MARILENA CHAUÍ
[Abril/2004]
(Marilena Chauí - professora universitária)
A biblioteca de minha escola (Colégio Presidente Roosevelt,
rua São Joaquim) era paupérrima. Em compensação, a Biblioteca Municipal Mário de
Andrade foi essencial para meus estudos no curso secundário e na graduação de
Filosofia (USP) - portanto, entre 1956 e 1964 usei quase cotidianamente a
biblioteca, cujo acervo e atendimento, além das acomodações, eram, naquela
época, muito bons (consultava sobretudo livros brasileiros, espanhóis e
franceses). Há muito tempo não freqüento a Biblioteca Municipal e, infelizmente,
meus filhos nunca a freqüentaram (seja porque acabei formando uma biblioteca em
minha casa, seja porque as exigências de pesquisa no 2º grau quase não existem
mais). Se a Biblioteca atualizou seu acervo, suas acomodações para uma população
estudantil mais numerosa e modernizou o atendimento (xerox, por exemplo), creio
que seu serviço é inestimável. Se tal não ocorreu, creio que devemos lutar para
que ocorra. Em minha formação, a Biblioteca Municipal atuou em vários níveis: 1)
possibilidade de realizar as leituras necessárias para aprimorar meus
conhecimentos escolares; 2) ampliação dos conhecimentos pela descoberta de
livros importantes, ao manusear os fichários de "assunto"; 3) possibilidades
para pesquisas que seriam impossíveis seja por necessidade de bibliografia
estrangeira inexistentes nas livrarias, seja por poder consultar livros
estrangeiros cujo preço era inacessível para mim; 4) possibilidade de acompanhar
acontecimentos culturais da cidade, seja porque ocorriam no anfiteatro da
Biblioteca (conferências, cursos, debates), seja porque eram anunciados para os
freqüentadores ou comentados entre eles. De 12958 a 1962, eu diria que a
freqüência à Biblioteca Municipal foi um dos fatos mais importantes na minha
formação cultural".
(Fonte: CHAUÍ, Marilena. Depoimento. A biblioteca de cada um. Palavra Chave, São Paulo, n.1, p.7, maio 1982.)
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