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PLUGANDO A BIBLIOTECA FÍSICA NOS SISTEMAS ON-LINE: KIT BÁSICO

Com a evolução da Web ampliam-se as possibilidades de utilização dos softwares on-line para informatizar as atividades bibliotecárias. Há uma crescente oferta de sistemas e serviços gratuitos (ou de custo acessível) para os mais diversos fins, além dos já tradicionais Webmail. Uma característica básica é o de poder dispor de sistemas acessíveis a qualquer hora, por meio de qualquer máquina conectada à rede.

 

A Internet é agora uma plataforma na qual praticamente tudo pode ser operado por meio do navegador, de maneira simples e flexível. A propagação no uso da banda larga e a evolução tecnológica das linguagens de programação como o Ajax – mistura de XML com JavaScript, acrescentam ao ambiente das redes maior dinamismo ao uso e manipulação de dados à distância.

 

Neste estágio evolutivo, podemos fazer uso tanto de um computador pessoal, quanto de um celular, ou qualquer outro dispositivo que se comunique via IP para usufruir do acesso aos conteúdos digitais; ou produzir, manipular e armazenar esses conteúdos no ambiente digital. Portanto, o sistema pode estar residente na Web, ou em uma combinação entre duas soluções: estar no computador, e estar na rede eletrônica.

 

A tendência, indicada na literatura de tecnologias da informação, é cada vez mais nos conectarmos diretamente ao ambiente digital, acessando, produzindo, e compartilhando informações. Desta forma, reunimos algumas sugestões de sistemas úteis à atividade bibliotecária. Certamente, existem outras boas indicações para composição de um conjunto básico de recursos on-line aplicável ao ambiente de informação. No momento é apresentado sugestões a serem enriquecidas com outras indicações pelos leitores.

 

Saliente-se, que neste processo de uso de sistemas on-line, é essencial que a biblioteca possua boa qualidade de conexão em banda larga. A conexão é a infra-estrutura básica para aproveitar os recursos existentes.

 

WebOS

 

Sistemas Operacionais Web baseiam-se no conceito do sistema operacional instalado em máquina, transferido agora para o ambiente digital. A proposta é servir como ferramenta Web que reúne um conjunto de serviços voltados ao atendimento das necessidades básicas do usuário no uso do computador. A evolução destes sistemas ainda é limitada, embora existam várias opções na Internet (no endereço http://mashable.com/2007/08/22/web-os/ encontra-se 45 indicações). Basicamente, oferecem agenda, leitores de e-mail, editores de texto básico, calculadora, tocador de áudio, entre outros recursos. A maioria é de uso gratuito, e o idioma predominante é o Inglês.

 

Uma vantagem é o de poder acessar por meio de qualquer computador, em qualquer lugar, os arquivos da biblioteca. Porém, a própria Web oferece alternativas mais simples que os WebOS (ainda embrionários). A indicação para experimentação recai sobre:

 

GOOWY – www.goowy.com

EYEOS – www.eyeos.org (código aberto pode ser baixado para uma rede local. Interface em português).

DeskTopTWO – www.desketoptwo.com

 

 

Escritório On-line

 

O tradicional aplicativo de escritório instalável continua em alta no mercado. São ferramentas necessárias para as atividades realizadas em bibliotecas. Porém, se o bibliotecário desejar, encontra na Web boas alternativas de sistemas. Não é o “MS/Office”, mas a maioria é de uso gratuito em seus módulos básicos. O segmento é muito competitivo, refletindo na qualidade das ofertas, e onde marcas se destacam como o Google Docs (conjunto de aplicativos chamados de “Família Google de aplicativos on-line para escritórios”), que oferece editor de texto e de apresentação, planilha eletrônica, agenda e Webmail, tudo utilizado de maneira integrada ou não, e com interface em português. Outras opções, neste segmento, oferecem integração com outros serviços Web como: blogs e Flickr; enquanto outros permitem exportar os arquivos criados para formatos DOC, XML, RTF e PDF. Outro potencial destas ferramentas é a possibilidade de criar arquivos compartilhados, inclusive com o estabelecimento de permissões de edição. Em suma, o relatório da biblioteca pode ser elaborado de maneira simultânea pela equipe em um arquivo único; ou mesmo um produto bibliográfico poder ser gerado pela equipe da biblioteca ou por bibliotecas cooperativas e, fisicamente distantes. A indicação para experimentação recai sobre:

 

Google Docs – http://docs.google.com

ThinkFree – www.thinkfree.com

BuzzWord – http://preview.getbuzzword.com

 

 

Banco de dados

 

