ALÉM DAS BIBLIOTECAS


EM PLENO CÉU EGÍPCIO

 

Sonhar que está voando em um balão bem colorido, ao raiar do dia, com o mundo passando devagarzinho aos seus pés, às ordens do vento, não tem idade; é lúdico, é criança, é mágico. Bem-aventurados aqueles que realizaram ou realizarão seu sonho na magia de um aeróstato ou balão, ou ainda melhor, no balão mágico.

Giulio Cesare

 

Retorno ao Egito. Inverno, novembro a fevereiro. Dias ensolarados e amenos (15°C-24°C) e noites frias (8oC-15oC). Período maravilhosamente agradável para o turismo, mas que requer agasalhos vez por outra. Clima docemente ameno para rever a arquitetura do antigo Egito com suas construções monumentais de pedra, incluindo pirâmides, templos e túmulos. Culto aos deuses. Reverência aos homens, que, distantes dos recursos tecnológicos da contemporaneidade, construíram, com audácia e coragem ímpares, maravilhas que encantam a humanidade até os dias de hoje. Eis a Grande Pirâmide de Gizé, o Templo de Karnak e Abu Simbel, construídos séculos antes de Cristo, em contraste com casas para lá de simples, em tijolos de barro, que sobrevivem às margens do rio Nilo, como as pertencentes ao povo Núbio.

Mas, desta vez, o encantamento está nos céus. Aos primeiros raios de sol de uma manhã para lá de agradável, eis Luxor, Antiga Tebas, cidade situada no Alto Egito, e que se impõe como esplêndido museu a céu aberto, abrigando os templos de Karnak e Luxor, o Vale dos Reis e o Templo de Hatshepsut. Capital política e religiosa do Egito durante o chamado Novo Império, aproximadamente 1580 a 1080 a.C., apogeu da civilização egípcia, marcado por grandes construções, riqueza e reinado de faraós notáveis, como Ramsés II e Tutmés III, Luxor oferece vista inigualável da história do Egito. E há mais. Muito mais. Nos céus ou no céu, lá estão eles. Imensos balões. Dezenas de vívidas silhuetas contrastam com o céu azul claro. A gente da terra parece acostumada. Os turistas, ao contrário, surpreendem-se e adoram. E lá estão eles ou lá estamos nós. Quando o dia nasce, a centenas de metros do solo, em pé num dos muitos balões multicoloridos. Com o sol surgindo, o cenário lá embaixo parece alucinação. Vales de topografia, tons e contornos desconcertantes. Do alto, a beleza do Vale dos Reis parece explodir. São vistas panorâmicas que eternizam o relevante sítio arqueológico para o mundo.

 

 

O Hot Air Balloon Flight (voo em balões de ar quente) é apenas um dos grandes atrativos em terras egípcias, ao lado da caminhada em camelos ou em charretes. O balonismo é um esporte aéreo que, com a evolução da tecnologia, tem se tornado cada vez mais seguro, em que pesem tragédias, como o incêndio com 21 pessoas, que se deu, em Praia Grande (Santa Catarina, Brasil), ano 2025, deixando o saldo desalentador de oito mortos e até os dias de hoje, nenhum culpado. A mídia revela, ainda, que, na última década, há registro do total de seis acidentes de balão, no país, com menor gravidade, dentre os quais, o primeiro aconteceu, em 2017, em Iperó (São Paulo).

De qualquer forma, a paixão pelos balões nos céus vem crescendo em diferentes nações de continentes variados, destaque para a Turquia, em especial, Capadócia, onde fizemos, pela primeira vez, a grande descoberta de estar em pleno céu, vislumbrando paisagens e se extasiando com a beleza infinita do céu infinito em sua majestade e fantasia pura. Dentre essas nações, citam-se os Estados Unidos da América, que mantêm o maior campeonato ao redor do mundo – Albuquerque International Balloon Fiesta ou Balloon Fiesta Park. Anual, ocorre durante nove dias, no Estado de New Mexico, Sudoeste dos EUA, conhecido por seus desertos e montanhas. Santa Fé é sua capital. Albuquerque, sua maior cidade. Esta abriga centenas e centenas de balões de cores em formatos inusitados. São lançamentos matinais, rodeios especiais, fogos de artifício e os famosos glows noturnos ou night glows, expressão que nomeia os balões à espreita em meio às noites iluminadas num verdadeiro show noturno de luzes...

