POR QUE DECIDIU SER BIBLIOTECÁRIO?


LILIANA GIUSTI SERRA – SÃO PAULO - SP

Sobre minha entrada na Biblioteconomia:

Eu ingressei na faculdade muito jovem, com 17 anos, por influência de minha mãe. Desde pequena a acompanhei em diversas ocasiões em congressos da área ou mesmo na faculdade onde ela lecionava. Lembro-me de quantas vezes a acompanhei em dias de provas. A carreira de minha mãe me levou a conhecer muitos professores, com os quais ela teve e tem amizade. Alguns deles foram meus professores quando iniciei a graduação. A instituição onde estudei tinha foco em preparar o profissional para o mercado. Isso me distanciou da academia por muitos anos. Tive oportunidade de trabalhar em diversos tipos de bibliotecas e aprendi muito por todos os locais onde trabalhei.

Comecei a trabalhar logo nos primeiros meses do curso, em 1989, e nunca mais parei. Iniciei minha carreira em biblioteca pública especializada e depois tive experiências em biblioteca universitária, escolar, jurídica e cultural. Desde o princípio me interessava pela área tecnológica e de representação descritiva, o que permitiu expandir os conhecimentos em automação, migração de registros, padrões de metadados, formatos etc. Trabalhar com software de biblioteconomia foi o caminho natural e que até hoje motiva meus estudos, com a possibilidade de fazer pesquisas aplicadas. Foram os questionamentos acerca de conteúdo digital de clientes que me fizeram mergulhar nas pesquisas sobre livros digitais, tema principal de minhas investigações.

Uma vez, durante uma reunião sobre um projeto de parceria entre instituições fui questionada porque eu não lecionava, o que era, na visão de meu interlocutor, um desperdício, pois eu deveria compartilhar minha experiência e conhecimentos. Essa frase mexeu comigo e ficou martelando na minha cabeça. Até então eu não achava que tinha algo para contribuir na docência. Já tinha recebido algumas consultas informais sobre interesse em lecionar, mas nunca havia me sentido capaz para tal. Em 2010 surgiu novo convite e resolvi aceitar o desafio. Considero que dar aulas foi um divisor de águas em minha carreira. A docência concretizou-se em uma realização. Digo que sou professora, mas atualmente não estou professora. Espero um dia poder voltar à sala de aula para aprender e compartilhar um pouco da minha experiência e estudos e contribuir com a formação de novos bibliotecários.


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OSWALDO FRANCISCO DE ALMEIDA JÚNIOR

Professor associado do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Doutor e Mestre em Ciência da Comunicação pela ECA/USP. Professor colaborador do Programa de Pós-Graduação da UFCA- Cariri - Mantenedor do Site.