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PROJETO VERIFICADO E BRASIL EM CHAMAS

No momento em que vivemos a / na chamada sociedade do conhecimento ou sociedade da informação, em que a informação assume papel prioritário numa sociedade submetida a uma avalanche de dados advindos de meios tradicionais, como os impressos, o tradicional rádio, a tevê, as sofisticadas redes eletrônicas de informação, a informação assume poder invisível que a transforma na mais potente e avassaladora força de transformação do homem moderno. Decerto, é ela o elemento que mantém, na atualidade, capacidade sem fim de transmutar culturalmente o ser humano e a humanidade como um todo.

Numa fase em que os debates políticos invadiram os noticiários e matérias polêmicas, muitas vezes, inverídicas, configurando as chamadas fake news, trazemos à tona o Projeto Verificado, lançado, em 2020, no auge da Covid-19, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em colaboração com a Purpose (consultoria que investe em projetos de impacto social com organismos do terceiro setor e organizações empresariais), com o fim específico de combater as notícias alarmistas sobre a pandemia. De início, sobre os sintomas, depois, sobre o uso de máscaras, mais adiante, sobre as vacinas e, assim, sucessivamente.

O Projeto está em 130 países e segundo dados de sua página eletrônica https:// shareverified.com/sobre, à época, beneficiou diretamente mais de um bilhão de pessoas, graças à parceria com outras instituições ao redor do mundo, a exemplo da Fundação Luminate, cuja finalidade é assegurar que todos os indivíduos, ênfase para os excluídos historicamente do processo de desenvolvimento das nações, acessem matérias que lhes favoreçam direitos e poder para influenciar as decisões que afetem suas vidas. Também merece menção a Fundação IKEA, organização de solidariedade social totalmente independente. Sua sigla corresponde à combinação das iniciais de seu fundador, o empresário sueco Ingvar Kamprad, com as primeiras letras, respectivamente, do nome da estância e da aldeia onde cresceu, Elmtaryd e Agunnaryd, e seu alvo supremo é ajudar dois desafios que atingem as coletividades menos desfavorecidas, quais sejam, a pobreza e as alterações climáticas.

Conhecer essas instituições e o Projeto Verificado consiste em estratégia básica para que valorizemos informações precisas e verificadas, combatendo tanto a desinformação quanto o excesso de informação – a infodemia ou a infoxicação. Isto porque, o Projeto analisa cuidadosamente qual o meio mais propício à divulgação das informações essenciais à determinada população em certos momentos. Por exemplo, em território nacional, quando da Covid-19, o Verificado recorreu a distintos recursos, tais como projeções no Cristo Redentor, Rio de Janeiro; desafios na plataforma TikTok; intervenções no metrô, etc., haja vista que a disseminação das informações prevê distribuição ampla e requer, portanto, o conhecimento prévio do contexto sociocultural e econômico e, decerto, as especificidades do público-alvo.

No texto "Espalhando verdades", de Ismael dos Anjos, constante da Revista Gol – as revistas de companhias aéreas, às vezes, figuram como ponto de arranque para aprofundamento de temas interessantes e pouco explorados na grande mídia –, o autor baiano afirma que depois do sucesso do Projeto Verificado no caso da Covid-19 e, ainda, contra a violência contumaz em direção à mulher em diferentes partes do mundo, o próximo foco do Verificado é investir em esclarecimentos sobre as consequências das mudanças climáticas no Planeta Terra. }

Foto 1 – Brasil em chamas

Fonte: Jornal O Diário, 2024.

Dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) denuncia que 5,8 milhões de brasileiros foram afetados frontalmente pelas enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul (RS), entre final de abril e início de maio de 2024, acarretando a maior catástrofe climática da história do Estado. Afora isto, eis a seca que vem trazendo prejuízos inarráveis aos rios de nossa região amazônica, desde 2023, além de ausência de chuva em diferentes Estados – a seca atinge 58% das terras brasileiras –, o que vem assombrando ambientalistas e governantes, aliada às terríveis queimadas nas distintas regiões, sobretudo, Sudeste e Centro-Oeste, as quais ainda se somam com o que vem da Amazônia. É incrível! É aterrorizante!

