OBRAS RARAS


EX-LIBRIS I

Ex-libris, assim como assinaturas, carimbos, etc., são marcas de propriedade encontradas, não raras vezes, em um livro raro (ou moderno). Eles contam a história de vida de um livro, por onde passou, a quem pertenceu, quem o confeccionou e revelam aspectos relacionados aos livros que acabam por fazer parte de sua vida, se não intrínseca, extrinsecamente.

 

O dicionário de Houaiss explica que a palavra significa “pertencente a”, sendo “vinheta desenhada ou gravada que os bibliófilos colam geralmente na contracapa de um livro, da qual consta o nome deles, ou a sua divisa, e que serve para indicar posse”.

 

Carlos Alberto Brantes nos informa, do Paraná, que os ex-libris são tão antigos quanto a arte da tipografia, e que nasceram da união da gravura com o desejo de registrar a propriedade de determinado livro. Diz, também, que os mais antigos datam de meados do século XV e que, até o final do século XVIII seu uso era praticamente restrito à nobreza. Conta-nos, ainda, que o primeiro ex-libris do Brasil é do final do século XVIII, criado pelo colecionador Manuel de Abreu Guimarães, habitante das Minas Gerais (somente uma cópia existe dele hoje, na Biblioteca Nacional); e que o nosso primeiro colecionador de ex-libris foi o Barão do Rio Branco, no século XIX.

 

Se, nos primeiros tempos, continham brasões, escudos e monogramas, ao longo dos anos os vemos mais artísticos, e vemos também as mais diversas instituições solicitando a artistas ex-libris, para bibliotecas públicas, colégios, associações, sociedades filantrópicas ou comerciais, mesmo para exposições comemorativas, fora, claro, os pessoais.

 

No século passado houve colecionadores de ex-libris brasileiros que deixaram um conjunto expressivo desses selos. Alguns criaram apenas um selo para toda a biblioteca; outros, vários selos, um para cada tipo de coleção de sua biblioteca. Assim, não é difícil encontrar ex-libris diferentes para um mesmo nome de colecionador. Em mãos de particulares ou em instituições, essa arte de colecionar é ainda ativa em vários países, como Holanda, Espanha, Portugal, Polônia, China, etc. No nosso país, as coleções históricas mais conhecidas talvez sejam as de Paulo Berger, Floriano Pereira Reis de Andrade (Arquivo IHBG), Jenny Dreyfus (Arquivo do Museu da República) e Coleção Renato Berbert de Castro, mas há muitas outras.

 

Existem sociedades de colecionadores de ex-libris em vários países. A mais famosa talvez seja a The Bookplate Society, uma sociedade internacional de colecionadores, bibliófilos, artistas e interessados no assunto. Fundada em 1972, é talvez a primeira de tal tipo no mundo, se considerarmos que teve origem na Ex-Libris Society, de 1891. Organizações semelhantes publicam newsletters, revistas, catálogos e realizam concursos e exposições, algumas internacionais.

 

Não é material fácil de se tratar, tecnicamente falando. Catálogos profissionais, de coleções particulares e revistas especializadas constantemente divergem sobre a grafia exata de um nome (do autor ou do ilustrador). Sem falar que uma reunião das coleções brasileiras, em base de dados ou publicação impressa, precisa, ainda, ser feita, pois este é um universo pouco conhecido do público, em geral, e às vezes do específico, o de bibliotecas. Cabe, igualmente, mencionar que os ex-libris envolvem várias áreas, como a Biblioteconomia, a Museologia, as Belas Artes, e outras.

 

As sociedades de ex-libris na internet, até 1999, eram apenas cinco. Até dois anos atrás, aproximadamente, já havia quase 30, de diversas partes do mundo. Apesar do crescimento, poucos artistas fazem uso da possante ferramente virtual para divulgar seus trabalhos.

 

Até a próxima!

 

 

Fontes consultadas:

http://www.brasilcult.pro.br/ex_libris/catalogo_lista.htm

http://www.traca.com.br/?pag=clip20050607

http://jvarnoso.com/exlibris/introd_5.htm


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VALERIA GAUZ

Mestra e doutora em Ciência da Informação pelo IBICT, bibliotecária de livros raros desde 1982, é pesquisadora em Comunicação Científica e Patrimônio Bibliográfico, principalmente. Ocupou diversos cargos técnicos e administrativos durante 14 anos na Fundação Biblioteca Nacional e trabalhou na John Carter Brown Library, Brown University (EUA), de 1998 a 2005 e no Museu da República até 12 de março de 2019.