OBRAS RARAS


FRANS POST

Em 2003, o Instituto Ricardo Brennand (IRB) publicou “Frans Post e o Brasil Holandês”, um catálogo da exposição realizada quando da visita da Rainha Beatrix da Holanda, o Príncipe Willem-Alexander e a Princesa Maxima. No ano anterior, para a inauguração da Pinacoteca do Instituto, obras de Albert Eckhout, também holandês e contemporâneo de Post, já haviam sido lá expostas pela primeira vez no Brasil.

 

Para quem não se lembra de alguns detalhes, Frans Post (1612-1680) é considerado o primeiro paisagista da América e o IRB, localizado em Recife, possui 15 quadros (dos quase 160 existentes) que refletem  a produção do artista em suas diversas fases – o que a torna a mais importante do mundo. Dos sete quadros pintados enquanto Post permaneceu no Brasil, um se encontra nessa coleção, adquirido em 2000.

 

O ainda jovem Post conheceu o Brasil graças ao Conde João Maurício de Nassau, governador do Nordeste de 1637 a 1644. A influência holandesa no Brasil foi um marco na história do país. Com o Conde vieram professores, poetas, artistas, judeus (não os cristãos novos que já habitavam o território brasileiro), o que significou uma mudança radical no cenário pernambucano e brasileiro.

 

O primeiro momento da vida artística de Post, segundo os organizadores do catálogo, o casal Corrêa do Lago, é “certamente o mais espontâneo e original, [e] cobre os sete anos que Post passou no Brasil, onde há registro de que tenha pintado por ordem de seu patrono apenas dezoito paisagens, representando as principais localidades sob controle de Nassau”. Dos dezoito quadros a óleo pintados entre os anos de 1637 e 1644 no Brasil, restam apenas onze.

 

Segundo matéria da Revista de Veja da semana (13 de dezembro de 2006), houve uma valorização da obra do artista a partir de 1990 devido ao reconhecimento de sua qualidade artística, além de seu valor histórico, por retratar o Brasil do século XVII. A autora, Lucila Soares, escreve que um quadro do artista, hoje, não custaria menos do que 10 milhões de dólares. O texto, na realidade, fala da possibilidade de um quadro do acervo do Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro, não ser de autoria do pintor. “Paisagem Rural” pode pertencer a outro acervo, o das pinturas falsificadas, com sede na Suíça. Analisado por uma comissão internacional, o quadro teve autoria recusada.

 

Durante sua estada em Recife o pintor documentou paisagens e colheu informações sobre portos e fortificações que podem ser vistos no livro Rerum per octennium in Brasilia, de Barleus (1647). Gaspar, ou Caspar van Baerle foi um conhecido humanista holandês do século XVII. A maioria das gravuras de seu livro é assinada por Post.

 

Apesar de sua importância, o artista perdeu a fidelidade característica de sua obra em sua última boa fase de vida artística. Especialistas afirmam que a precisão das informações contidas em seus últimos quadros deixou de existir quando o artista começou a prosperar financeiramente.

 

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Agradeço a todos que enviaram mensagens no decorrer de 2006. Que esses curtos textos continuem servindo para despertar interesse em qualquer aspecto desse fascinante mundo dos livros raros.

 

Boas Festas e um 2007 pleno de saúde, paz e sucesso.

 

Até a próxima!

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VALERIA GAUZ

Mestra e doutora em Ciência da Informação pelo IBICT, bibliotecária de livros raros desde 1982, é pesquisadora em Comunicação Científica e Patrimônio Bibliográfico, principalmente. Ocupou diversos cargos técnicos e administrativos durante 14 anos na Fundação Biblioteca Nacional e trabalhou na John Carter Brown Library, Brown University (EUA), de 1998 a 2005 e no Museu da República até 12 de março de 2019.