O Brasil concentra 71,9% das queimadas na América do Sul nas últimas semanas e/ou dias. Todos os anos na temporada de queimadas, que vai de julho a outubro, há fumaça na atmosfera, mas, poucas vezes, ela foi vista no Sudeste e no Sul. Segundo os dados do renomado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a alta do índice de incêndios no Brasil e da fumaça é atribuída às regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde todos os Estados mais que duplicaram os nefastos números. O RS, por sua vez, que não tem alto índice de fogo, teve uma chuva preta, resultado da fumaça sobre o RS.

Resumindo, a soma de focos de incêndio mais que dobrou entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado. O número totalizante é 108% maior em confronto com o mesmo período de 2023, quando 86.256 focos foram registrados entre janeiro e setembro. Tomando como referência ainda dados do Inpe, o G1 afirma que a fumaça que cobre o país vem, sobretudo, de 11 Estados e do Distrito Federal, que dobraram os focos de queimadas nesse período. Eis os percentuais alusivos à duplicação: Mato Grosso do Sul lidera o ranking, com 684%; seguido de São Paulo, 425%; Roraima, 233%; Mato Grosso, 220%; Rio de Janeiro, 167%; Minas Gerais, 146%; Espírito Santo, 143%; Goiás, 140%; Pará, 117%; Rondônia, 106%; Tocantins, 103%, vide Gráfico 1.

Gráfico 1

Fonte: Inpe / BDQueimadas – taxa referente ao período entre janeiro e setembro 2024 e 2023.

É urgente a conscientização da população! Riquezas ambientais nacionais estão em sério risco, a exemplo da inesquecível Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e o Pantanal tenta sobreviver no Mato Grosso do Sul! É hora de união ante o horror de saber que os incêndios estão se espalhando velozmente e por grandes áreas, tendo início, muitas vezes, nas bordas de estradas, o que aponta possível origem criminosa! É preciso buscar soluções via fatos verídicos, bem longe das fake news

Fontes

G1. Fogo mais que dobrou em 11 estados e no DF: entenda origem da fumaça e causas da crise ambiental no Brasil. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2024/09/ 12/fogo-mais-que-dobrou-em-11-estados-e-no-df-entenda-origem-da-fumaca-e-causas-da-crise-ambiental-no-brasil.ghtml. Acesso em: 26 out. 2024.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Projeto Verified. Disponível em: https://shareverified. com/sobre. Acesso em: 16 out. 2024.


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MARIA DAS GRAÇAS TARGINO

Doutora em Ciência da Informação e jornalista, finalizou seu pós-doutorado junto ao Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca e Máster Internacional en Comunicación y Educación da Universidad Autónoma de Barcelona, ambos na Espanha. Sua experiência acadêmica inclui cursos em outros países, como Inglaterra, Cuba, México, França e Estados Unidos. Autora de livros e capítulos, artigos científicos em ciência da informação e comunicação, enveredou pela literatura como cronista, com os títulos: “Palavra de honra: palavra de graça”; “Ideias em retalhos: sem rodeios nem atalhos”; “Amar, viver, escrever”; “Embarques e desembarques”; além de inúmeras participações em coletâneas literárias. Por longos anos, manteve vinculação com a Universidade Federal do Piauí e Universidade Federal da Paraíba. Membro da Academia de Literatura de Teresina e da União Brasileira de Escritores – Seção Piauí, mantém coluna semanal em jornal de Teresina; coluna bimestral no INFOHOME; e contribuições sistemáticas junto a páginas eletrônicas. Dentre as láureas: Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação, Intercom; Prêmio do Programa Informação para Todos, Unesco; Título de Cidadã Teresinense, Câmara Municipal de Teresina; e Prêmio “Mérito Jornalístico”, Câmara Municipal de Teresina; Homenageada do SALIPI 2024. E-mail: gracatargino@hotmail.com