GERAL


JOÃO UBALDO RIBEIRO

O pai o tratava com severidade. Ainda na infância, o obrigava a ler e copiar sermões do Padre Vieira. Mesmo assim, adora Vieira e o Padre Manuel Bernardes. As exigências paternas não prejudicaram o gosto pela leitura. Leu tudo quanto podia na biblioteca, que se alastrava pela casa, serpenteando até pela cozinha e o banheiro. No começo da adolescência, já havia lido os clássicos mundiais.

“Nunca mais parei de ler. Mas tive infância normal. Joguei bola, subi em árvore e tomei banho pelado no rio.” (...)

“Tive uma formação dura. Meu pai era muito rigoroso, obsedado por mim, para eu estudar. E sempre gostei do idioma. Aprendi a ler em um dia. Meu pai tinha livros pela casa inteira. Estava em contato constante com eles. Já sabia que o b tinha a barriguinha, o h uma escadinha. Então meu pai me levou com 5 anos a uma escolinha da vizinhança e me deram uma cartilha. Saí silabando. Ao voltar, fui pegar uma edição do D. Quixote. Tinha a maior curiosidade para ler as legendas das ilustrações do Gustavo Doré. Não esclareceu muito não, porque eram referências ao texto. Mas me distraía, comecei a ler e não parei mais.” (p.13).

Fonte: MACHADO, Josué. Um sincero herdeiro do Padre Vieira. Língua Portuguesa, v.1, n.9, p.10-16, jl. 2006.

   22 Leituras


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.