Depois das ferramentas de escritório é a vez dos bancos de dados. O detalhe é que bibliotecas trabalham com registros codificados em padrões, em especial no padrão MARC. As opções acabam sendo restritas. Um bom exemplo é o LibraryWorld, sistema completo para gerenciamento on-line de bibliotecas. O recurso é comercial, mas oferece acesso por tempo limitado para conhecimento e avaliação. Infelizmente, no Brasil não existem modelos de negócio semelhante. Alguns fornecedores de sistemas para biblioteca oferecem espaços em seus servidores para disponibilizar as bases bibliográficas de seus clientes, mas não se compara ao conceito do LibraryWord. Por outro lado, se a necessidade da biblioteca é construir uma base de dados não padronizada para alguma finalidade de organização pode recorrer ao ZOHODB, um dos primeiros sistemas de banco de dados on-line. Permite criar arquivo, ou importar dados de um arquivo no formato XLS (Excel) ou CVS (arquivo de texto, valores separados por vírgula). Outro recurso adaptável à rotina da biblioteca de controle da circulação e empréstimo de material é o sistema nacional Tempresto, desenvolvido como um sistema de construção de comunidades de interesse na troca e compartilhamento de publicações, na Internet. A indicação para experimentação recai sobre:

 

LibraryWorld.Net – http://libraryworld.net/cgi-bin/home.pl

ZOHODB – http://ds.zoho.com

Tempresto – www.tempresto.com.br

 

 

Outros Sistemas Complementares

 

Listam-se outras ferramentas que podem ser úteis às bibliotecas na manipulação de algum conteúdo, ou desenvolvimento de algum produto. A sugestão inicial é o sistema on-line para geração de arquivo em pdf, o PDF Converter que trabalha com arquivos gerados pelos aplicativos do MS/Office e com imagens.

 

PDF Converter – www.freepdfconverter.com

 

Para bibliotecas que precisam coletar dados para avaliação de serviços ou estudos estatísticos há o FormFacil, gerador de formulários que pode ser disponibilizado por meio de um URL (pública ou de acesso restrito) na internet para receber informações.

 

Formfacil – www.formfacil.com

 

Editor de imagem é um recurso indispensável para bibliotecas. Tornam-se comum na Web, apresentando grande compatibilidade de formatos, e opções até então só encontradas em editores para desktop, caso do Picnik, Fauxto e Snipshot.

 

Picnik – www.picnik.com

Fauxto – www.fauxto.com

Snipshot – http://snipshot.com

 

Se o editor de imagem é uma ferramenta útil, a mixagem de vídeo também é um recurso necessário. Além de hospedar vídeos na Web, o Jumpcut possibilita pequenas edições, com efeitos e legendas, e combina vários deles em um só. Possibilita, também, juntar fotos armazenados no computador ou em recursos sociais como o Flickr.

 

Jumpcut – www.jumpcut.com

 

Organizar, distribuir, publicar, dispor e gerenciar dinamicamente conteúdos de informação na Web, por meio de uma interface configurável, pode ser trabalhado pelas bibliotecas por meio de Sistemas de Gerenciamento de Conteúdos (Content Management Systems – CMS), sem a necessidade de dominar complexas linguagens de programação. Exemplo deste tipo de ferramenta é o Plone, software de código aberto que pode ser instalado em máquina, mas que apresenta possibilidade de uso on-line. A FAPESP mantém programa de incubadora para projetos de conteúdos digital baseado na ferramenta.

 

Plone – www.objectis.org

Incubadora FAPESP – http://incubadora.fapesp.br/

 

Em realidade, o desenvolvimento da Internet torna indiferente se os bits estão rodando no disco rígido do computador local ou remotamente por meio do uso do navegador. Os aplicativos on-line ganham efetiva importância e as tendências indicam que irão substituir parte dos programas instaláveis, ao longo dos próximos anos. Este fato, certamente, criará novos conceitos de automação de bibliotecas. Entretanto, apesar das ferramentas já existentes na rede, a total dependência da biblioteca com este tipo de plataforma ainda é insegura, e deve ser vista com atenção. A gratuidade como atratividade aos sistemas oferecidos, não são definitivos. Há um modelo de negócio sendo constituído e, neste sentido, a tendência é a cobrança para uso dos sistemas, como também se estabeleçam aplicativos baseados na filosofia dos softwares livres ou livre acesso. A recomendação é que bibliotecários explorem as possibilidades, experimentando, testando e avaliando os sistemas existentes para melhor realizarem as adaptações decorrentes destas inovações no ambiente de trabalho e na sua prestação de serviço à comunidade usuária.

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FERNANDO MODESTO

Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.