 

Quanto a outros países, estão Tanzânia (Parque Nacional do Serengueti) e Quênia (Reserva Nacional Masai Mara), África. Na América Latina, eis México (cidade de Teotihuacan); Colômbia (Vale do Cocora, coberto por palmeiras-de-cera gigantes); e Argentina (Mendoza, rica por suas viniculturas). Na Espanha (Montseny, Catalunha); Inglaterra (Bristol) e Suíça, no caso, Château-d'Oex, recanto mundialmente conhecido como a capital do balonismo daquele país e do continente europeu. A Ásia faz parte do universo dos balões e da aventura em Pagã ou Bagã, antiga capital de vários reinos em Mianmar; e na Tailândia, cuja ênfase vai para Chiang Mai ou “Rosa do Norte”, a segunda maior cidade tailandesa e principal polo cultural.

No Brasil, a festa dos balões coloridos nos céus faz a delícia de muitos, durante uma série de festivais (inter)nacionais, a maioria dos quais acontece no Rio Grande do Sul, em particular em Torres, a capital nacional do balonismo e, em menor escala, em Bento Gonçalves. Também São Paulo, em especial, Boituva, vem aderindo ao balonismo. Dentre os campeonatos brasileiros, eis Fly In, Fly On, “Caça à Raposa” e Key Grabe, cada um deles com n particularidades curiosas.

 

 

O Fly In é uma prova clássica – os balões decolam de uma distância razoável – cerca de 2 km ou mais – visando atingir um alvo antes definido. No caso do Fly On ou FON, os competidores jogam algo, como um saquinho de areia identificado com uma fita ou algo similar, o mais próximo possível do alvo selecionado pelo próprio piloto e por ele declarado no início do voo. A meta é chegar até lá. No caso da “Caça à Raposa”, um “balão líder”, a “raposa", decola antes dos demais e delineia o percurso. Minutos depois, outros balões tentam seguir a trajetória da “raposa" para chegar o mais perto possível de onde ela pousar. Também conhecido como “Prova da Chave”, em Key Grabe, o piloto deve voar até local predeterminado, onde uma chave foi colocada. O intuito é apanhar a tal chave, com a mão, e diretamente do cesto do balão, embora, quase sempre, ela esteja no topo de um mastro, com cerca de 10 a 20 metros.

Por fim, no Egito ou em nosso Brasil, é sempre tempo de desvendar a paz dos céus, o silêncio das nuvens em sua quietude ou inquietude, e, principalmente, a sensação única de flutuar ao amanhecer diante de panorama deslumbrante!


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MARIA DAS GRAÇAS TARGINO

Doutora em Ciência da Informação e jornalista, finalizou seu pós-doutorado junto ao Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca e Máster Internacional en Comunicación y Educación da Universidad Autónoma de Barcelona, ambos na Espanha. Sua experiência acadêmica inclui cursos em outros países, como Inglaterra, Cuba, México, França e Estados Unidos. Autora de livros e capítulos, artigos científicos em ciência da informação e comunicação, enveredou pela literatura como cronista, com os títulos: “Palavra de honra: palavra de graça”; “Ideias em retalhos: sem rodeios nem atalhos”; “Amar, viver, escrever”; “Embarques e desembarques”; além de inúmeras participações em coletâneas literárias. Por longos anos, manteve vinculação com a Universidade Federal do Piauí e Universidade Federal da Paraíba. Membro da Academia de Literatura de Teresina e da União Brasileira de Escritores – Seção Piauí, mantém coluna semanal em jornal de Teresina; coluna bimestral no INFOHOME; e contribuições sistemáticas junto a páginas eletrônicas. Dentre as láureas: Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação, Intercom; Prêmio do Programa Informação para Todos, Unesco; Título de Cidadã Teresinense, Câmara Municipal de Teresina; e Prêmio “Mérito Jornalístico”, Câmara Municipal de Teresina; Homenageada do SALIPI 2024. E-mail: gracatargino@hotmail.com