem que essas ações sejam meramente comerciais. O uso dessas ações como medidas estratégicas são sim eficazes, contudo, práticas dotadas tão somente de interesses marqueteiros, não raro possuem prazo fixo e sabe-se que os planejamentos estratégicos de uma empresa devem ser adotados com rigor e como prática integrada em seus negócios. Gestão Ambiental não deve ser tratada como um projeto, mas sim como parte integrante do negócio.

 

A concepção de gestão ambiental e do uso comercial de informações inerentes às práticas ambientais, devem ser pautadas em uma relação equilibrada da empresa e seus processos produtivos com o ambiente e sociedade, considerando que todos os componentes desses processos sofrem influência e/ou influenciam as ações das empresas. A gestão ambiental, portanto, diz respeito à forma como a empresa produz, como a sociedade consome e descarta, e, sobretudo, em como todo esse processo ocorre no sentido ético e democrático.

 

Referências

 

BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2004.

 

CAMPOS, I.F. de. Estratégia Ambiental como Vantagem Competitiva: Caso Ecomercado Palhano. VIII SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, 2011


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ELAINE CRISTINA LOPES

Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).